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"Halo Reach" ainda impressiona no PC após uma década

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Daniel Esdras

Do GameHall

15/12/2019 04h00

Desde o lançamento de "Halo 2" para o PC em 2004, a franquia principal nunca mais deu as caras na plataforma. Durante esse hiato, a série se tornou ainda mais popular, passou das mãos da Bungie para a 343 Industries e recebeu diversos capítulos, tanto na linha principal quanto spin-offs.

Halo Reach é um dos jogos paralelos à linha principal. O título é um prelúdio para a história de Master Chief, que é contada a partir de Halo: Combat Evolved. É também o último título da série que foi produzido pela Bungie e um dos mais aclamados da franquia, já que retornou às origens na jogabilidade e foi o que mais se aproximou do primeiro e emblemático jogo.

A Master Chief Collection vai chegar no PC por partes, o primeiro lançamento é exatamente Reach. A boa notícia é que o jogo continua fantástico e roda bem em praticamente tudo que é configuração montada nos últimos 10 anos. A má notícia é que as mudanças feitas em várias frentes tiveram resultados que deixam a desejar, considerando o aceitável na plataforma, e precisam ser melhoradas para garantir que essa seja realmente a versão definitiva do título.

Lembre-se de Reach

Halo Reach PC Review 1 - Reprodução - Reprodução
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Reach é uma colônia humana de mais de 700 milhões de moradores, com um ambiente similar ao planeta Terra no ano de 2552. A humanidade nesse período está em guerra contra uma união alienígena chamada de Covenant, que está levando a melhor e dizimou várias outras colônias da nossa espécie.

Nesse entreveiro, os alienígenas finalmente chegaram a Reach. Para tentar deter o avanço das frentes inimigas, você estará no controle de Noble 6, um soldado de um grupo de elite, que opera pelo Comando Espacial das Nações Unidas (UNSC). Você e seus companheiros: Carter, Jorge, Kat, Emile e Jun são os famosos Spartans.

Durante a jornada, seu grupo será colocado nas situações mais adversas, já que as linhas inimigas superam a sua em poder e número. Perante o desafio impossível, seu personagem vai criando ligações com todos esses companheiros até o melhor final da franquia, na minha opinião. Toda essa odisseia marcou quem jogou na época e continua formidável e relevante ainda nos dias atuais. Se você é um veterano, vai adorar jogar novamente em alta resolução e com 60 quadros, e se é um novato, terá o melhor ponto de partida possível para essa que é uma das franquias mais influentes de todos os tempos.

Reach conta com diversos ambientes diferentes e cada missão vai te colocar em um local interessante para batalhar e explorar. Durante a aventura você vai invadir bases alienígenas, combater em ambientes fechados e abertos, dirigir diversos veículos, pilotar naves no melhor estilo Star Wars e até fazer incursões na calada da noite para espionar as linhas inimigas. Toda essa variação deixa a campanha, com 14 missões, interessante do início ao fim.

As animações são um show à parte. Algumas delas, como a física dos veículos Warthog nas curvas, fazem vários jogos recentes passarem vergonha. Com o aumento da quantidade de quadros por segundo, algumas delas ficaram ainda mais impressionantes, como as de recarregar as armas e a movimentação dos inimigos.

Se o seu medo era que Reach não correspondesse em 2019 ao que era em 2010, pode vir sem medo. Suas memórias não serão estragadas e você vai relembrar do quão bom Halo é e precisa voltar a ser na próxima geração com Infinite.

Atirando traques

Halo Reach PC Review 2 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Nossa análise de "Age of Empires II: Definitive Edition" mostrou que nem sempre modificar a criação original significa perder a essência. No jogo de estratégia, o áudio foi refeito do zero e trouxe vida nova ao título. Halo Reach é, infelizmente, o exemplo do contrário.

A trilha sonora original continua fantástica e todas as músicas compostas por Martin O'Donnell e Michael Salvatori ainda causam arrepios, desde o menu até os momentos tensos e tristes da narrativa. O problema mesmo ficou com os efeitos sonoros, que de alguma forma ficaram muito abaixo da versão original, nesse caso para todas as plataformas.

Especialmente as armas sofreram muito e todo o impacto dos disparos parece ter sumido. A sensação é de que você está disparando traques em vez de balas ou lasers. O mesmo serve para o barulho dos veículos, explosões, granadas de energia e diversos outros efeitos sonoros. Não sei ao certo o que deveria ser modificado, mas a mixagem como um todo soa mal e inferior a versão original. Essa é uma frente que precisa ser melhorada urgentemente, já que é a primeira a ser notada pelos jogadores, e era um ponto alto no passado e mina bastante a experiência.

Altos e baixos

Halo Reach PC Review 3 - Reprodução - Reprodução
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Halo Reach contava com alguns problemas na versão original. O primeiro e mais grave eram as constantes quedas de FPS em alguns pontos da campanha. Esse problema já estava solucionado ainda na retro do Xbox One, mas o limite eram os 30 quadros. No PC, a exigência atual por 60 quadros é superada com folga, mesmo com GPUs de entrada das gerações anteriores.

No entanto, o que deveria ser um 'plus', acaba se tornando um problema. Rodando com 60 quadros por segundo o jogo tem a movimentação da mira estável, mas a assim que você desliga o V-Sync e deixa os quadros chegarem em números mais expressivos, ocorre uma variação estranha na hora de mirar, deixando o processo pouco fluido e impreciso. O recomendado no momento é realmente se limitar aos 60 quadros, mesmo que você tenha um monitor com uma atualização mais alta que 60Hz, o que é uma decepção para os que fazem uso dos 144 FPS para aumentar a precisão.

Outro problema de deixar os quadros subirem à vontade são os problemas de "Tearing", quando um quadro é sobreposto ao outro na tela e deixam a imagem com uma linha de corte. Eles são constantes e só conseguem ser resolvidos com um monitor com Gsync ou Freesync, que poucas pessoas possuem por conta do preço elevado.

Eu ainda enfrentei problemas com o aplicativo do Xbox no PC, que a princípio nem conseguia executar o jogo, era preciso ir na pasta de arquivos e executar pelo ".exe". Esse problema já foi consertado, mas agora estou enfrentando momentos de lag quando ganho alguma conquista. Segundo o fórum oficial isso pode ter relação até com extensões do navegador. Isso sem contar o clássico problema de "Input Lag" no modo coop, que assola a Master Chief Collection nos consoles e no PC não recebeu uma solução.

Não se engane, o jogo está muito longe de um desastre. As texturas estão surpreendentemente melhores, os problemas de "Ghosting" (quando você vê um rastro do personagem durante a animação) que rolava nas cutscenes e com vários inimigos na versão original foi solucionado, tudo parece muito mais bonito em 4K e jogar em 60 FPS já é um sonho realizado para veteranos da franquia. No entanto, essa ainda não é a versão definitiva que esperávamos, especialmente se lembrarmos que a 343 prometeu lançar o jogo apenas quando estivesse perfeito e vários destes deslizes atrapalham mais do que deveriam, alguns preocupantes, como o áudio.

Desafios para o futuro

Halo Reach PC Review 4 - Reprodução - Reprodução
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Halo Reach deixa bem claro que as mecânicas da franquia e seu balanceamento foram pensadas para o Xbox. A forma como os inimigos correm dos tiros dando brechas para compensar as limitações do analógico, a falta de controle de recuo nas armas e vários outros detalhes menores mas que faziam a experiência ser sensacional no console não funcionam bem no PC. O resultado é um jogo muito mais fácil no teclado e mouse do que na versão original, até mesmo na dificuldade Legendary.

No multiplayer, que continua divertido, isso fica ainda mais latente. Snipers são meta e o pick constante para armamento simplesmente porque estão poderosas demais, mesmo não tendo recebido nenhuma mudança nos atributos. Nos consoles era difícil acertar os tiros, com o mouse não, isso torna todas elas desbalanceadas e cada mapa uma folia de campers e embates de longa distância. Para tentar compensar, controles podem usar Auto Aim no competitivo, o que torna tudo ainda mais bagunçado. Todo o design parece sofrer um pouco na adaptação.

Como Reach foi um jogo feito para o Xbox e é extremamente divertido e imersivo, a gente releva e fica feliz por poder jogar em outra plataforma. Já com Halo Infinite o buraco será mais embaixo. A 343 tem um grande problema nas mãos: ou modifica algumas coisas para deixar a franquia mais atual e amigável para todas as plataformas e corre o risco de perder essência, ou deixa tudo como sempre foi e compromete o crossplay que é uma das metas da Microsoft para a próxima geração.

Seja como for, Reach mostra ainda que a franquia, mesmo nos consoles, deixou de ter o mesmo impacto depois que saiu das mãos da Bungie. Não dá para cravar exatamente o que precisa ser mudado ou acrescentado, mas eu imagino a pressão nas costas da galera da 343.

Resumo

Halo Reach estreia finalmente a Master Chief Collection nos PCs. O jogo continua divertido e emocionante como na sua versão de 2010 e não parece datado graças às melhorias gráficas e de desempenho que recebeu. Tudo seria maravilhoso, não fosse os problemas graves no áudio, com os quadros ilimitados e no aplicativo do Xbox para o PC.

O multiplayer continua divertido, mas sofre com problemas de balanceamento graças à eficiência do combo 'mouse + teclado'. Seja você um novato ou veterano, vai encontrar aqui um dos melhores shooters de todos os tempos, impressionante e relevante ainda em 2019.

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