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Voltz EVS: testamos a moto elétrica que é alternativa ao combustível caro

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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

09/04/2022 04h00

Com o alto preço dos combustíveis, muitos motociclistas têm enxergado nas motos elétricas uma alternativa para economizar uma grana no posto, além de ser uma opção de mobilidade mais sustentável do que as motos de combustão interna.

Mas as pessoas ainda têm muitas dúvidas em relação ao desempenho e a viabilidade das motos elétricas. Cadê o motor? Qual velocidade atinge? Quanto roda com uma carga? São algumas das muitas perguntas que ouvi, enquanto rodava pelas ruas de São Paulo (SP) com a EVS, primeira moto elétrica brasileira desenvolvida e produzida pela Voltz Motors.

A empresa iniciou suas atividades no final de 2019. Seu primeiro modelo foi a scooter EV1, também elétrica. Em 2020, a marca criou a EVS, uma motocicleta street.

Como é a EVS

Com porte de moto, a Voltz EVS segue o estilo street (urbano), o mesmo da maioria dos modelos vendidos no Brasil, como a Honda CG 160 e a Yamaha Fazer 150. A EVS, entretanto, tem linhas futuristas que evidenciam se tratar de uma moto "diferente". O farol, lanterna e piscas são de LED, conferindo mais modernidade ao design.

Outra diferença, óbvia, é que ao invés de um monocilíndrico de combustão interna, há um motor elétrico de 3.000 Watts, alimentado por baterias de íons de lítio, instalado na roda traseira.

Voltz EVS  - Arthur Caldeira/Infomoto - Arthur Caldeira/Infomoto
Elétrica Voltz EVS tem rodas aro 17 e o mesmo porte de uma Honda CG 160
Imagem: Arthur Caldeira/Infomoto

No lugar do tanque e do motor, há uma tampa que dá acesso ao compartimento que transporta até duas baterias e também abriga o carregador duplo da moto.

As baterias podem ser recarregadas simultaneamente em tomadas comuns de 110 ou 220 V e levam cinco horas para uma carga completa. As recargas podem ser feitas na moto ou ainda é possível retirar as baterias para carregá-las em casa ou no escritório.

As rodas são de liga-leve, aro 17, calçadas com pneus de origem chinesa, sem câmara. O sistema de freios tem disco duplo, na dianteira, e simples, na traseira, com sistema combinado (CBS). O conjunto de suspensões usa um garfo telescópico invertido, na frente, e um monobraço, atrás.

Como é rodar com a Voltz EVS

Painel Voltz EVS - Divulgação - Divulgação
Painel tem tela de TFT e conexão Bluetooth com aplicativo para celular
Imagem: Divulgação

Ao apertar o botão de "partida" na chave de presença (Smart Key), a tela colorida de TFT do completo painel se acende. Além de velocidade, consumo da bateria em tempo real, autonomia e hodômetros, há conexão Bluetooth com o smartphone para ouvir música nos alto-falantes, localizados na parte da frente da moto, e ainda monitorar a EVS por meio de um aplicativo.

Antes de partir com a moto elétrica da Voltz, é preciso pressionar o botão "P" no punho direito, para liberar o motor - o dispositivo evita acelerações acidentais antes de o condutor assumir o guidão.

A posição de pilotagem é mais esportiva do que os modelos street. Embora o guidão seja alto e largo, as pedaleiras são recuadas e o motociclista precisa flexionar bem os joelhos.

Montado na moto, basta acelerar, pois as motos elétricas não têm marchas. A EVS conta marcha a ré, acionada no punho esquerdo, para facilitar manobras com seus 147 kg (com duas baterias).

A EVS oferece três modos de condução: ECO, econômico, que reduz a velocidade máxima para 75 km/h, ideal para rodar no trânsito intenso; Normal que chega a 100 km/h e indicado para vias de trânsito rápido; e o Turbo, no qual a EVS acelera rapidamente e pode alcançar 120 km/h, mas também reduz a autonomia pela metade. A autonomia de 180 quilômetros só é alcançada no modo ECO.

Teste Voltz EVS - Reprodução - Reprodução
Voltz EVS tem bom desempenho e autonomia, mas fica devendo em conforto
Imagem: Reprodução

As trocas entre os modos podem ser feitas em movimento, por um botão no punho direito. Rodei a maior parte do tempo no modo Normal que, na prática, oferece desempenho semelhante ao das motos de 150 cc e 160 cc a gasolina. Precisei usar o Turbo para sentir a arrancada mais vigorosa e também para encarar uma ladeira, com piloto e garupa.

Se o desempenho do motor surpreende e a autonomia é suficiente para o uso diário, a Voltz EVS fica devendo no quesito conforto. Além de o banco ter uma espuma fina, que causa incômodo após muito tempo sobre a moto, o ajuste das suspensões é rígido para nossas ruas, transmitindo as oscilações do piso para o piloto. A trepidação do carregador no compartimento também faz muito barulho em ruas irregulares e incomoda.

Os freios funcionam bem, mas o sistema combinado é agressivo demais: ao pressionar o manete de freio traseiro, que fica no lugar da embreagem, a frente afunda e até assusta. Nas curvas abertas, a EVS vai bem, mas em trajetórias mais fechadas, têm-se a sensação de estar "brigando" com a moto - problema que pode ser causado pelas suspensões duras demais ou pelo peso excessivo das baterias na parte dianteira (somadas pesam 30 kg).

A EVS, aliás, merecia pneus de melhor qualidade, pois os originais do modelo não transmitem muita confiança em acelerações mais fortes e nem nas curvas.

Cinco meses de espera

A Voltz EVS é vendida online com preço de R$ 19.990 (mais frete), mas só com uma bateria que roda 90 quilômetros. Com duas, o preço salta para R$ 24.490 e autonomia dobra. A bateria tem garantia de três anos ou 1.500 ciclos.

Voltz EVS lateral - Divulgação - Divulgação
Voltz EVS é vendida online por R$ 24.490, mais frete, com duas baterias
Imagem: Divulgação

Por conta da pandemia, a Voltz, como outras fábricas, enfrentou dificuldades com o fornecimento de componentes, além de problemas logísticos, que atrasaram a produção e entrega dos modelos. Entretanto, a Voltz acaba de abrir sua fábrica no Polo Industrial de Manaus e espera agilizar as entregas da EVS.

Ainda assim, o prazo para receber a moto após realizar a compra pelo site da marca é de 20 semanas, ou seja, cerca de cinco meses. Prova de que as motos elétricas estão realmente atraindo o interesse do motociclista brasileiro. Mas e aí, você trocaria a sua moto a combustão por uma elétrica? Deixe sua opinião e comentários.