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Celeiro de atletas, Sesi-SP demite 250 professores de esporte

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/05/2020 13h44

O Sesi de São Paulo demitiu esta semana metade dos cerca de 500 professores de esporte que trabalhavam para a entidade em 53 cidades do estado. A medida impacta profundamente a formação de atletas no Brasil, uma vez que a rede de escolinhas de esportes do Sesi-SP é tida como a maior do país.

Em nota, o Sesi-SP relacionou os cortes à crise econômica causada pelo novo coronavírus. "O Sesi-SP tem feito todos os esforços para preservar seu quadro funcional. Entretanto, é impossível ignorar a queda de arrecadação causada pela desaceleração da economia, a redução compulsória de 50% da receita nesses meses e o nível de inadimplência, que é imprevisível", disse a instituição. "É um momento difícil para todos e até lá o Sesi-SP trabalhará com afinco para que o impacto seja o menor possível".

O corte atinge especialmente os funcionários de maior salário no setor. Logo, também os mais antigos. Há relatos de colaboradores que estavam há mais de 30 anos no Sesi e foram demitidos esta semana. Cortes semelhantes também atingem a área cultural do Sesi, que inclui diversos teatros espalhados pelo estado.

A instituição vem anunciando novas posturas à medida que a crise avança e atinge as indústrias. No esporte, os primeiros cortes foram nas equipes coletivas profissionais, as mais caras. No vôlei masculino nenhum contrato foi renovado e todos os profissionais liberados, inclusive o técnico Rubinho. A exceção é o líbero Murilo, que aceitou um contrato para ganhar um valor baixo até o reinício dos campeonatos. No basquete, onde o Sesi tem parceria com o Franca, os jogadores também deverão ser liberados, exceto aqueles que aceitarem acordo semelhante ao de Murilo.

Por enquanto os cortes não chegaram ao esporte individual de alto rendimento, cujos contratos são anuais de janeiro a dezembro. O Sesi tem equipes fortes na natação, no wrestling, no atletismo, no triatlo, no karatê e no judô, além de investir na ginástica artística. No esporte paraolímpico, forma atletas de bocha, atletismo, gollball e vôlei sentado. Também é o principal formador de atletas do país no polo aquático.

De acordo com o Sesi, os contratos das modalidades individuais estão mantidos até segunda ordem, assim como de todos os treinadores de rendimento. Da mesma forma, seguem recebendo ajuda de custo 740 atletas de categorias de formação (até 21 anos).