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Olhar Olímpico

Atletismo impõe limite aos calçados tecnológicos e proíbe tênis de Kipchoge

Eliud Kipchoge completa maratona não-oficial em Viena (Áustria) com a marca de 1h59min40s, a melhor da história da prova - Guo Chen/Xinhua
Eliud Kipchoge completa maratona não-oficial em Viena (Áustria) com a marca de 1h59min40s, a melhor da história da prova Imagem: Guo Chen/Xinhua

31/01/2020 12h48

A World Athletics, antiga IAAF, anunciou nesta sexta-feira (31) as aguardadas novas regras a respeito dos chamados tênis tecnológicos. Diferente do que chegou a publicar a imprensa britânica, a federação internacional de atletismo não impôs restrição completa à linha Vaporfly, da Nike, que revolucionou as corridas de longa distância. Estão autorizados os modelos 4% e Next%, usado por Brigid Kosgei para destroçar o antigo recorde mundial feminino da maratona. Mas o protótipo Alphafly, tênis com o qual o queniano Eliud Kipchoge correu uma maratona pela primeira vez abaixo de 2 horas, está banido.

O desafio vivido pelo atletismo agora é o mesmo pelo qual passou a natação pouco mais de uma década atrás. A solução encontrada pela World Athletics também foi a mesma inicialmente adotada pela Fina, que liberou os trajes tecnológicos, desde que eles estivessem disponíveis no mercado para todos os atletas, garantindo uma competição justa contra os rivais de então. Mas permitindo tempos muito mais rápidos do que os registrados por atletas da era pré-trajes.

No caso da World Athletics, será obrigatório que, a partir de 30 de abril, um tênis esteja à disposição para compradores comuns, em lojas físicas ou online, por quatro meses antes do seu uso em competição. Isso acaba com a possibilidade de atletas de ponta, patrocinado pelas grandes marcas, em especial a Nike, correrem maratonas com tênis exclusivos ou com protótipos. As exceções são tênis adaptados por razões médicas ou estéticas.

Isso não significa, porém, que todos os tênis serão liberados. Para efeitos imediatos foram estipuladas algumas regras, como uma limitação de 40mm na altura da sola e outros detalhes técnicos que, na prática, abrangem os produtos mais comuns da linha Vaporfly, com exceção do Alphafly, ainda um protótipo, que tem sola de 50mm.

"Quando a World Athletics tiver motivos para acreditar que um tipo de calçado ou tecnologia específica pode não estar em conformidade com as regras ou o espírito das regras, ele pode enviar o calçado ou a tecnologia para estudo e pode proibir o uso do calçado ou da tecnologia enquanto está sob exame", explicou a entidade.

"Não é nosso trabalho regular todo o mercado de calçados esportivos, mas é nosso dever preservar a integridade da competição de elite, garantindo que os sapatos usados pelos atletas de elite na competição não ofereçam assistência ou vantagem injusta. Ao entrar no ano olímpico, não acreditamos que possamos descartar os calçados que estão geralmente disponíveis por um período considerável de tempo, mas podemos traçar uma linha proibindo o uso de calçados que vão além do que está atualmente no mercado. enquanto investigamos mais", comentou o presidente da World Athletics, Sebastian Coe.

Ao autorizar a linha mercadológica da Vaporfly, porém, a IAAF cria um problema com outras marcas. Atletas patrocinados por concorrentes têm a obrigação contratual de correr com tênis dessas marcas. Mas não ter um Vaporfly no pé dá a eles clara desvantagem competitiva. No ano passado, dos 36 corredores que ficaram entre os três primeiros colocados das principais maratonas do mundo, 31 estavam de Vaporfly. O tênis, segundo estudos, melhora a performance em até 4%.