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Prévia do 5G chega ao Brasil como DSS; entenda transição para 5ª geração

Estúdio Rebimboca/UOL
Imagem: Estúdio Rebimboca/UOL

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

08/07/2020 08h58Atualizada em 08/07/2020 17h20

Sem tempo, irmão

  • Novidade da Claro tornará navegação pela web até 12 vezes mais rápida que o 4G comum
  • Não é preciso assinar plano exclusivo de 5G para acessar a rede, mas estar na área de cobertura e ter um smartphone compatível com a tecnologia
  • Por enquanto, Motorola Edge é o único celular vendido no Brasil que se conecta ao 5G DSS
  • Brasil é o terceiro país da América do Sul a inaugurar uma rede 5G comercial

O serviço 5G DSS da Claro, um tipo de tecnologia de transição entre a quarta e a quinta geração da telefonia móvel, chegará primeiro às cidades do Rio de Janeiro e São Paulo a partir da próxima terça-feira (14). A novidade foi anunciada nesta quarta-feira (8) pela operadora, em evento realizado na capital paulista.

A Claro não terá um plano específico para o 5G DSS, oferecendo-o a todos que comprarem o smartphone top de linha Motorola Edge, único aparelho disponível no Brasil compatível com a tecnologia e que custa R$ 5.499. Qualquer plano servirá para navegar com o novo serviço, contanto que o celular usado seja compatível e da localização do dispositivo esteja na área de cobertura da rede.

A operadora também sugere o plano Claro Pós de 50 GB, que custa R$ 295,89 mensais em São Paulo —mas diz que ele não é um pré-requisito para acessar a nova conexão. Quem aderir a este plano terá direito à compra do Motorola Edge a prazo e com desconto, por 12 parcelas de R$ 269,08 (R$ 3.229 no total).

O 5G DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, da sigla em inglês) será oferecido em parceria com a empresa sueca Ericsson. A Claro realizará o compartilhamento das frequências que já funcionam no Brasil para entregar uma internet, segundo ela, até 12 vezes mais rápida que o 4G tradicional —ainda não opera nas faixas que serão usadas pelo 5G, que dependem de um leilão da Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações), atualmente previsto para 2021.

"Quando vier o novo espectro, seu smartphone pode chegar à velocidade de 1 Gbps", afirmou Márcio Carvalho, diretor de marketing da Claro. Em teste apresentado pela Claro no app Speedtest, o 5G DSS chegou a 414 Mbps no download.

Dentre os celulares disponíveis no Brasil, apenas Motorola Edge e Edge+, lançados na semana passada, trazem a tecnologia. A Motorola, no entanto, informa que apenas o Edge simples é compatível com a frequência da rede do 5G DSS da Claro.

Na primeira semana de funcionamento, o 5G DSS da Claro terá cobertura em regiões restritas das capitais paulista e carioca.

Em São Paulo, o serviço poderá ser acessado da avenida Paulista e Jardins, sendo posteriormente expandido para bairros da zona sul e oeste: Campo Belo, Vila Madalena, Pinheiros, Itaim, Moema, Brooklin, Vila Olímpia, Cerqueira César, Paraíso, Ibirapuera e Santo Amaro.

No Rio de Janeiro, o 5G estará disponível em Ipanema, no Leblon e na Lagoa. Depois, a cobertura será expandida a toda orla, do Leme à Barra da Tijuca. Jardim Oceânico, Joá, São Conrado e Copacabana serão incluídos na rede.

Alguns dos critérios usados pela empresa para os primeiros locais a receber o 5G DSS são:

  • Demanda de tráfego (isto é, cidades que mais precisam de cobertura de internet)
  • Infraestrutura modernizada para o 4,5 G
  • Penetração de smartphones de última geração (mais usuários com iPhones, Galaxy S10 e afins)
  • Densidade populacional

5G, mas não "definitivo"

A novidade da Claro é o primeiro passo do 5G comercial no Brasil. Trata-se de uma tecnologia que permite maiores velocidades ao usuário e algumas das funcionalidades prometidas pela quinta geração móvel, mas não se pode considerar este serviço ainda a versão "definitiva" do 5G.

O 5G DSS é o resultado de alguns acontecimentos recentes:

  1. Em novembro de 2018, a Anatel ampliou o limite de faixas de frequência que uma operadora poderia usar em um mesmo município;
  2. Em março de 2019, a America Movil (dona da Claro) anunciou a compra da operadora Nextel, negócio aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em dezembro daquele ano. Com isso, a Claro herdou as faixas da frequência da Nextel, como 1,8 GHz e 2,1 GHz;
  3. Em junho deste ano, equipamentos 5G foram permitidos no Brasil após uma atualização de exigências técnicas da Superintendência de Outorgas e Recursos, braço da Anatel.

Resumindo tudo isso: as faixas que a Claro obteve da Nextel passaram a ser usadas para "bombar" seu espectro de frequências com o chamando de 5G DSS, que pode ser considerado um meio termo entre o 4G e o 5G. Essa tecnologia é capaz de alternar as frequências de forma dinâmica para obter mais velocidade de conexão.

Seria como numa estrada. Você pode ter uma Ferrari passando em alta velocidade e um outro carro passando em velocidade normal. É como se o 4G e o 5G se cedessem espaço um ao outro em uma faixa de uma rodovia, sem gerar congestionamento, cada um na sua velocidade. "A Ferrari passa, usa a rede e libera espaço para que outros carros passem no mesmo local. É o mesmo com o DSS", comparou Fiori Mangone, diretor de desenvolvimento de negócios da Qualcomm, fabricante de processadores e modems para celulares.

A solução encontrada pela Claro também foi adotada por operadoras estrangeiras. Foi a tecnologia DSS que possibilitou que a americana AT&T expandisse, ao final de junho, sua cobertura de 5G a uma área onde vivem 160 milhões de pessoas.

A questão é que apesar do mérito da operadora, 5G não é somente aumento de velocidade, segundo Adão Boava, professor e pesquisador de telecomunicações da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Seu celular terá internet mais rápida, mas essa rede DSS não vai ajudar em outras situações previstas para o 5G final. "O verdadeiro 5G vem para resolver os problemas de falta de recursos das redes atuais para as aplicações de IoT [internet das coisas em inglês], indústria 4.0, Big Data e outras", afirma Boava.

O 5G utilizará espectro de bandas baixas, médias e altas, lembra José Otero, vice-presidente da 5G Americas para América Latina e Caribe. "O DSS pode ser uma forma de acelerar o acesso ao espectro de bandas baixas e médias que já estão em concessão, mas não elimina a necessidade de que se outorgue mais espectro para potencializar o 5G", diz.

Outra questão técnica do 5G ausente no DSS é a baixa latência —isto é, tempo de reação entre um pacote de dados ser enviado para a rede e voltar ao aparelho— que é mais um indicador de qualidade de conexão do que de velocidade. Ela é necessária para que objetos conectados possam ser controlados remotamente quase sem atraso, como carros autônomos.

Enquanto o leilão não vem, a Claro poderá alternar o uso da mesma porção de espectro e permitir conectividade 4G e 5G, quando esta última finalmente funcionar no país. De qualquer forma, o 5G DSS deverá coexistir com as redes exclusivas de 5G, seja no Brasil pós-leilão ou no resto do mundo.

Segundo Mangone, as operadoras não devem se restringir ao DSS. Ele pode ser um ponto de partida para o 5G, como decidiu a Claro, ou um complemento ao que começou a ser oferecido no 3,5 GHz ou outras faixas de radiofrequência. Mas é certo que uma rede composta apenas pelo 5G DSS não será capaz entregar o potencial completo da quinta geração de telecomunicações.

Outras podem surgir, diz Anatel

O presidente da Anatel, Leonardo Euler, declarou em maio que há condições técnicas para redistribuição do espectro usado no 4G; é justamente esse processo que o DSS possibilita.

"As prestadoras de serviços de telecomunicações que atuam no Brasil têm liberdade para implementar redes com padrão 5G em quaisquer das faixas de radiofrequências a elas já autorizadas", disse a Anatel em um comunicado a Tilt.

A Claro tem a vantagem de ter maior quantidade de espectro à disposição, graças à aquisição da Nextel, mas todas as operadoras brasileiras podem atualizar suas redes para o 5G DSS. Segundo Mangone, bastariam atualizações na infraestrutura de suas redes.

Terceiro na América do Sul

O anúncio da Claro faz do Brasil o terceiro país da América do Sul a ter uma rede 5G comercial disponível. Em abril de 2019, o Uruguai, por meio da estatal Antel e com tecnologia da Nokia, foi o primeiro país a disponibilizar lançar o 5G comercialmente no continente, seguido pelo Suriname em dezembro.

Trinidad e Tobago, Canadá e Estados Unidos (incluindo Ilhas Virgens Americanas e Porto Rico) são outros países da América do Norte, Central e Caribe onde serviços do tipo são oferecidos.

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