A mudança de 1100 dias: Botafogo vai de tropeço na Série B à final inédita

O apito final do árbitro Piero Maza em Peñarol 3x1 Botafogo, no uruguaio Estádio Centenário, colocou o time brasileiro em um dos pontos mais altos de sua história: a final inédita da Libertadores. Há 1100 dias e 2,7 mil km de distância, no entanto, a história era bem diferente.

A mudança que botou fogo

O dia 26 de outubro de 2021 marcou o empate dos cariocas diante do Goiás, em jogo válido pela 32ª rodada da Série B do Brasileirão daquela temporada.

A partida foi disputada no simpático Hailé Pinheiro, em Goiânia — bem longe do suntuoso palco do duelo que deu ao Botafogo a vaga para disputar a final da Libertadores pela primeira vez em sua história.

Barreto, do Botafogo, durante jogo contra o Goiás em 2021
Barreto, do Botafogo, durante jogo contra o Goiás em 2021 Imagem: Heber Gomes/AGIF

O 1 a 1 acabou rotulado como tropeço pelo fato de o time, até então treinado por Enderson Moreira, desperdiçar a chance de assumir a liderança da Série B. Joel Carli, ícone daquele elenco e hoje coordenador do clube, balançou as redes para os visitantes, e Hugo, hoje no Corinthians, marcou para os mandantes.

O empate fez o Botafogo deslanchar: na rodada seguinte, os cariocas venceram e, depois, assumiram a liderança até a conquista do título. Aquela arrancada gerou um salto ainda maior...

A SAF chegou no ano seguinte e, aos poucos, fez uma verdadeira revolução. Com investimento pesado, John Textor alavancou o patamar da equipe, que fechou aquele Brasileirão na 11ª posição já contando com nomes como Tiquinho Soares, Júnior Santos e Victor Cuesta.

Tiquinho Soares se lamenta durante jogo do Brasileirão de 2023
Tiquinho Soares se lamenta durante jogo do Brasileirão de 2023 Imagem: ANDRÉ FABIANO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

O ano de 2023 teve ilusão e (muita) decepção. Depois de ganhar a Taça Rio, o time ficou perto de faturar o principal torneio nacional, mas bobeou em duelos decisivos nas rodadas finais, afundou e terminou em 5° lugar.

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O projeto, no entanto, ganhou mais força ainda diante da fome de títulos na atual temporada. As investidas de Textor não pararam — prova disso foram as chegadas de Luiz Henrique, Almada e Igor Jesus —, e o Botafogo, 1100 dias e três anos depois daquele empate amargo na Série B, alcançou seu auge: finalista da Libertadores, isso sem falar na liderança do Brasileirão sob comando de Artur Jorge.

Luiz Henrique e Igor Jesus viraram peças-chave na equipe do Botafogo de Artur Jorge
Luiz Henrique e Igor Jesus viraram peças-chave na equipe do Botafogo de Artur Jorge Imagem: Vitor Silva/Botafogo

A cereja pode ser colocada no bolo no dia 30 de novembro, quando os cariocas enfrentam o Atlético-MG na decisão do torneio continental. O palco é o Monumental de Núñez, também bem longe daquele Hailé Pinheiro, estádio que gerou frustração e acabou iniciando uma mudança que reacendeu a história do clube de tradições aos milhões.

19 comentários

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Pedro Cesar Garcia de Oliveira

Só não entendo a final entre times do mesmo país ser em um outro país. Porque não fazer a final em Brasília no Mané Garrincha? Fazer as torcidas gastarem muito para ver o jogo sendo que aqui seria mais próximo e barato para todos.

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Eduardo TS da Silva

O Botafogo,  já encheu de orgulho a sua sofrida torcida. Jogou com o regulamento e pensou também no campeonato Brasileira.  Diferente do Atlético que não está pensando no brasileiro e sim no mata mata e libertadores.  São coisas, totalmente diferentes. Está é a razão de poupar tanto os titulares,  então  não pense que o galo joga muito, São equivalentes.

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Rosenildo de Lima Silva

O jogo de volta mostrou que o Botafogo não passa de uma mera faísca. Pura sorte.

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