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Bolsonaro nomeia articulador político de Witzel para tocar legado olímpico

Wilson Witzel com o subsecretário de Relações Institucionais Luiz Carlos das Neves - Philippe Lima/Governo do Estado do Rio de Janeiro
Wilson Witzel com o subsecretário de Relações Institucionais Luiz Carlos das Neves Imagem: Philippe Lima/Governo do Estado do Rio de Janeiro
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

18/05/2020 13h36

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) trocam acusações, um homem pulou, sem escalas, de um governo para o outro. Luiz Carlos das Neves foi nomeado na última terça-feira (12) para um cargo de primeiro escalão no Escritório de Governança do Legado Olímpico (EGLO). Só no dia seguinte, cinco dias após a assinatura da portaria que o nomeou para trabalhar no governo federal, é que constou, no Diário Oficial do Estado do Rio, a exoneração de Neves, a pedido, do cargo de subsecretário de Estado.

Luiz Carlos das Neves foi presidente do Detran-RJ do primeiro dia do governo Witzel até o final de agosto do ano passado, quando foi derrubado por pressões externas. No mesmo dia em que foi exonerado do Detran, foi nomeado subsecretário de Relações Institucionais. A pasta é responsável, pelo que consta em seu site, pela "articulação política interna e externa do governo".

Como subsecretário, Neves era, até quarta-feira, o braço direito de Cleiton Rodrigues, secretário de Governo e Relações Institucionais e, por sua vez, braço direito de Witzel. De acordo com reportagem de O Globo, Rodrigues é quem cuida, por exemplo, da agenda do governador.

Desde o dia 8 de maio, porém, Neves está nomeado para um cargo DAS 101.4 no Escritório de Governança do Legado Olímpico, novo nome da antiga AGLO, estrutura temporária criada em dezembro do ano passado por decreto que também definiu sua extinção no próximo dia 30 de junho. Apesar do curto espaço de tempo para resolver o problema do legado, o EGLO segue existindo quase que apenas no papel. Os cargos sequer têm nomes, sendo representados pelo código que determina hierarquia e salário. O DAS 101.4 recebe R$ 10.373,30 ao mês.

A primeira pessoa a ser nomeada para o escritório foi Marcelo Magalhães, que, segundo seus superiores da época, nunca se apresentou na sede do órgão. Padrinho de casamento do senador Flávio Bolsonaro (sem partido), ele foi promovido a secretário de Esporte. Em 15 de abril, Carlos Frederico Martins Alvares foi nomeado para ocupar o posto mais alto do escritório, em tese para ser diretor. O Olhar Olímpico pediu ao governo federal um currículo resumido de Alvares, mas não obteve resposta.

Outros três cargos DAS 101.4 estão ocupados, pelo que consta em Diário Oficial, por Maurício Junqueira Pelegrineti, Erinaldo Batista das Chagas e Marcelo Terra Camargo. No total, o escritório tem 29 cargos em comissão ou funções comissionadas, das quais apenas quatro estão ocupados. Mesmo cargos DAS 101.4 ainda existem outros quadro desocupados.

Olhar Olímpico