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Líder comunitária facilita acesso de mais de 300 famílias à saúde

Amanda Almeida é finalista da categoria Informação para Vida, do Prêmio Inspiradoras 2021 - Júlia Rodrigues
Amanda Almeida é finalista da categoria Informação para Vida, do Prêmio Inspiradoras 2021 Imagem: Júlia Rodrigues

Suzana Villaverde

colaboração para Universa

07/10/2021 04h00

O bairro de Areias é uma das regiões mais empobrecidas de Recife (PE). As carências são múltiplas: faltam espaços de lazer, escolas e, claro, serviços de saúde. Diante da pouca atuação do poder público, é a população quem se organiza para mudar essa realidade.

Uma das iniciativas mais potentes foi criada em 2014. Trata-se da Associação Areias Saúde e Cidadania (AASC).

Quem comanda a instituição é a estudante de odontologia Amanda Maria de Almeida, 34, que concorre ao Prêmio Inspiradoras 2021 na categoria Informação para Vida. Graças à moça, o local é hoje um importante centro de serviços ou direcionamento para tratamentos médicos. Mais de uma centena de mulheres já foram encaminhadas por ela para a realização de mamografias.

Cresci sem nada: um posto de saúde, uma oficina, um reforço escolar. Era tudo longe, ninguém tinha dinheiro para mudar a comunidade. Isso sempre incomodou muito.

Amanda Maria de Almeida

AASC foi criada por um grupo de microempresários moradores do bairro que se incomodavam com a falta de iniciativas sociais por ali. No início, servia basicamente para receber e distribuir doações (de alimentos e remédios) à comunidade. Amanda decidiu se engajar na associação em 2015, depois de receber o diagnóstico de câncer de mama. O tumor foi tratado, mas recentemente surgiu outro no ovário.

Com a chegada de Amanda, o trabalho cresceu. As ofertas de cesta básica continuam, mas ela estabeleceu também parcerias e passou a recrutar voluntários. São psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, e professores ou estudantes que dão aulas de reforço para adolescentes. Há ainda um laboratório.

Em março do ano passado, Areias teve a primeira morte confirmada por decorrência do coronavírus no Nordeste, de acordo com o Ministério da Saúde. Para garantir a segurança de seus moradores, Amanda organizou a confecção e doação de máscaras de proteção e de alimentos para mais de 300 famílias em situação de vulnerabilidade.

Foco no câncer de mama

O Outubro Rosa é sempre agitado para Amanda. Isso porque facilitar o acesso aos serviços de câncer de mama é um dos principais focos da AASC desde que ela assumiu a instituição.

Muita gente não fazia a mamografia por medo. Com Amanda por perto, têm mais segurança. Ela apoia as mulheres, conta que é um procedimento rápido e muito importante. É fundamental ter alguém respeitada na comunidade, que faça essa ponte entre o serviço de saúde e os moradores.
Gerluce Fátima Nunes, 55, agente de saúde que atua no bairro

A atuação de Amanda chama atenção também de especialistas no assunto. Para a oncologista Daniela Rosa, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o trabalho da pernambucana toca em um ponto fundamental para o sucesso das campanhas de conscientização: o envolvimento não só das mulheres, mas de toda comunidade.

Dez em cada cem mulheres vão ter câncer de mama ao longo da vida. É uma prevalência muito alta para não ser um assunto de todos. E Amanda vai além. Ela dá um suporte que envolve toda família, idosos e crianças, cria um microssistema de saúde que poderia não existir sem a figura dela.

Daniela Rosa, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

Para atrair o interesse de jovens e crianças, a líder comunitária realiza oficinas de dança, por exemplo. Também organiza conversas, para entender as dificuldades dos moradores de Areias.

A conversa sempre vira alguma aula sobre a prevenção. Faço brincadeiras com meu sutiã, com a prótese, todos aprendem a fazer o autoexame, inclusive os homens e as crianças. Muitas mães chegam aqui falando que souberam da necessidade dos exames por causa dos filhos que vinham passar tempo conosco.

Amanda Maria de Almeida

Amanda aproveita toda oportunidade que tem para pedir contribuições para a AASC. Faz isso enquanto realiza seus tratamentos, durante o trabalho como auxiliar de faturamento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ou mesmo na faculdade. "Peço ajuda a qualquer pessoa que eu encontro", diz.

Nessa toada, já conseguiu inclusive a aproximação com outros projetos sociais, como os institutos Maria da Penha e de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), onde realiza seu tratamento. Foi para este segundo que ela conseguiu encaminhar vizinhas da comunidade para a realização de mamografias.

"Para realmente mudar o mundo o trabalho não precisa ser grandioso, o trabalho de formiguinha também tem um impacto enorme", diz Daniela Rosa.

Altruísmo de berço

A vocação para ser uma liderança comunitária é uma herança da mãe de Amanda. E o desejo de garantir atendimento às mulheres teve origem nos desafios que as duas encontraram para se tratar de cânceres de mama.

Tudo que aprendi sobre cuidar dos outros foi com a minha mãe. Ela criou a mim e a meu irmão sozinha e ainda adotou outros três filhos. A porta da nossa casa sempre esteve aberta para quem precisasse, mesmo com todas as dificuldades que a gente passava.

Amanda Maria de Almeida

Aos 52 anos, Dona Diva, como era conhecida a mãe de Amanda, faleceu em decorrência de um tumor descoberto já em estágio avançado. Foi a filha quem notou a anormalidade. Enquanto a mãe tomava banho, percebeu que a mama dela estava bastante avermelhada. Em seguida, a acompanhou ao médico.

Ter o diagnóstico precoce faz toda diferença para enfrentar a doença. A minha mãe, mesmo sendo uma mulher instruída, tinha ouvido que mamografia doía demais e não queria passar por isso.

Amanda Maria de Almeida

O medo atrasou o diagnóstico e agravou as condições de Diva. Em só um ano, o tumor evoluiu para metástase. "A doença trouxe vergonha para ela, por estar sem cabelo. Ela também percebia muito preconceito e falta de informação dos outros, gente que não queria oferecer um copo de água com medo de pegar alguma coisa. Isso a abalou muito", conta Amanda.

Dois anos após a morte de Diva, em 2014, foi a vez de Amanda receber diagnóstico semelhante. A descoberta coincidiu com seu divórcio e um episódio de depressão. Na mesma época, recebeu o convite para ser coordenadora da AASC. Engajada e cuidando dos outros, conseguiu forças para encarar os próprios tratamentos.

Sobre o Prêmio Inspiradoras

O Prêmio Inspiradoras é uma iniciativa de Universa e do Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras. São 21 finalistas, divididas em sete categorias. Além de Inovação em Câncer de Mama, tem também: Informação para Vida, Conscientização e Acolhimento, Acesso à Justiça, Equidade e Cidadania, Esporte e Cultura e Representantes Avon, dedicada às representantes da marca que realizam trabalhos de impacto.

Para escolher suas favoritas, basta clicar na votação a seguir. Está difícil se decidir? Não tem problema: você pode votar quantas vezes quiser. Também vale fazer campanha, enviando este e os outros conteúdos da premiação para quem você quiser. Para saber mais detalhes sobre a votação, é só consultar o Regulamento.

No mês que vem, durante dos 21 dias de enfrentamento à violência, uma série de lives com as finalistas de todas as categorias vai debater este e outros temas relacionados ao universo feminino. Dá para acompanhar as novidades no portal Universa e em nossas redes sociais.

A premiação é uma iniciativa de Universa e do Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras. Tem foco em três principais causas: violência contra a mulher, câncer de mama e equidade de gênero.