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Alessandra Negrini fantasiada de índia: cancelada ou perdoada?

De body preto e cocar indígena, Alessandra Negrini desfila no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta - Nelson Antoine/UOL
De body preto e cocar indígena, Alessandra Negrini desfila no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta Imagem: Nelson Antoine/UOL
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

17/02/2020 10h11

Resumo da notícia

  • Atriz foi acusada de apropriação cultural por se vestir de índia
  • Para ativista indígena, se vestir de índio no carnaval é racismo
  • Alessandra se defendeu afirmando ter feito um protesto político

Nos últimos anos, muito se discute sobre figurinos no Carnaval. Enfermeiras não gostam de sensualizadas, policiais não curtem ser criticados e, principalmente, muita gente afirma que índio não é fantasia. Até que veio Alessandra Negrini, musa do Acadêmicos do Baixo Augusta, no último domingo (16), e surgiu usando cocar e pintura no rosto. Houve quem tenha amado, mas também que tenha acusado a atriz de apropriação cultural. Nas redes sociais, muita gente passou a questionar. Afinal, Alessandra está "cancelada" - termo muito em voga atualmente - ou relevada? A diva tratou de se defender. "A luta indígena é de todos nós e por isso eu tive a ousadia de me vestir assim", afirmou ao jornal "Folha de S. Paulo". "A questão indígena é a central desse país. Ela envolve não somente a preservação da cultura deles como a preservação das nossas matas."

O uso de tinta, cocar e penas para compor fantasia de índio vem despertando controvérsia há tempos. Recentemente, a artista indígena Katú Mirim publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que se sente ofendida. "Isso é racismo. Indígenas existem, resistem e temos cultura", dizia. Na época, a ativista foi atacada com comentários preconceituosos, como "volta para a aldeia". Para muitos, a vestimenta fortalece estereótipos e a hiperssexualiza a mulher indígena.

Não parece ter sido essa a intenção da atriz. À revista "Marie Claire", antes de subir no trio, Alessandra disse de onde surgiu a ideia para a vestimenta. "Será um manifesto. Esse ano a questão indígena está no centro das resistências. Estamos vendo nossos povos originários sendo violentamente atacados, suas terras invadidas, suas vidas ceifadas, suas culturas ameaçadas", disse a atriz, que estava acompanhada por Sônia Guajajara e outras lideranças indígenas, além de famosas como Dira Paes, Tulipa Ruiz e Ana Cañas. Para ela, não se trataria de apropriação cultural por seu manifesto ter cunho político.

A questão, portanto, não é se fantasia de índio é permitida. Agora ela evolui para: se usada como forma de protesto, ela está liberada? Afinal, querendo ou não, o assunto foi discutido por causa da visibilidade de Alessandra. A conferir.

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