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Moto G100 não economiza no desempenho, mas falta capricho nas câmeras

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

14/04/2021 04h00

O Moto G100 é um celular poderoso que bate de frente com os aparelhos mais caros do mercado a não ser por alguns pontos em que a Motorola preferiu economizar —como na tela e, principalmente, na câmera— e que podem pesar na escolha de consumidores exigentes.

O Moto G foi o primeiro smartphone que eu tive e também o de muita gente. Em meados de 2013, quando a linha estreou no Brasil, era o melhor custo-benefício com uma ficha técnica intermediária e preço acessível. Com o tempo, se tornou o carro-chefe da Motorola e se desmembrou em diferentes versões (Play, Plus, Turbo e até 5G).

Em 2021, a linha pela primeira vez ganhou uma versão quase-premium: o Moto G100, que apesar de ser o Moto G mais caro já lançado no Brasil, ainda é mais barato que concorrentes com perfil semelhante. Mas isso é suficiente para validar a compra? Vamos descobrir.


Motorola

Moto G100

Preço

R$ 3.999 R$ 3.399 (Shopping UOL - 13/04/2021) Comprar
TILT
4,5 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Ainda que seja um LCD de resolução Full HD, a taxa de atualização em 90 Hz torna a visualização confortável

A câmera frontal aplica uma suavização automática exagerada que deixa partes do rosto literalmente borradas

Não há zoom óptico, mas as opções de lentes costumam tirar boas fotos

A traseira de plástico acumula muitas marcas de dedo e riscos, mas a presença de uma porta para fones de ouvida compensa

Há poucos concorrentes nessa faixa de preço com desempenho tão bom

Pontos Positivos

  • O desempenho é acima da média e comparável ao de celulares que custam o dobro
  • A bateria tem boa autonomia e aguenta tranquilamente quase dois dias de uso

Pontos Negativos

  • As câmeras não são as mais versáteis, e as frontais exageram na suavização automática a ponto de deixar selfies borradas

Veredito

O Moto G100 tem desempenho comparável ao de um celular duas vezes mais caro, com boa bateria e tela confortável. O design não é dos mais caprichados, mas a presença de uma entrada para fones de ouvido compensa. As câmeras traseiras são típicas de um Moto G, nada surpreendentes, exceto pela dupla de sensores frontais que exageram na suavização automática a ponto de deixar selfies borradas. Com poucos concorrentes nessa faixa de preço, o Moto G100 vale a pena se você não se importar com as câmeras medianas e quiser um aparelho potente pelo melhor custo-benefício.

O UOL pode receber uma parcela das vendas pelo link de compra recomendado neste conteúdo. Preços e ofertas da loja não influenciam os critérios de escolha editorial.

Grande, mas não muito pesado, o Moto G100 pode ser facilmente confundido com outros Moto G recentes —lembra muito o Moto G 5G Plus lançado no ano passado. Não há nada chamativo além do esquema de cores, que mudam de lilás para azul dependendo do ângulo de visão. O corpo de plástico, que deixa marcas de dedo bem visíveis, e o design pouco criativo ajudam a baratear o modelo.

Motorola Moto G100 - Lucas Carvalho/Tilt - Lucas Carvalho/Tilt
Imagem: Lucas Carvalho/Tilt

O leitor de impressões digitais fica na lateral, no botão de ligar e desligar a tela, e funciona muito bem longe de toques acidentais. Há uma entrada de 3,5 milímetros para fones de ouvido —que, aliás, vêm na caixa com o carregador de 20 W. Nem todo top de linha pode se gabar pelo mesmo motivo.

Completa o pacote um botão na lateral dedicado ao Google Assistente —é só apertar para convocar a inteligência artificial do Android. Na traseira, o módulo de câmeras não tem uma lombada tão alta quanto a de outros celulares, o que é bom. Em compensação, o celular não tem proteção contra água e poeira.

No papel, a tela do Moto G100 não é premium: é uma LCD de 6,7 polegadas (17 cm na diagonal) e resolução Full HD (1080 x 2520 pixels) com bordas nítidas e dois furos grosseiros no canto superior esquerdo para as câmeras frontais. Na prática, a qualidade dessa tela é satisfatória.

Motorola Moto G100 - Lucas Carvalho/Tilt - Lucas Carvalho/Tilt
Imagem: Lucas Carvalho/Tilt

Consegui enxergar o conteúdo mesmo debaixo do sol forte e não vi imagens pixeladas. As cores são bem vibrantes e a tela tem taxa de atualização de 90 Hz. Na prática, isto significa que animações simples, como o rolar do feed do Instagram ou jogos são exibidos com mais fluidez e suavidade.

O processador Snapdragon 870 e os 12 GB de memória RAM não deixam dúvidas: no desempenho o Moto G100 é um pequeno monstro. Testei-o com os principais aplicativos, do Instagram ao TikTok, além de jogos pesados com gráficos no máximo, como "Free Fire" e "Asphalt 9". Não o vi travar ou engasgar uma vez sequer.

No aplicativo Geekbench, que mede a velocidade de celulares, o Moto G100 fez 961 pontos no teste de um só núcleo e 2.796 pontos no teste que exige múltiplos núcleos do processador ao mesmo tempo.

Como comparação, o resultado é 75% melhor que o do seu antecessor, o Moto G9 Plus, que tinha processador Snapdragon 730G. O G100 também fica ligeiramente abaixo do Galaxy S21, que tem um chip Exynos 2100, um dos melhores processadores da atualidade. O sistema Android 11 quase sem firulas ou apps pré-instalados também ajuda no desempenho do modelo da Motorola.

Principal

Agora vamos falar sobre o ponto mais fraco do Moto G100. O conjunto de câmeras traseiras é formado por:

  • Uma lente principal de 64 MP;
  • Uma lente ultra-wide (grande-angular) que consegue capturar mais conteúdo numa foto com 16 MP;
  • Um sensor de profundidade de 2 MP;
  • Um sensor TOF ("time of flight", ou "tempo de voo"),

Apesar dos quatro sensores, o app de câmera só oferece duas lentes para usar: a principal, que por padrão salva as fotos em 12 MP, combinando quatro pixels em um para formar imagens mais nítidas; e a ultra grande-angular, que deixa passar um pouco de ruído em algumas regiões das imagens.

A lente ultra grande-angular também pode ser usada para simular uma lente macro, que permite fotos de detalhes de objetos sem perder o foco. Mas é difícil travar o foco nessa lente.

Os outros dois sensores servem para ajudar a câmera a fazer uma espécie de mapa 3D do ambiente. Essa tecnologia promete fotos com modo retrato —aquele em que o plano de fundo fica borrado— mais caprichado. Na prática, é difícil notar a diferença que esses sensores fazem na foto. Eu trocaria um deles por uma lente teleobjetiva que permitisse zoom ótico, ausente no modelo. Dá para tirar fotos boas com o Moto G100? Dá, principalmente se você usar só a lente principal com boa luz e não for muito exigente.

Frontal

Na frente, temos uma lente de 16 MP e outra grande-angular de 8 MP. O problema é que as selfies passam por uma suavização excessiva na tentativa de eliminar imperfeições, como marcas de expressão. No processo, acaba deixando meu rosto literalmente borrado em algumas regiões. Se você gosta de tirar selfies, passe longe do Moto G100.

Fotos tiradas com o Moto G100

A bateria de 5.000 mAh deu conta da minha rotina de uso, que consiste em cerca de três horas de tela ligada por dia. Começando o dia com 100% de carga, só precisei recorrer ao carregador no fim do dia seguinte na maioria das vezes. Em dias mais intensos, só precisei de uma recarga na manhã seguinte.

No nosso teste padronizado de bateria, que roda um vídeo em looping com a tela cheia, no brilho máximo, Wi-Fi ligado, sem notificações, 4G e Bluetooth desligados, além de todos os apps de segundo plano fechados, o Moto G100 aguentou 12 horas e 26 minutos com a taxa de 90 Hz ligada. O desempenho é um pouco inferior ao do o Moto G9 Plus, outro aparelho da Motorola com tela LCD e bateria de 5.000 mAh, mas cuja taxa de atualização é de 60 Hz.

Abro aqui um breve parêntese para falar do Ready For, o sistema que permite que o celular seja usado como um PC quando ligado a um monitor por um cabo HDMI. O resultado é semelhante ao Dex, da Samsung: lento, mal otimizado para a maioria dos apps e, sinceramente, meio sem propósito.

Só testei o recurso para falar sobre ele no review, já que nunca senti necessidade de transformar meu celular em um PC. Como não tenho um monitor sobrando em casa, liguei o aparelho na TV e, depois de alguns minutos, cansei. Não vejo futuro nessa aposta, mas a Motorola afirma que está comprometida com a plataforma para as próximas gerações do Moto G. Quem sabe na próxima eles acertam?

O desempenho do Moto G100 é digno de um celular top de linha, no mesmo nível que um Galaxy S21 Ultra ou um iPhone 12 que custam quase o dobro. Mas o design, a tela e as câmeras são nível intermediário ou inferior, típicos de um Moto G que custaria a metade do preço, como o Moto G30 lançado neste ano.

Se você quiser um celular potente para lidar com várias tarefas ao mesmo tempo, jogos pesados e até para trabalhar, o Moto G100 quase não tem concorrentes nessa faixa de preço. Mas aí você tem que sacrificar a câmera e aturar um conjunto de sensores de desempenho mediano.

Se você quiser um celular mais completo, com tela e câmeras melhores, sem abrir mão do desempenho, as opções são escassas nessa faixa de preço. Há o Galaxy S21, da Samsung, que foi lançado no Brasil por R$ 5.999, mas que já pode ser encontrado em algumas lojas custando menos de R$ 4.000; ou modelos mais antigos, como o gamer Rog Phone 2, da Asus, se você não se incomodar com o visual extravagante.

Se os pontos fracos que eu destaquei não te desanimarem, e no fim do dia você ainda quiser um Moto G100, seja pelo custo-benefício ou por ser fã da marca, ele não deve desapontar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Especificações técnicas
  • Sistema Operacional

  • Android 11

  • Dimensões

  • 168,4 x 74 x 9,7

  • Resistência à água

  • Não

  • Cor

  • Prata ou azul-lilás

  • Preço

  • R$ 3.999 (lançamento)

Tela
  • Tipo

  • IPS LCD

  • Tamanho

  • 6,7 polegadas

  • Resolução

  • Full HD+ (1080 x 2520)

Câmera
  • Câmera Frontal

  • 16 MP + 8 MP

  • Câmera Traseira

  • 64 MP + 16 MP + 2 MP + 2 MP

Dados técnicos
  • Processador

  • Snapdragon 870

  • Armazenamento

  • 256 GB

  • Memória

  • 12 GB

  • Bateria

  • 5.000 mAh