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Mesmo fora do G4, Flu escreve linda história no Brasileiro de "ano" atípico

Fred foi líder da campanha surpreendente do Fluminense, uma das grandes histórias do Brasileirão - Lucas Merçon/Fluminense FC
Fred foi líder da campanha surpreendente do Fluminense, uma das grandes histórias do Brasileirão Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

26/02/2021 04h00

Apontado como candidato à luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Fluminense encerrou sua campanha classificado à Libertadores. Mesmo fora do G4, o Tricolor encerra o "ano" totalmente atípico invicto há nove jogos, superando marcas importantes e escrevendo mais uma linda história para sua mais que centenária coleção.

A começar pela resistência ao lado dos fatos e do isolamento social contra o retorno do futebol ainda no Campeonato Carioca mas já na pandemia de coronavírus, o Flu viveu um 2020 tão fora do comum que só se encerrou em 2021.

Por um capricho do destino, a noite de quinta (25) foi um último capítulo frustrante para a temporada mesmo com vitória, com o título do maior rival em uma derrota que tirou o Flu do G4. Resta ao time agora comandado por Roger Machado reforçar a torcida pelo Palmeiras na final da Copa do Brasil para ir à fase de grupos da Libertadores.

Depois de cinco anos na parte de baixo da tabela e brigando para fugir da degola em grande parte do tempo no Brasileirão, o Fluminense trilhou uma trajetória que deixou um gosto de "quero mais" no torcedor. A 5ª colocação com 64 pontos e invencibilidade nos últimos nove jogos diz bem menos do que o caminho com desfalques, mudanças e surpresas do Tricolor na competição nacional.

"O que esses meninos fizeram é digno de aplausos de pé pela entrega. Lembramos lá atrás os treinos home office, família ajudando, todos se dedicando ao máximo. Sabíamos que seria uma dificuldade muito grande, um ano atípico de pandemia. Mas formamos uma família. Esse início nos uniu ainda mais e eles se superaram sempre", declarou Marcão na coletiva após a vitória sobre o Fortaleza, a 18ª da equipe no Brasileiro.

O time competitivo e aguerrido formado por Odair Hellmann começou bem, mas ao perder peças importantes como Gilberto, Dodi e Evanílson parecia fadado ao meio da tabela. Nem mesmo a volta de Fred, que chegou sem ritmo, empolgava. Até que muita coisa mudou, incluindo o comandante, que foi para os Emirados Árabes e abriu espaço para o auxiliar Marcão, que mais uma vez brilhou ao assumir a equipe durante a temporada. Se em 2019 livrou o time do rebaixamento, em 2020 levou o Tricolor de volta à Libertadores após oito anos.

Sem dinheiro para contratações, o Flu buscou na base seus reforços e, como sempre, colheu frutos para o futuro na fábrica de talentos de Xerém. De lá saíram Calegari, Martinelli e Luiz Henrique, que terminaram o ano como titulares absolutos e fizeram os torcedores esquecerem Marcos Paulo, destaque da geração que irá para o Atlético de Madri de graça no meio do ano. E Marcos Felipe, já "veterano" aos 24 anos, que enfim teve sequência esperada no gol e mostrou com segurança porque sempre foi esperança no clube.

Além das revelações, apostas também deram certo: Luccas Claro se consolidou como um dos melhores zagueiros de toda a competição. Seu companheiro, Nino fez mais um bom Brasileirão e segue na briga por uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio. Dono do fusca que levou a boa campanha adiante, Yago foi o ponto de equilíbrio do meio de campo. Vindo do Uruguai, Michel Araújo viveu bons momentos, assim como o criticado Lucca, autor de quatro importantes gols no returno.

Mescla que funcionou com veteranos como Fred, de quem o Flu parece depender para brigar no alto da tabela, e Nenê, que bebeu água na fonte da juventude para fazer sua temporada mais artilheira com 20 gols e grandes atuações aos 39 anos. Muito contestado, Egídio encerrou o Brasileirão como o vice-líder em assistências, com sete.

"Lógico que tem outros jogadores experientes que ajudaram muito nesse processo, mas a gente fala mais de Fred e Nenê, por tamanha dedicação, quando trouxemos ele para dentro, jogando juntos... A importância deles é a mesma que o LeBron James e Anthony Davis [têm] para o Los Angeles Lakers. Eles elevaram muito o nível dos meninos e aproveitamos isso ao máximo. Eles colocaram esses meninos do lado e levantaram o nível de treinamento, entrega, vitória, comprometimento. É isso que eles conseguiram fazer", exaltou Marcão.

Personagens que compuseram uma história de superação de dificuldades para virar a surpresa e uma das grandes histórias do Brasileirão de 2020, marcado pela pandemia de coronavírus, que tirou 250 mil vidas no país. Com a 11ª folha salarial da Série A, o Fluminense se fez de novo grande para competir e pontuar mais que outros elencos mais caros e badalados. A temporada terminou sem títulos, mas os tricolores resgataram seu orgulho com o próprio time.

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