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Bela Gil

Para onde vai a sua comida?

Nino, filho de Bela Gil, ajuda a preparar a composteira - Arquivo pessoal
Nino, filho de Bela Gil, ajuda a preparar a composteira Imagem: Arquivo pessoal
Bela Gil

É chef, ativista, escritora e apresentadora. Mestre em ciências gastronômicas pela Universidade de Slowfood, na Itália, e bacharel em nutrição pela Hunter College, em NY, Bela tem como missão difundir a importância da alimentação saudável e consciente. Sua principal bandeira é comida de qualidade todo dia na mesa de todos.

04/11/2020 04h00

É muito interessante e importante toda a discussão que existe hoje em relação à procedência dos alimentos. Saber a origem da sua comida, quem a produziu, de qual cidade ou região veio, quantos quilômetros percorreu até chegar ao prato ou até mesmo a sua pegada de carbono são perguntas que muitos foodies fazem antes de escolher o que comer.

Acho estas perguntas e preocupações muito validas, inclusive sou uma grande defensora e incentivadora desse tipo de rastreamento. Só que depois de anos trabalhando e estudando sobre comida e sua relação com a nossa saúde e o meio ambiente, comecei a me preocupar também sobre o destino dos alimentos.

Lembro que quando ainda morava em NY e cursava a faculdade de nutrição, a compostagem já era um tema super debatido entre amigos e muitos já levavam o seu lixo orgânico para a compostagem coletiva. Quando voltei ao Brasil, em 2015, comecei a separar os resíduos orgânicos de casa e o Ciclo Orgânico uma empresa do Rio de Janeiro passava toda a semana para recolher o baldinho para compostagem. Em troca, recebia vasinhos mensais com terra adubada para plantar alguns temperinhos na cozinha e na varanda de casa.

Agora morando em São Paulo, temos uma composteira doméstica, também conhecida como minhocário onde damos conta do nosso próprio restinho de comida (talos, cascas, sementes). Pois nem com todas as receitas de produtos de limpeza do meu último livro "Simplesmente Bela" ou receitas de aproveitamento integral dos alimentos do livro "Da Raíz à Flor" seria possível dar conta.

Depois de anos pensando e fazendo compostagem direta ou indiretamente não consigo mais deixar de falar sobre este assunto que me aflige quando usamos a palavra lixo associada a comida.

O que é lixo para você? Já parou para pensar sobre a expressão "jogar fora"? Onde seria este fora?

Lixo nada mais é do que um recurso mal utilizado. E o ser humano se especializou em tornar seus recursos em resíduos e lixo. E comida jamais deveria virar lixo. Com a compostagem, deixamos de enxergar a casca de banana como lixo e sim como um resíduo que no lugar certo se tornará alimento pro solo que nos alimentará novamente com seus cultivos. O ciclo da natureza sempre fecha. Basta a gente deixar a natureza percorrer o seu caminho. Porém com a modernidade e industrialização, nos desconectamos da natureza, e por isso não enxergamos mais o seu caminho. Tiramos os recursos e resíduos do seu ciclo natural, gerando assim o lixo.

Cada brasileiro gera em torno de um quilo de lixo por dia. Cerca de 58% desse total é representado por lixo orgânico, formado de restos de alimentos (Akatu). A maior parte desse lixo vai parar nos aterros sanitários criando gás metano que é 30 vezes mais potente do que o gas carbônico em relação ao efeito estufa.

Como podemos fechar o ciclo dos alimentos?

  • compostagem doméstica
  • compostagem urbana
  • energia (transformar gás metano dos aterros em biogás, uma fonte limpa de energia)

Como colocar em prática?

  • informação
  • educação
  • boa vontade de políticos que se preocupam com esse assunto

Deixo aqui um vídeo para quem quiser aprender mais sobre compostagem doméstica. Meu filho Nino e eu podemos ajudar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.