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Ostentação ou amor à escola? Por que musas gastam tanto em fantasias?

Em sua estreia como rainha de bateria da Unidos da Tijuca, que gastou R$ 85 mil, a cantora Lexa acabou levando um tombo daqueles - Delmiro Junior/Brazil News
Em sua estreia como rainha de bateria da Unidos da Tijuca, que gastou R$ 85 mil, a cantora Lexa acabou levando um tombo daqueles Imagem: Delmiro Junior/Brazil News
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

25/02/2020 16h28

Resumo da notícia

  • Uma musa chegarou a vender um apartamento para pagar a fantasia
  • Fantasias podem custar mais que um carro popular
  • Para Gracyanne Barbosa, vale tudo para ser feliz no desfile

Todo ano, durante o Carnaval, uma profusão de musas e rainhas de bateria divulgam o quanto gastaram com suas fantasias. Os valores não são modestos. A cantora Lexa, por exemplo, gastou R$ 85 mil. "A fantasia vem sendo elaborada há algum tempo e está linda. A ideia é mostrar muito brilho e pedraria. Fiz questão de não ter nada de origem animal na fantasia. Sou a favor da causa sustentável e sei que é possível fazer bonito sem isso", afirmou a rainha de bateria da Unidos da Tijuca, que caiu durante sua performance.

A funkeira não é a única. Neste ano, algumas passistas chegaram a vender apartamento para financiar o sonho de desfilar no sambódromo. Jacqueline Mercedes, imperatriz da Barroca Zona Sul, se desfez de um imóvel e usou R$ 100 mil da transação para financiar os gastos. "Uma parte do valor do apartamento foi não só para pagar a fantasia, mas para todos os gastos do Carnaval. A gente gasta com aula de samba, fantasia, clínica de estética, cabelo e maquiagem", afirma a modelo, que não mostra arrependimentos.

Francine Carvalho, conhecida como "musa do óleo", da Tom Maior, ostentou em seu traje 10 mil cristais e 800 penas de faisão albino. Gastou mais de R$ 40 mil. "Gastei mais ou menos um carro popular, tudo do meu bolso", diz ela, que ainda usou mil baldes de óleo. "Carnaval pede glamour, todo mundo está esperando uma coisa linda. Temos de viver ao máximo e aproveitar."

Dani Bolina diz que pagou a fantasia do próprio bolso - Iwi Onodera/UOL
Dani Bolina diz que pagou a fantasia do próprio bolso
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Dani Bolina, madrinha de bateria da Unidos de Vila Maria, afirma que algumas passistas conseguem privilégios. "Algumas ganham as fantasias. A minha eu pago do meu bolso", conta a ex-panicat, que garante: gastar R$ 10 mil numa fantasia é barato. Na Mancha Verde, Beth Freitas, um dos destaques do terceiro carro, gastou R$ 12 mil banhando sua fantasia a ouro.

Nem todas as musas de Carnaval, no entanto, se sentem confortáveis em gastar muito. "Hoje em dia não se gasta mais aqueles valores exorbitantes, o material agora tem um custo mais em conta e tem muita coisa legal que pode substituir o faisão, que é a pena mais cara que tem. Então, querendo, você pode desfilar com uma fantasia linda e não tão cara. Acho sim um desperdício gastar R$ 100 mil", afirma Ana Paula Evangelista, musa da Unidos da Tijuca. Mariah Fernandes, musa da Pérola Negra concorda: "Gastar mais de R$ 100 mil em único dia é fachada para chamar atenção, porque dá para ter uma fantasia bonita com luxo e glamour economizando".

Gracyanne Barbosa acha que o alto gasto vale a pena - Júlio César Guimarães/UOL
Gracyanne Barbosa acha que o alto gasto vale a pena
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Uma das rainhas de bateria mais populares do país, Gracyanne Barbosa, não julga quem ostenta na avenida. "Cada uma sabe o tamanho de seu sonho e o quão elaborado quer seu traje. A Sapucaí é o palco dos sonho, onde esquecemos a realidade e, por um momento, somos um personagem da folia, vestimos uma máscara e somos aquilo que quisermos ser. Então tudo vale a pena", conta. "Cada uma sabe como se sentirá poderosa ali na Avenida. Ou mais criativa, ou mais luxuosa, ou mais nua, ou mais vestida, e daí corremos atrás para botar nosso sonho em prática." Para Dani Bolina, a ostentação e o gasto no desfile se justifica por uma razão específica: "É tudo por amor à escola".

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