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Coloração, descoloração, alisamento: como salvar os fios do efeito chiclete

Getty Images
Imagem: Getty Images

Karina Hollo

Colaboração para Universa

28/12/2020 04h00

Fio elástico, parecendo um chiclete e frágil como um algodão doce. Parece curioso, mas não é. "Isso acontece quando a estrutura interna do cabelo, o córtex, composto de queratina, é seriamente danificado por processos químicos", explica Kédima Nassif, dermatologista, tricologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Brasileira de Restauração, de São Paulo.

"As ligações entre as moléculas que formam a queratina, responsável pela estrutura do cabelo, se rompem", continua a médica. O agente causador? A química presente em alisantes e descolorantes. "O resultado é um fio com aspecto emborrachado", completa Alberto Cordeiro, dermatologista especialista em cosmiatria, laser e tricologia da clínica Horaios, em São Paulo.

Anote aí: além dos tratamentos químicos, a exposição solar e ao cloro também causam alterações na queratina, enfraquecendo a estrutura capilar enfraquecida.

Por que os fios quebram?

"A elasticidade é uma característica normal dos fios, que evita que eles se quebrem na hora de pentear. O problema é quando o cabelo fica elástico em excesso", observa Fabiana Seidl, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, do Rio de Janeiro.

Outra questão é que, como o fio está frágil, rompe muito mais facilmente. "O primeiro conselho é abandonar todos os processos químicos, secadores e chapinhas, pelo menos por um tempo", fala Fabiana. Ela também indica tratamentos que aumentem a massa dos fios. "Além disso, é importante ter cuidado ao desembaraçá-los, com paciência, porque esse processo de recuperação pode demorar de meses a anos", explica a médica.

Como evitar a quebra?

Para passar bem longe desse problema, o importante é preparar o cabelo antes da química, com tratamentos reconstrutores e fazer o teste da mecha antes de qualquer procedimento químico nos fios.

"Vale também evitar associar agressões como alisamentos e descolorações ao uso de ferramentas térmicas como chapinha e modelador de cachos", sugere Kédima. E se for descolorir, busque um tom próximo ao do natural, fugindo do platinado ou de outra nuance muito clara se quiser maior proteção para os fios.

Como tratar, se o caos já estiver instalado?

Quando se abusou de processos químicos, os fios perdem camadas de queratina, ficam porosos e elásticos, o famoso efeito chiclete. Nesse período de cabelo fragilizado, a recomendação é suspender procedimentos químicos (coloração, descoloração e alisamentos) e evitar ao máximo o uso de ferramentas térmicas. "A primeira providência é interromper qualquer processo químico, ou o estrago pode ser irreversível", fala Marcos Coraza, hair stylist do Gilberto Cabeleireiros, em São Paulo.

Por isso, a medida emergencial para evitar a quebra é a reposição de proteína sob a forma de queratina ou de seus aminoácidos. Em outras palavras, dá-lhe máscara reconstrutora. "Em seguida, vale intercalar com a devolução dos lipídeos aos fios", diz ele. Sim, toca investir em um belo cronograma capilar.

"Esse quadro pode ser revertido com hidratação, nutrição e restauração adequadas, de acordo com cada tipo de cabelo. É importante também, abandonar o uso de secadores ou chapinhas. Finalmente, o corte das pontas ajuda", fala Alberto.

Por fim, selagem é um tratamento de salão que pode ajudar. "Ela trata tanto da hidratação e da massa interna perdida quanto da queratina, é um procedimento completo", explica Marcos.

Mas se o cabelo precisar mesmo de um corte, além do investimento em reconstruções, pode-se apostar também em cortes bordados, que vão retirando as partes danificadas sem impactar tanto no comprimento do cabelo.

Com o diagnóstico feito e tratamento em curso, é preciso apostar também na proteção de danos futuros. "Procure aplicar filtro solar e leave-in nos fios diariamente, para que ele consiga se recuperar", diz Kédima.

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