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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Retomada do City na liga é exemplo de profissionalismo

Saliba, do Arsenal, disputa lance com Haaland, do Manchester City, durante a partida do Inglês - Shaun Botterill/Getty Images
Saliba, do Arsenal, disputa lance com Haaland, do Manchester City, durante a partida do Inglês Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

Colunista do UOL Esporte

15/02/2023 19h05

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Quantas vezes vemos no futebol ciclos vencedores se encerrarem por "barriga cheia" de jogadores que se acomodam com conquistas?

Quantas vezes treinadores se queimam e perdem vestiários por expor publicamente seus elencos em entrevistas "polêmicas"?

O Arsenal parecia com a mão no título da Premier League depois de 19 anos. Pep Guardiola chegou a jogar a toalha e dava mesmo a impressão de que o foco do Manchester City seria a Liga dos Campeões.

Mas o treinador catalão jogou a isca certa para seus comandados: "ganhei 11 ligas em 14". E a bronca parece mesmo ter surtido efeito.

O City retomou o apetite desde então, emendou vitórias e pontos até vencer o Arsenal em Londres por 3 a 1 e retomar a liderança que não via desde o início de novembro, ainda que com um jogo a mais.

Disputa difícil e parelha, definida em detalhes, como esperado. Mikel Arteta escolheu Tomiyasu para ser o lateral mais contido pela direita, deixando o corredor para Saka na execução do 4-3-3 que passa pelo mesmo dilema dos times de Fernando Diniz no Brasil: ganha entrosamento pela repetição, porém é mais estudado pelos adversários e o desgaste físico e mental dos 11 escolhidos é inevitável.

Para piorar, o defensor japonês foi o elo fraco na retaguarda, falhando feio no gol de Kevin De Bruyne que abriu o placar. Nketiah não é fraco, já decidiu jogos grandes para os Gunners, mas desperdiçou duas oportunidades de cabeça que fizeram falta. Perdeu também o gol que Aké salvou sobre a linha, mas sofreu o pênalti que Saka converteu, mesmo provocado por Ederson.

Mas é difícil resistir ao melhor elenco da Premier League, talvez do planeta, concentrado e disposto a deixar 100% em campo. Mesmo abrindo mão da bola para ser mais objetivo - terminou com 36% de posse. Com Akanji no lugar de Mahrez, tirando Walker o trio na última linha e empurrando para a lateral/ala. Mas foi do outro lado que Grealish marcou o segundo, em chute desviado em Tomiyasu. Pressão, jogada trabalhada e bola nas redes.

Faltava o de Haaland, para completar a lista do "big six" que sofreram gols do artilheiro da liga em sua primeira temporada. O 26º em 23 partidas. Fechando os 3 a 1 que o Arsenal não teve a mínima condição de buscar e terá que se reinventar para ainda tentar fazer possível o que parecia provável.

O fato é que o City voltou. Com elenco sem beicinho, sem queimar o treinador e entendendo a reclamação. No fundo, não fizeram mais que a obrigação para quem é tão bem pago e tem a melhor estrutura à disposição. Talvez o risco de punição pelos "dribles" no fair play financeiro tenha unido atletas e comissão. Não isenta os dirigentes, mas cumpre a missão em campo.

Ainda assim, podemos chamar de exemplo de profissionalismo em um meio tão cheio de melindres. Aqui ao sul do Equador então...

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL