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4,5G é marketing ou tecnologia? Entenda a velocidade 'pré-5G' de operadoras

O que promete a conexão 4,5G? - Getty Images/iStockphoto
O que promete a conexão 4,5G? Imagem: Getty Images/iStockphoto

Colaboração para Tilt

16/08/2021 09h00Atualizada em 18/08/2021 14h21

É bem provável que você tenha esbarrado com propagandas de operadoras bradando sobre redes 4,5G ou 4G+. Considerando que muitos usuários ainda encontram dificuldades com o 4G comum, não é difícil imaginar que esses nomes causem desconfiança. E aí, é marketing ou tecnologia de verdade?

Os nomes são marketing. Tanto o 4,5G quanto o 4G+ se referem ao padrão LTE Advanced (que também é o do 4G) e/ou LTE Advanced Pro. O primeiro foi formalizado em 2011 pela 3GPP (3rd Generation Partnership Project), um grupo internacional que determina padrões de telecomunicações. O segundo em 2015 pela mesma organização.

Por outro lado, existem sim diferenças entre o 4G tradicional e essa nova tecnologia vendida pelas operadoras.

O LTE Advanced significa Long Term Evolution (Evolução a Longo Prazo, em tradução livre) e designa o padrão de todo o 4G, segundo informações da Teleco.

4G x 4,5G

A grande diferença entre o 4G e 4,5G está na velocidade e estabilidade de rede. Enquanto o 4G funciona usando somente uma faixa de frequência, de 2.500 MHz, o 4,5G pode usar diversas faixas para transmitir dados ao mesmo tempo.

São combinadas à faixa de 2.500 MHz as faixas de 1.800 MHz e de 700 MHz (no último caso, apenas onde o sinal de TV analógica deixou de existir) —até cinco faixas de transmissão podem ser combinadas.

Em uma analogia simples, essa agregação de faixas, é como adicionar mais faixas de rolagem em uma estrada, diluindo o tráfego e viabilizando maiores velocidades. Ou seja, em vez de todo mundo congestionar uma mesma via de dados, o volume é diluído em diversas faixas. Essa tecnologia é chamada carrier aggregation (agregação de faixas em tradução livre).

Além dessa combinação de frequências, o 4,5G também conta com outras estruturas que o diferenciam, como a MIMO 4x4, que permite que a comunicação entre a torre da operadora e o seu celular seja feita com quatro antenas de transmissão e de recepção, ao invés de duas, como é com o 4G.

Também há a modulação 256QM, que permite que o dispositivo transmita um volume muito maior de dados. Esses dois aspectos juntos vão trazer uma estabilidade de rede muito maior, principalmente porque vai significar uma melhoria na infraestrutura que temos atualmente.

Em termos de velocidade, ela pode em tese registrar até 1 Gbps, mas, como já vimos nas gerações anteriores, o valor máximo proposto pela tecnologia de transmissão de dados quase nunca se reflete no mundo real.

Vale lembrar: a velocidade final depende da infraestrutura da operadora, da cobertura do sinal e também da tecnologia presente no seu celular. E você só terá acesso ao 4,5G se o seu celular tiver as antenas compatíveis com o padrão.

Nesse caso, significa ter celular novo e topo de linha. Se você já tem um aparelho mais moderno, o processo para se conectar à rede é o mesmo do 4G: basta estar em uma região com sinal disponível e ter um plano de dados que cubra a tecnologia que a conexão rola automaticamente.

4G, 5G - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

E o 5G?

Algumas operadoras começaram a testar a oferta do 5G em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro em julho de 2020. Trata-se da tecnologia de transição DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, da sigla em inglês). É uma amostra de como o 5G será quando estiver funcionando em mais regiões. Mas o volume ainda é pequeno.

Celulares compatíveis com a tecnologia de quinta geração também já podem ser comprados, como as famílias de celulares top de linha Galaxy S21 e iPhone 12 e o Moto Edge. Além deles, é possível investir no Moto G100, Moto G 5G Plus, Realme 7 5G, Xiaomi Mi 10T, Galaxy A32, entre outros.

A grande promessa da indústria para o 5G é mais estabilidade e capacidade de conexão para outros dispositivos que vão além dos smartphones.

Enquanto o 5G não chega para mais pessoas, o 4,5G funciona como uma ponte entre o 4G comum e o que ainda está por vir.

"Cada G representa uma nova geração de tecnologia móvel. O 4,5 é uma melhoria do sistema que já temos, o 5 representa uma nova era inteira. A ideia é que a performance mude drasticamente. Falamos aqui não somente de uma velocidade muito maior e uma latência muito menor, mas de um mundo conectado, o que chamamos de a internet das coisas", diz André Miceli, coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV).