Amaury Jr.

Amaury Jr.

Siga nas redes
Opinião

Paul Newman: A História de um Titã do Cinema Americano

Por: Ana Claudia Paixão - via Miscelana

Há tantos clichês para falar de Paul Newman que é difícil escapar: lenda, astro, brilhante? Talvez quem tenha sido mais preciso tenha sido o New York Times, que resumiu há 17 anos, quando ele faleceu aos 83 anos o chamando de "titã magnético". Sim, ele foi muito mais do que lendário, gigante e maior do que um mito.

26 de janeiro de 2025 marca o centenário de seu nascimento e todas as homenagens são válidas, porque tudo em torno do nome de Newman nos leva a superlativos. Ele foi um dos atores mais reverenciados na História do cinema americano no século 20, com uma filmografia sólida, uma galeria de personagens icônicos, um casamento estável com a grande Joanne Woodward, Oscar e sem esquecer a filantropia. Paul Newman definiu o status máximo do que todos os astros de Hollywood almejam ser.

O excelente documentário de Ethan Hawke, The Last Movie Stars, de 2022, revisitou toda vida de Paul Newman com maior transparência, hoje é um grande dia para (re) assistir.

Paul Newman e James Dean
Paul Newman e James Dean Imagem: Reprodução

O Início: Rompendo expectativas

É irônico pensar que m homem de tanto talento artístico como beleza tivesse tanta dificuldade para se estabelecer em Hollywood. Isso porque Paul Newman estava cercado de gênios como seus amigos pessoais Marlon Brando, James Dean e Steve McQueen, além de Joanne, obviamente, e todos avançaram bem mais rápido do que ele. Sua persona nas telas - a do rebelde empático - se mesclava com o "verdadeiro" Paul, um homem que escondia a dor e os erros com uma imagem de alto astral. E não, não podemos e nem queremos ignorar seus lendários e perfeitos olhos azuis. Em mais de 65 filmes em uma carreira de mais de cinco décadas, eles sempre "roubaram" a cena. Mas claro que ele era muito mais do que um rosto bonito e um ator talentoso. Sua vida e obra transcenderam as telas e continuam a inspirar gerações.

Paul Newman cresceu em uma família de classe média em Ohio, e desde jovem, demonstrou interesse pelo teatro, participando de peças escolares. Durante a Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Marinha, servindo como operador de rádio em aeronaves e quando a Paz voltou, eventualmente se inscreveu na Yale School of Drama, onde aperfeiçoou sua técnica de atuação apesar de contrariar a espectativa paterna de que fosse continuar a liderar os negócios (uma rede de lojas de material esportivo). Mas foi em Nova York, no treinamento no Actors Studio sob a orientação de Lee Strasberg que Newman virou uma das referências no famoso "Método", que marcou sua abordagem emocional e realista em todos personagens.

Os primeiros passos para a fama foram nos palcos da Broadway, mas uma beleza como a dele jamais passaria desapercebida pelos estúdios, e o ator fez sua estreia no cinema com O Cálice Sagrado (1954), onde interpretava um o escravo grego que cria a taça de prata usada na Última Ceia. Newman chamava esse filme de o pior já feito em Hollywood, mas o fracasso inicial foi rapidamente superado com Marcado pela Sarjeta (Someone Up There Likes Me) (1956), um papel que herdou depois da morte prematura de James Dean e que revelou seu talento e magnetismo. A partir daí, ele se tornou um dos atores mais requisitados do mercado, estrelando sucessos como Gata em Teto de Zinco Quente (1958), Doce Pássaro da Juventude (1962) e O Mercador de Almas (1958).

Continua após a publicidade

Newman trouxe intensidade e charme a seus personagens, criando uma conexão imediata com o público. Ele não se limitava a heróis clássicos; preferia explorar papéis ambíguos e cheios de contradições, como o rebelde Luke em Rebeldia Indomável (1967) e o golpista Henry Gondorff em Golpe de Mestre (1973).

Como os biógrafos ressaltam, o estrelato veio relativamente rápido, porém o reconhecimento como um ator sério, que era o que Newman mais almejava, demorou bem mais. Por isso ganhamos uma galeria de heróis falhos e anti-heróis vencedores até que em 1986, finalmente, recebesse seu Oscar de Melhor Ator por A Cor do Dinheiro, em 1987. Esse fato foi histórico porque o filme de Martin Scorecese era a continuação de Desafio à Corrupção (The Hustler), de 1961, fazendo com que Paul Newman fosse o único ator a ganhar com um papel recriado 25 anos depois do original. Foi sua única vitória depois de oito indicações como ator, mas também foi homenageado com um Oscar honorário por sua filantropia.

Paul Newman
Paul Newman Imagem: Reprodução

Fora das telas: adrenalina nas pistas, empresário de sucesso e Paz em um casamento duradouro

Viciado em adrenalina, Paul Newman se tornou um piloto de corrida de sucesso, ganhando vários títulos nacionais de direção do Sports Car Club of America e competiu em Daytona em 1995 como um presente de aniversário de 70 anos para si mesmo. Ao mesmo tempo, por brincadeira decidiu vender um molho de salada que tinha criado fazendo enorme sucesso, eventualmente expandindo os negócios para outros alimentos como limonada, pipoca, molho de espaguete, pretzels, etc. O mais importante: os lucros eram doados para caridade. Estamos falando de mais de 200 milhões de dólares.

A união com Joanne Woodward, sua amiga de desde o início da carreira o levou a se divorciar de sua primeira esposa, mas durou mais de 50 anos. Eles se conheceram ainda trabalhando na Broadway e depois fizeram 10 filmes juntos. A princípio, Joanne (que ganhou um Oscar de Melhor atriz As Três Máscaras de Eva em 1957) era a maior estrela entre os dois, mas ao longo dos anos a dinâmica inverteu e Paul Newman passou a ser o mais famoso internacionalmente. Recomendo o documentário de Ethan Hawke para saber mais sobre os dois.

Continua após a publicidade
Paul Newman
Paul Newman Imagem: Reprodução

Legado Cultural

Paul Newman morreu em 26 de setembro de 2008, aos 83 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Ele foi diagnosticado cerca de um ano antes de sua morte, mas manteve sua condição em sigilo por boa parte desse tempo. A doença foi confirmada publicamente em meados de 2008, quando ele já havia interrompido tratamentos agressivos e optado por passar seus últimos meses em casa, ao lado da família.

Newman era um ex-fumante, tendo abandonado o hábito na década de 1980, mas ele frequentemente lamentava ter começado a fumar na juventude, algo que acreditava ter contribuído para o câncer. Seu falecimento marcou o fim de uma era e foi amplamente lamentado por fãs e colegas

No final das contas, Paul Newman não foi mais apenas um ator, mas sim um símbolo de integridade, carisma e humanidade. Ele deixou um impacto profundo na cultura pop, inspirando não só fãs, mas também outros artistas.

Seu legado transcende Hollywood. Ele é lembrado como um dos últimos representantes de uma era em que o talento era mais importante do que a fama e como um exemplo de como o sucesso pode ser usado para transformar o mundo.

Continua após a publicidade

Cem anos após seu nascimento, Paul Newman permanece um titã, não apenas por seus filmes, mas também por sua vida extraordinária fora das telas. Ele foi um homem que viveu com paixão, dedicando-se a criar arte e a fazer o bem. Revisitar sua obra é mais do que uma celebração; é um tributo a um artista e humanitário cuja luz nunca se apagará.

Imagem
Imagem: Divulgação

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BOL

Deixe seu comentário

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.