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Halo Infinite é um "reboot espiritual", mas o que isso significa?

Master Chief: o espírito rebootado - Divulgação/Microsoft
Master Chief: o espírito rebootado
Imagem: Divulgação/Microsoft

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

28/07/2020 04h00

Na indústria de games há muitas expressões e termos de marketing (Buzzwords) usados para vender um jogo: "experiência cinematográfica", "reimaginação de um clássico" entre outros. Agora, a Microsoft criou uma nova ao afirmar que Halo Infinite é um "reboot espiritual" do primeiro game, Halo: Combat Evolved.

Mas o que isso significa? Que o novo Halo é um reboot só na alma, mas não no corpo? Que o espírito de Master Chief vai voltar pro primeiro game? O START foi ouvir os desenvolvedores para saber o que raios significa, em termos práticos, esse termo, e no meio do caminho, entender também o que será Halo Infinite.

Sem lição de casa

Halo 5 Chief e Piloto - Divulgação/Microsoft - Divulgação/Microsoft
Chief e o novo personagem, chamado só de o Piloto
Imagem: Divulgação/Microsoft

O diretor criativo de Halo Infinite, Paul Crocker, durante uma coletiva de imprensa online na qual o START participou, explica um dos aspecto do reboot espiritual: "Pra nós isso significa que não queremos que as pessoas tenham que fazer uma lição de casa para jogarem esse título".

Por "lição de casa", Crocker se refere as mídias paralelas, como HQs, animações e até podcast, que era preciso consumir para entender por completo as tramas de Halo 4 e, principalmente, de Halo 5: Guardians, algo que foi bastante criticado.

Halo 5 medias - Repeodução - Repeodução
Todas as mídias necessárias para entender, por completo, a campanha de Halo 5
Imagem: Repeodução

"Mais especificamente, nós não vamos fazer um 'Anteriormente, em Halo...', porém esse jogo é também uma continuação dos acontecimentos de Halo 5", completa o desenvolvedor.

Ou seja, é a clássica estratégia de ser a porta de entrada para novos jogadores (mais uma buzzword) sem deixar os fãs de lado também.

Assim, a premissa de Halo Infinite é até meio vaga: o novo personagem, por enquanto só chamado de O Piloto, encontra Master Chief à deriva no espaço após uma misteriosa batalha. Agora, ambos vão descobrir, aos poucos e junto com os jogadores, o que realmente está acontecendo.

Só que, como Crocker também fala, essa é a continuação da história de Halo 5. O novo vídeo de gameplay revela o ano de 2560, e os aficionados pela cronologia da série sabem que isso é dois anos após o último jogo.

Porém, esse é só um aspecto do "reboot espiritual".

O espírito Halo

Halo Master Chief
Imagem: Reprodução

Quem primeiro falou no termo "reboot espiritual" para se referir a Halo Inifinite foi Aaron Greenberg, que, não por coincidência, é gerente de marketing de Xbox, no pós-show da apresentação da Microsoft, na última quinta (23).

E a referência é específica ao Halo: Combat Evolved, que realmente se tornou um espírito em volta do novo game.

Um dia antes da revelação do gameplay, foi revelada uma arte promocional de Halo Infinite que praticamente recria a capa do primeiro jogo. Eles apelaram até com a Mjolnir armor, a armadura do Master Chief, que agora volta a ser a mesma do original.

Halo Infinite Combat Evolved - Divulgação/Reprodução/Montagem/UOL - Divulgação/Reprodução/Montagem/UOL
A arte de Infinite é uma recriação da capa do primeiro Halo
Imagem: Divulgação/Reprodução/Montagem/UOL

Segundo o chefe de estúdio para Halo Infinite, Chris Lee, isso também faz parte do reboot espiritual: "queremos a sensação de quando, no Halo: CE, você coloca os pés no Halo pela primeira vez".

Um dos nossos objetivos principais em Halo Infinite foi trazer aquela sensação de mistério e encantamento que os jogadores sentiam antes na franquia
Chirs Lee, chefe de estúdio de Halo Infinite

Não à toa que o vídeo de gameplay de Infinite recria momentos e situações semelhantes ao Combat Evolved.

Halo Combat Evolved nave
Halo Combat Evolved
Imagem: Reprodução

Halo Infinite nave
Halo Infinite
Imagem: Reprodução

Pelo o que os desenvolvedores falam, Halo Infinite quer invocar Halo: Combat Evolved em espírito, mas quer ser uma nova experiência quando o jogador estiver com o controle em mãos.

Mudança Espiritual

A série Halo precisa mudar. Halo 4 e 5, os dois jogos feitos pela 343i, não chegam a ser ruins, mas certamente estão longe da qualidade da trilogia original, que marcou o primeiro Xbox e Xbox 360.

Também não é difícil achar fãs saudosos da época em que a série era feita pela desenvolvedora original, a Bungie, ainda mais depois da polêmica com o visual de Halo Infinite.

Halo Infinite

Só que a própria fórmula de Halo precisa se reinventar. O problema é que 343i não poderia simplesmente fazer um reboot completo. Revoltaria todo mundo. Um "soft reboot"? Não depois do que acontece em Halo 5 e o final em aberto.

O jeito, então, foi apelar para o espiritual. O Etéreo. Nasce o "Reboot Espiritual", que serve para identificar as mudanças que Halo Infinite vai trazer para a série.

Segundo Paul Crocker, o diretor criativo do jogo, o novo anel de Halo que vimos no gameplay será um grande mapa, atrativo para os jogadores explorarem e descobrirem segredos, se assim eles quiserem.

"Ao mesmo tempo, não queremos fazer um jogo que é tão grande que as pessoas vão pensar que não podem completar, então temos de missões de histórias para você seguir, mas sem forçar você a isso", diz Crocker.

Halo Infinite map - Divulgação/Microsoft - Divulgação/Microsoft
Mapa de Halo Infinite deve ser bem mais aberto para explorar
Imagem: Divulgação/Microsoft

As campanhas de Halo sempre foram essa mistura de fases de corredores com alguns ambientes semiabertos. Com Infinite parece que a 343i vai atualizar a série para uma estrutura mais familiar de hoje em dia. Algo mais próximo com os mapas de Borderlands, talvez?

O jogo não é um RPG e nunca vamos tenta ser (um RPG), o que tentamos é ser um aventura focada no Master Chief nesse anel de Halo
Paul Crocker, diretor criativo associado de Halo Infinite

O que os desenvolvedores gostam de dizer é que essa será uma "aventura de Master Chief" e aventura significa explorar, encontrar o desconhecido e correr riscos.

O que tem a ver com o que o chefe de estúdio, Chris Lee, fala em criar uma "experiência de jogabilidade mais aberta e expansiva para os jogadores terem liberdade como nunca antes".

Já separando mais a parte "reboot" do "espiritual", Halo Infinite também significa uma nova fase para a franquia como um todo.

O novo game vai ser como uma plataforma que vai sustentar os próximos anos da franquia. Um jogo base, que será atualizado constantemente com novos conteúdos, seja de atividades ou de história.

Como isso vai realmente funcionar ainda parece difícil de visualizar. Será como Destiny (o que seria uma ironia, já que é o jogo atual da Bungie)? O que a 343i diz é que Halo não vai ser tornar um jogo de serviço.

Halo Infinite capacete Chief - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Há tudo isso e ainda nada foi dito sobre o multiplayer, outra peça bem importante de Halo e um aspecto que só será abordado nos próximos meses pela produtora.

Só que, com todas essas mudanças e reboots, não seria de admirar um elemento battle royale vindo por aí. Além de fazer sentido para a nova filosofia de um jogo sempre em evolução que a 343i quer com Infinite.

Então Halo Infinite é mesmo um "reboot espiritual", um termo até engraçado, uma buzzword de marketing, mas que descreve as mudanças que a série realmente precisa. Uma mudança de espírito.

Halo Infinite será lançado no fim de 2020, ainda sem data exata, para Xbox One, Xbox Series X, PC e disponível no Game Pass no mesmo dia.

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