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Tomas Rosenfeld

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Democratizando o acesso às escolas de medicina

Cravetiger / Getty Images
Imagem: Cravetiger / Getty Images
Tomas Rosenfeld

Tomas é escritor, pesquisador e gestor, com mais de dez anos de experiência trabalhando no campo de inovação social. Formado em Relações Internacionais e mestre em Economia Internacional, Tomas é fellow da Fundação Alexander von Humboldt. Ao longo do último ano, atuou como pesquisador visitante no Impact Hub Berlim, estudando empreendedores sociais na capital alemã. Atualmente, como doutorando e research fellow da Ernst Ludwig Ehrlich Studienwerk, pesquisa formas de fazer a floresta Amazônica valer mais em pé do que derrubada. Como escritor, publicou dois romances – Para não dizer que não falei de Flora (7Letras, 2015) e Vão livre (Reformatório, 2019) – o primeiro, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

31/08/2021 06h00

Tornar-se médico é caro. No Brasil, dois terços das vagas de medicina estão em faculdades privadas. Para os alunos dessas escolas, o custo total da formação fica em geral acima dos R$ 600 mil, considerando apenas a mensalidade média dos cursos.

Os dados foram levantados pela Alume, startup fundada em 2019, que tem como missão democratizar o acesso às escolas médicas no país. A ideia é oferecer produtos que permitam que bons estudantes sigam seus sonhos independente da condição financeira de suas famílias.

A fintech já financia estudantes de medicina em mais de 160 instituições de ensino, em todos os estados do país, trabalhando com financiamento estudantil e auxílio de custo de vida.

Liderada por Pedro Silveira e Felipe Weinfeld, a empresa foi ganhando forma quando participaram do INSEAD Venture Competition, de onde saíram como a primeira startup brasileira vencedora, em uma competição com mais de 200 organizações. De lá pra cá, foram incubados pela Eretz Bio, braço de inovação e tecnologia do Hospital Albert Einstein, e tiveram sua emissão de debêntures certificada como social bond pela SITAWI Finanças do Bem.

Quando questionado sobre os desafios envolvendo os médicos no país, Pedro Silveira aponta temas que vão além do custo da formação, como a questão do número e distribuição geográfica dos profissionais. "No Brasil, há estados com menos de 2 médicos por mil habitantes, cidades sem médicos e regiões extremamente vulneráveis como Norte e Nordeste", afirma o sócio-fundador da Alume.

Com cerca de vinte meses de operação, a empresa superou a marca dos R$ 45 milhões para financiamento de estudantes de medicina. Desse valor, R$ 24 milhões foram obtidos com debêntures emitidos neste ano, que têm como foco estudantes de famílias de classe C, D ou E, de cor ou raça autodeclarada preta, parda e indígena ou egressos de escolas públicas. "Com esses recursos, poderemos seguir nossa missão de democratizar o acesso às escolas médicas", diz Felipe Weinfeld, sócio-fundador da fintech.

O financiamento de estudantes de medicina oferece uma dessas oportunidades de equilibrar lucro e impacto social positivo. Diferentemente de diversas outras carreiras em que a trajetória dos salários tem uma curva de ascendência lenta e incerta — com o risco de que os estudantes acumulem dívidas que prejudiquem sua vida financeira — médicos recém-formados já contam com receita mensal na casa dos cinco dígitos. Essa situação reduz os riscos tanto para quem empresta, como para quem recebe o dinheiro.

Mais do que nunca vemos a importância de um sistema de saúde bem estruturado e distribuído. Contribuições nesse sentido são bem-vindas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL