OpiniãoRock in Rio

Para Sempre MPB tem boa escalação, mas faltou diálogo entre artistas

A sorte é que o time escalado para a homenagem à MPB no Dia Brasil do Rock in Rio, no sábado (21) é bom. Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Gaby Amarantos, Majur, Carlinhos Brown e Daniela Mercury se garantem — com destaque para a percussão de Brown. Mas pecaram no formato pensado para o show. Somente as transições entre Gaby Amarantos, Majur e BaianaSystem funcionaram bem. Faltou um diálogo maior entre os artistas. Esse trabalho era em grupo e não individual. Daniela encerrou o show sofrendo com problemas no som que prejudicaram sua apresentação. Mas como o Carnaval da Bahia levanta qualquer um a amostra de um fevereiro em Salvador fez o público se jogar mesmo com os problemas.

O QUE FUNCIONOU
As músicas escolhidas por Ney e Zeca ajudaram a conquistar o público, que parecia meio perdido no dia em que não se sabe nada na Cidade do Rock. A sequência com Gaby Amarantos levantou a galera com hits, figurino e muito treme paraense. Os duetos de Gaby com Majur e Majur com BaianaSystem deram ao público a experiência que se esperava do show. A percussão de Carlinhos Brown foi impecável como sempre. Assim como Majur ao piano. Daniela e seu balé entregaram performance -- infelizmente o som prejudicou a cantora.

SOM
O destaque do Dia do Brasil são os problemas com o som. Até parecia que haviam sido superados na apresentação em homenagem à MPB -- que começou bem. Mas Daniela sofreu. Sua entrada, que deveria ser triunfal com "Rapunzel", foi sem voz. Simplesmente não se ouvia a voz dela. O problema se repetiu durante a apresentação. Ao tentarem arrumar, pioraram ainda mais. Aumentaram tudo, menos o microfone de Daniela. O que fez o público desistir da apresentação -- que já estava esvaziada.

21.set.2024 - Majur se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio
21.set.2024 - Majur se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio Imagem: Wagner Meier/Getty Images

É A BAHIA
Com quatro nomes da Bahia e que são nomes fortes do Carnaval, não daria em outra: o público se jogou como se estivesse em Salvador. Houve quem dissesse que "a Bahia salvou o dia do Rock in Rio".

21.set.2024 - Baianasystem se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio
21.set.2024 - Baianasystem se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

DISCURSO EMPODERADO
Gaby Amarantos e Majur reforçaram o pioneirismo das duas: a primeira paraense e a primeira mulher trans no palco Mundo. Gaby reverenciou os artistas do Pará. Enquanto Majur lembrou a todos que é preciso acreditar nos sonhos. Daniela Mercury levantou a bandeira LGBTQIA+ com a música "Proibido Carnaval".

21.set.2024 - Gaby Amarantos se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio
21.set.2024 - Gaby Amarantos se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio Imagem: Dhavid Normando/Estadão Conteúdo
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AMOSTRA
O show ficou com cara de amostra (que não é grátis, porque o ingresso é pago). O formato pode até ser bacana à primeira vista por dar a oportunidade de que mais artistas possam aparecer no palco Mundo. Mas fica o gosto de quero mais.

21.set.2024 - Ney Matogrosso se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio
21.set.2024 - Ney Matogrosso se apresenta no palco Mundo na sexta noite de Rock in Rio Imagem: Daniel Ramalho/AFP

Opinião

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3 comentários

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Eder Fernandes Fabris

Rock in Rio virou "Qualquer coisa in Rio" e o povo topou pagar quase R$ 700,00 para ver shows que não fazem o menor sentido com o nome do festival. Para quem viveu o Rock in Rio 1985, como eu ,,, o Rock in Rio virou a melhor forma dos Medinas engordarem seus cofres. O dia Brasil foi a forma de ocupar o sábado já que não havia nada mais interessante para mostrar. Sou brasileiro e defendo os artistas brasileiros mas o que não dá é continuar chamando esse festival de Rock in Rio !!! propaganda enganosa...

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Robson de Oliveira Cavalcanti

Show de horrores. 

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Ronaldo Furlan Cruz Sampaio

Rock? Que Rock? Lamentável esse Brasil. Rock é Rock .

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