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iPhone 12 Pro: câmera campeã, bateria que frustra e preço sem noção

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

26/11/2020 04h00

O iPhone 12 Pro é um modelo que fica bem no meio entre os lançamentos deste ano da Apple. Não é tão pequeno como o 12 mini (tela de 5,4 polegadas) e nem tão gigante como o 12 Pro Max (tela de 6,7 polegadas). E é mais um dentre os (ainda) poucos celulares a aportar no Brasil com acesso a conexões 5G, marcando a estreia da Apple nesta tecnologia.

Ainda não temos uma rede 5G 100% em funcionamento, por isso esta análise vai focar em outros aspectos do celular. Com ou sem 5G, será que o modelo compensa seu (ainda mais) alto preço com os demais recursos, como a câmera tripla e o novo processador A14 Bionic?

O iPhone 12 Pro custa no Brasil R$ 9.999 (128 GB), R$ 10.999 (256 GB) e R$ 12.999 (512 GB) —um aumento significativo em comparação aos iPhones do ano passado. A alta do dólar é um dos grandes motivos, segundo a empresa.

A linha iPhone 12 chegou aqui oficialmente na semana passada. Ao contrário do que fez em outros países, a Apple iniciou as vendas dos quatro aparelhos todos de uma vez: iPhone 12 Mini, iPhone 12, iPhone 12 Pro e iPhone 12 Pro Max.


iPhone 12 Pro

Preço

R$ 9.999 R$ 8.700,00 (preço no dia 24/03/2021) Comprar
TILT
4,3 /5
USUÁRIOS
1,8 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Em comparação com a geração anterior, resolução foi melhorada

Ganhou o modo noturno

Um novo scanner ajuda com fotos em ambientes com pouca iluminação e experiências de realidade aumentada

Novo processador tem tecnologia inédita em chips

Fica a penas na média

O aparelho possui proporções (altura, largura e espessura) menores em relação ao iPhone 11. Isso melhorou a usabilidade

Pontos Positivos

  • Processador é um marco para a indústria
  • Modo noturno em todas as lentes
  • Processamento de imagens foi melhorado

Pontos Negativos

  • A bateria podia ser muito melhor
  • Custo-benefício pesa bem, ainda mais pelo modelo não vir com fone de ouvido e carregador de bateria na caixa
  • O design até mudou (ele é mais bonito do que a geração passada), mas não mudou tanta coisa assim

Veredito

O celular é excelente. Ele tem processador mais inteligente, câmeras ótimas e 5G, mas o custo-benefício fica complicado. A bateria deixa a desejar. Pensando também em valores, o iPhone 12 Pro Max pode ser mais vantajoso para quem está disposto(a) a pagar por um novo celular da linha. A parte ruim é que nenhum deles possui fone de ouvido e carregador de bateria na caixa.

O UOL pode receber uma parcela das vendas pelo link de compra recomendado neste conteúdo. Preços e ofertas da loja não influenciam os critérios de escolha editorial.

iPhone 12 Pro: traseira - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

A família 12 Pro ganhou uma nova cor, a azul-pacífico— no lugar da verde meia-noite que surgiu com o iPhone 11 Pro e 11 Pro Max.

O novo visual "moderno-retrô" foi a maior mudança, com laterais agora planas. Achei mais confortável para segurar e usar, mas esse design dá um ar de já-vi-isso-em-algum-lugar-do-passado.

iPhone 12 Pro: design novo destaca laterais planas - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Design novo destaca laterais planas
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

Apesar de ter sido inspirado no iPad Pro, o formato quadrado retoma o visual dos iPhones 4, 4S e 5. Olhar para o 12 Pro (e irmãos) é associar automaticamente aos modelos de antigamente. Mas digo para vocês: o celular deste ano é muito mais bonito, sem dúvidas. O acabamento é muito melhor.

Só é esquisito pensar que o design da linha 12 marca uma das maiores mudanças de visual desde o iPhone X, de 2017, que estreou a tela quase em toda infinita e matou o botão home.

Alguns vão falar da grande mudança com a câmera tripla. Realmente, mudou. Mas a frente do iPhone 12 Pro continua a mesma de três anos atrás, com um visor com poucas bordas e entalhe na parte superior. A estrutura quadrada já conhecida para abrigar as câmeras e o flash permaneceu.

O lançamento tem resistência à água (IP68), ou seja, protege até seis metros por até 30 minutos submerso. Em comparação ao iPhone 11, ele ganha por ser mais leve e menor. A entrada do chip da operadora de celular foi da direita para a esquerda.

Com a linha 12, a Apple anunciou um novo sistema de conexão por indução integrada aos celulares. Isso faz os aparelhos serem compatíveis com acessórios MagSafe, como capas, carregadores sem fio e carteiras.

iPhone 12 Pro: tela de 6,1 polegadas - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

A tela OLED é de 6,1 polegadas (15,49 cm), com melhor resolução (2.532 x 1.170 pixels a 460 pontos por polegada) do que o iPhone 11 Pro.

O contraste e o brilho estão melhores em comparação ao iPhone 11. Colocando lado a lado os dois celulares, as diferenças são visíveis. Isso não significa que a tela do celular da Apple de 2019 é ruim. Mas a do lançamento está ainda melhor.

A única inquietação em relação à tela é ficar imaginando o motivo de a Apple ainda não ter adotado a taxa de atualização de 120 Hz (torna a exibição de imagens mais fluidas), enquanto concorrentes (como a Samsung) já estão popularizando a tecnologia— a maioria dos celulares do mercado hoje ainda trabalha com 60 Hz. Rumores indicavam que a Apple iria lançar a linha iPhone 12 com essa nova taxa de atualização. Mas parece que isso vai ficar mesmo para 2021.

Em termos de resistência, a tela é quatro vezes mais forte em comparação com a linha iPhone 11. Já contra riscos, não posso dizer o mesmo. Em três dias de uso, surgiu uma marca no celular de teste. Não sei explicar como ele apareceu, pois foram dias de uso do iPhone sem sair de casa. Então nem passei pela possibilidade de o aparelho ser riscado por uma chave dentro da bolsa. Acrescente na sua lista a compra de películas protetoras para frente, para trás, para os lados, para tudo. E boa sorte.

Toda a linha 12 funciona com o processador A14 Bionic, o primeiro no mundo com tecnologia de 5 nanômetros. Isso significa, resumidamente, um desempenho mais avançado, melhor eficiência de energia e maior potencial de funcionamento com sistemas de inteligência artificial (IA).

Adotar uma tecnologia dessa em um celular é importante porque põe cada vez mais poder de processamento no aparelho, sem depender de processos que dependem de conexão de internet.

No caso do iPhone, o A14 Bionic e o sistema atualizado da Apple (o iOS 14) influenciam diretamente na qualidade das fotos das novas câmeras, algo que a empresa tem melhorado a cada ano.

O iPhone 12 Pro manteve o conjunto de três lentes com 12 MP cada, mas ganhou alguns upgrades.

  • Câmera padrão
  • Grande angular (abertura de °120)
  • Câmera de zoom
iPhone 12 Pro: conjunto de câmeras é triplo; o sensor LiDAR fica logo abaixo de uma das lentes - Bruna Souza Cruz/Tilt - Bruna Souza Cruz/Tilt
Conjunto de câmeras é triplo; o sensor LiDAR fica logo abaixo de uma das lentes
Imagem: Bruna Souza Cruz/Tilt

O processamento de fotos com inteligência artificial ficou ainda melhor entre uma geração e outra. E eu espero que se torne uma tendência nos celulares da Apple. As fotos tiradas com o novo celular ficam mais nítidas, menos granuladas e com maior nível de detalhe em comparação com o iPhone 11, que foi o modelo que eu pude usar para comparar.

iPhone 12 Pro: veja fotos feitas com o celular da Apple

Dentro da pegada inovação, o iPhone 12 Pro (e Pro Max) trabalha com um novo sensor, o scanner LiDAR, visto no iPad Pro. Ele melhora o mapeamento de profundidade do sensor da câmera por conseguir entender a distância entre objetos. Isso resulta em um foco automático mais rápido nas fotos com pouca luz e também a promessa de um salto nas experiências com realidade aumentada.

O modo noturno, que era muito bom com a geração iPhone 11, agora funciona com todas as câmeras, o que eu adorei. O novo conjunto de lentes também consegue captar mais luz.

Não tive nenhum problema com fotos borradas ou com pouca definição durante os testes. O que pode acontecer na foto noturna é alguns pontos de luz (como em um poste ou farol de carro) ficarem com aspecto ainda mais claro.

Fotos de céu ficam nitidamente diferentes; a tonalidade muda bastante. Mas não foi algo que me incomodou. Por causa da pandemia, não pude sair como eu gostaria para explorar o modo noturno. Mas as impressões acima são baseadas no que eu consegui produzir.

Deu para perceber que as lentes conseguem capturar detalhes com maior precisão do que o iPhone 11. A tecnologia Deep Fusion, que faz um agrupamento de pixels com ajuda de aprendizado de máquina —o que na prática enriquece os detalhes da foto— agora funciona também em todas as câmeras.

A gravação de vídeos também foi melhorada. O celular consegue capturar 60 vezes mais cores, segundo a Apple. E é o primeiro modelo a gravar diretamente Dolby Vision. A empresa promete vídeos mais realistas. Infelizmente, não consegui explorar também essa parte por conta da pandemia. Mas notei uma diferença de estabilização com vídeos feitos com o iPhone 12 Pro e o iPhone 11. Com o novo celular, percebi que as imagens tiveram menor interferência mesmo tremendo um pouco a mão na hora de filmar.

A câmera frontal manteve os 12 MP da geração passada. E recebeu melhorias em processamento de fotos. Agora também rola selfie no escuro.

Em termos de números, a bateria não foi ampliada. O processador novo até deve impactar positivamente diminuindo a velocidade de consumo. Mas fiquei frustrada com o uso prático. A bateria não é das piores. Mas ela é somente ok. Pelo valor que o celular custa, eu acabei criando uma grande expectativa sobre ela.

Com um uso mais tranquilo, sem exigir tanto, ela não dura os quase dois dias completos do iPhone 11 Pro Max, que testei no ano passado. Após oito dias de uso direto, eu consigo dizer que vai durar um pouco mais que um dia completo em casos assim. Talvez, um dia e meio. Mas vai depender muito de como você usa o celular.

Nos testes de baterias feitos em Tilt, o iPhone 12 Pro pelo menos teve um desempenho superior ao do irmão 11 Pro. A diferença de reprodução contínua de um vídeo da internet (conexão wifi) foi de 12h35 e 10h31, respectivamente. O novo iPhone ganhou do Samsung Galaxy S20 Ultra (10h48) no mesmo teste.

Agora, com um uso mais intenso de jogos, vídeos, internet e aplicativos, ela deve durar um dia, o que me preocupa considerando o fato de o celular ser compatível com o 5G. O consumo de bateria tende a ser bem mais intenso com a quinta geração da internet móvel. Com conexão mais veloz, é claro que os usuários vão usar mais o celular. Então isso pode se tornar um problema de longo prazo.

E é bom lembrar: os iPhones 12 não são vendidos com o adaptador de tomada para carregar a bateria (e nem o fone de ouvido). Logo, será preciso ter isso em mente na hora da compra.

5G

Eu deixei para o final por motivos de: o Brasil não tem uma rede 5G ainda, como falei no começo da análise. Comprar o novo iPhone por isso é saber que é um investimento de longo prazo. Talvez daqui a uns dois ou três anos os donos da linha 12 poderão explorar a rede de alta velocidade aqui no Brasil. Enquanto isso, vai o 4G mesmo.

A parte mais desafiadora chegou: falar do custo-benefício. Toda a linha iPhone 12 chegou com preços mais altos do que os cobrados no ano passado.

Lembra que o iPhone 12 Pro custa a partir de R$ 9.999? O iPhone 11 Pro começou a ser vendido por R$ 6.999 em 2019. O iPhone 11 começava em R$ 4.999 —Infelizmente, o último ficou mais caro neste ano após reajuste de preços (a partir de R$ 5.699).

Por isso, não dá para deixar o fator preço de lado nem em sonho. O celular é ótimo, as fotos são incríveis, o processador voa. Se você tem a oportunidade de comprar, não vai se arrepender. Algumas lojas parceiras e operadoras já oferecem o modelo com desconto (encontrei por R$ 8.799).

Mas com celulares custando R$ 9 mil, R$ 10 mil ou até R$ 14 mil (e não falo aqui só da Apple: a concorrente Samsung também fez isso com o Galaxy Z Fold 2) fica muito complicado recomendar pelo bom custo-benefício.

Quem ainda está na dúvida se compra ou não pode seguir o raciocínio abaixo:

  • Tenho o iPhone 11 Pro ou 11 Pro Max: eu não correria para trocar pela linha 12 (a não ser que você queira do fundo do coração e possa pagar por isso). Os celulares do ano passado ainda são muito bons, não estão defasados. Até o iPhone 11 vale ser mantido por mais um tempo, ainda que esteja menos avançado agora;
  • Tenho um celular igual ou inferior ao iPhone 8/Tenho um celular Android que não é top de linha: a troca por um iPhone novo vai ser vantajosa se você tiver o dinheiro na conta. A premissa vale para a compra do iPhone XR (R$ 3.499*), iPhone SE (R$ 2.832*) deste ano, iPhone 12 Mini (cerca de R$ 6.200*) e iPhone 12 (cerca de R$ 7.480*), considerando os celulares que a Apple manteve em seu catálogo. Trazem telas com muito mais qualidade, câmeras superiores e processador que não vai mesmo deixar você na mão;
  • Vou comprar um novo iPhone com certeza: se você gosta de telas grandes, aconselho a desistir do iPhone 12 Pro. O valor dele na versão de 256 GB de armazenamento é o mesmo da versão de 128 GB do iPhone 12 Pro Max, que tem especificações técnicas melhores de câmera e bateria. Então, custo-benefício compensaria no modelo mais avançado;
  • Gostei das tecnologias da Apple, mas não gosto do sistema operacional: ótimos celulares com o Android foram lançados neste ano. Dê uma olhada no Galaxy S20 Ultra, Moto Edge Plus e Galaxy Z Fold 2 (com tela dobrável).

* Preços de revendedores autorizados da Apple consultados na internet e Shopping UOL em 24 de novembro de 2020

Quer comprar este produto? É possível encontrá-lo aqui.

Especificações técnicas
  • Sistema Operacional

  • iOS 14

  • Dimensões

  • 146,7 mm x 71,5 mm x 7,4 mm

  • Resistência à água

  • IP68

  • Cor

  • Grafite, Prata, Ouro, Azul Pacífico

  • Preço

  • R$ 9.999

Tela
  • Tipo

  • Oled

  • Tamanho

  • 6,1 polegadas

  • Resolução

  • 2.532 x 1.170

Câmera
  • Câmera Frontal

  • 12 MP

  • Câmera Traseira

  • Tripla de 12 MP cada lente

Dados técnicos
  • Processador

  • A14 Bionic

  • Armazenamento

  • 128 GB, 256 GB ou 512 GB

  • Memória

  • 6 GB de RAM

  • Bateria

  • 2.815 mAh