PUBLICIDADE
Topo

Ricardo Feltrin

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exclusivo: Em meio a denúncia de corrupção, MEC lança 2 novas TVs

Ministro da Educação, Milton Ribeiro - Reprodução
Ministro da Educação, Milton Ribeiro Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

26/03/2022 03h51

No ano passado, esta coluna antecipou com exclusividade que o governo federal preparava o lançamento de uma nova e dispendiosa emissora de TV pública.

Bem, a coluna estava certa apenas pela metade: o governo vai lançar, na verdade, DUAS novas TVs no próximo mês.

Uma delas será o Canal Educação, do MEC (Ministério da Educação). O MEC está atolado sob acusação de um esquema de corrupção que envolve um gabinete paralelo dentro do órgão, além de um pastor evangélico que chegou a pedir propina em ouro para liberar verbas da Educação.

O segundo canal público a ser lançado pelo governo em abril será o Libras, dedicado a deficientes auditivos.

Até aí, nenhum problema, exceto que esse canal já existia e foi tirado do ar no ano passado, como esta coluna também informou com exclusividade à época.

Ou seja, o ministro da Educação de Bolsonaro, Milton Ribeiro, apenas "trocou seis por meia-dúzia", tanto no canal Educação (já que existe a TV Escola), como no caso do canal Libras).

Exceto pelo fato de que esses dois canais serão geridos pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação, que já é responsável pelas duas TVs Brasil); além disso deverão custar até o dobro do que o governo vinha pagando à fundação Roquette Pinto (sem fins lucrativos) por canais análogos.

A expectativa é que o canal Educação e o Libras custem até R$ R$ 90 milhões anuais (o MEC não revela o gasto). Some-se ainda mais R$ 550 milhões anuais para bancar a TV Brasil.

Além disso, são mais dois potenciais abrigos para "simpatizantes" do governo Jair Bolsonaro —que na campanha eleitoral prometera acabar com as "TVs cabides de emprego dos petistas".

Aparentemente trata-se de mais um negócio do MEC que vale seu peso em ouro.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops