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Morre Marlene, capitã da seleção precursora no basquete feminino

Marlene, à direita, com a seleção bronze no Mundial de 1971 - Divulgação/Mulheres à Cesta
Marlene, à direita, com a seleção bronze no Mundial de 1971 Imagem: Divulgação/Mulheres à Cesta
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/10/2020 15h44

Antes de Hortência, Paula, Janeth, Alessandra, Erika e Damiris, uma equipe de aguerridas mulheres desafiou os padrões machistas da sociedade e colocou o basquete feminino em evidência no Brasil. A capitã daquele time histórico, Marlene, faleceu hoje (27), aos 82 anos.

"Capitã da seleção entre a década de 60 e 70, foi uma líder nata. Mulher de garra, que ajudou a abrir as portas do esporte para toda uma geração", escreveu a Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Além da seleção, que defendeu por 17 anos, ela também jogou por equipes como Botafogo (onde começou), Flamengo (de 1962 a 1965) e São Caetano (onde encerrou a carreira em 1971).

Marlene, que atuava como pivô, foi um dos baluartes da geração responsável pelo reconhecimento do basquete feminino no Brasil e que abriu as portas para, depois, a modalidade ser olímpica também entre as mulheres. Só em Jogos Pan-Americanos, ela ganhou cinco medalhas. Começou com o bronze em 1955, depois prata em 1959 e 1963, até os ouros de 1967 e 1971 — a equipe masculina, então bicampeã mundial só foi ser campeã do Pan pela primeira vez em 1971.

Naquele ano, Marlene também fez parte de outro feito histórico, a medalha de bronze no Campeonato Mundial disputado no Ibirapuera, atrás apenas de União Soviética e Tchecoslováquia. A pivô foi uma das titulares daquela campanha, com média de 9,7 pontos por jogo, acompanhada de Nilza, Norminha, Deley e Heleninha. No banco, duas outras referências do basquete brasileiro: Maria Helena Cardoso e Laís Helena.

Paralelamente à carreira de jogadora, Marlene foi professora de educação física em São Caetano do Sul (SP), onde um ginásio a homenageia. Entre outras jogadoras, lapidou Hortência. "Mais que o aspecto técnico que a Marlene me ensinou, foi no lado do caráter, do espírito coletivo e do amor pelo esporte em que mais aprendi. Depois de ser treinada por ela pude ver que os aspectos comportamentais da Marlene me influenciaram muito como pessoa", contou Hortência ao Painel do Basquete Feminino em 2006.

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