PUBLICIDADE

Topo

Ana Paula Xongani

E se a gente conhecesse as fashion weeks africanas?

Looks da Uzuri Creations - Divulgação
Looks da Uzuri Creations Imagem: Divulgação
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

10/12/2020 04h00

Uma coluna sobre moda não pode deixar de falar das fashion weeks, certo? Certo!

Então, vou começar este texto com uma provocação de leve pra gente construir boas e novas perspectivas: quem aí sabia que acontecem fashion weeks em todo o mundo, inclusive no continente africano? Existem várias semanas de moda por lá e acho muito importante falarmos mais sobre isso, se desejamos todes pensar a moda a partir de novos olhares, novas perspectivas e, principalmente, a partir de novas referências.

Quando se fala sobre referências internacionais de moda, acho que já passou da hora de conhecermos e recebermos informações apenas das semanas de moda de Paris, Milão e Nova York.

E isso é bastante importante, principalmente, para ampliarmos a percepção, a partir da moda, mas em tudo, de que existe uma África contemporânea. Existe moda contemporânea nos mais de 50 países do continente. Pode parecer óbvio o que digo, mas, acreditem, não é.

Perceba como é comum que as referências de moda africanas levem sempre nosso imaginário exclusivamente para lugares "antigos", "tribais". Com isso, não quero dizer que o ancestral, o antigo e as comunidades não possam ser parte das referências, mas não podem ser a única referência. Porque a África é plural, é contemporânea e tem moda e cultura bastante pulsantes.

Seja para pessoas negras, seja para pessoas não negras, voltar a atenção pra isso é importante em muitos níveis. Para nós, negres, é fundamental atualizarmos as referências, trazer nosso imaginário pra uma noção de contemporaneidade também. E, para pessoas não negras, é fundamental ter acesso à grandeza do que os povos negros criam e produzem em vários lugares do mundo.

mfw - Divulgação - Divulgação
Material de apresentação da Moçambique Fashion Week
Imagem: Divulgação

Dito isso, quero apresentar a vocês a MFW, Moçambique Fashion Week, que está rolando neste momento. Começou na quarta, dia 9, e vai até o dia 12 de dezembro. Mais de 20 estilistas locais apresentam suas criações em uma edição totalmente adaptada ao contexto pandêmico e, também por isso, bastante acessível no site e nas redes sociais do evento.

O site é lindo, muitíssimo bem organizado pra quem quiser acompanhar tudo, com galerias das edições anteriores também. Clicando aqui, você vê a programação de todos os desfiles. No Instagram, você pode encontrar várias pílulas de informação também.

Eu, por exemplo, estou ansiosa pelo desfile da Uzuri Creations, que em sua trajetória diz se inspirar muito no Ateliê Xongani. Percebe como estamos conectadas? As mulheres moçambicanas me inspiram, e eu, da diáspora africana no Brasil, as inspiro de volta. Percebem a beleza e a potência disso?

Não fossem os distanciamentos e o contexto de isolamento social, é na MFW que eu gostaria de estar hoje, cobrindo essa semana de moda. Quem sabe essa coluna não nos leva lá em 2021?

Como eu sempre digo, o problema não é não saber, é não querer mudar. Então, vamos ampliar nossas referências de moda e conhecer a moda feita por mãos pretas do continente africano? Que tal começar pela MFW? Corre lá! Tá tudo online!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.