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Delegado não descarta DNA em parentes de menina de 10 anos e nega pré-natal

Marina Marini

De Universa, em São Paulo

18/08/2020 13h49

Preso hoje pela Polícia Civil do Espírito Santo, o homem suspeito de estuprar e engravidar a sobrinha de 10 anos pediu, em vídeo feito e divulgado nas redes sociais antes de ser detido, que fossem feitos exames de DNA em parentes da criança, como o avô e outro tio.

Em coletiva de imprensa realizada hoje em Vitória, o delegado Ícaro Ruginski afirmou que as investigações apontam que os abusos eram praticados pelo suspeito, de 33 anos, que assumiu "informalmente" o crime, mas que a possibilidade da realização de exames em outros membros da família será analisada.

"Todas as hipóteses serão investigadas. Mas, a princípio, a indicação é de que os abusos tenham sido cometidos todos por ele. Informalmente, aos policiais, ele afirmou que realmente possuía alguma intimidade com a menina e fez abusos contra ela. Informalmente, enquanto ele está sendo conduzido para cá", afirmou.

"Essa possibilidade será checada pela Polícia de São Mateus, mas as investigações apontam que os abusos eram praticados por ele. Ele disse que os atos eram consentidos, mas não há consentimento com crianças de 10 anos. Ele falou que tinha relações com a menina desde 2019", continuou o delegado.

Além disso, Ruginski negou a informação de que a garota estaria fazendo um acompanhamento pré-natal na cidade de São Mateus e reforçou que o caso foi descoberto logo após a criança dar entrada no Hospital Roberto Silvares, na cidade do norte capixaba.

"Eu estive lá e verifiquei essa situação. Isso a princípio está descartado e em nenhum momento foi ventilada a possibilidade de ela estar em pré-natal antes de procurar pelo atendimento no dia 7", disse.

Coleta de amostras para DNA

O aborto aconteceu no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife (PE). Após a realização do procedimento, uma equipe de peritos criminais que estava no hospital fez as coletas necessárias do feto e da garota para a efetuação de exames de DNA.

Procurada pelo UOL, Sandra Santos, chefe da Polícia Científica de Pernambuco, informou que os dois perfis de DNA estão sendo analisados e serão enviados amanhã para a Polícia Técnico Científica do Espírito Santo. A coleta do DNA do tio da menina também será de responsabilidade do estado onde o crime aconteceu.

Vulnerabilidade social

O secretário de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, confirmou que o o caso foi identificado como estupro no último dia 7 de agosto. Ele também informou que a menina é filha de uma mulher em situação de rua e é criada pelos avós.

"Essa criança vivia em situação de risco, é filha de uma mãe andarilha de São Mateus e vivia com os avós. Ela vivia em uma condição muito precária e passou a ser abusada por esse monstro, que estava solto por conta dessa prática de 'saidinha'. Agora esse caso prosseguirá com a investigação para que esse monstro fique preso e seja punido", disse Ramalho. O suspeito cumpria regime semiaberto durante o período em que a garota relata que houve estupros.

Agora, a criança, que teve a gravidez interrompida ontem, será acompanhada por uma equipe multidisciplinar.

Prisão na casa de parentes

A prisão do homem aconteceu na madrugada de hoje, na casa de parentes, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Afirmando que foram utilizadas "técnicas de inteligência e monitoramento" da polícia para a realização da prisão, o delegado Ícaro Ruginski disse que os familiares do homem não dificultaram a ação da polícia e, a princípio, não responderão criminalmente por terem o abrigado.

Antes disso, porém, o homem havia fugido para a cidade de Nanuque, na tríplice divisa do Espírito Santo com Minas Gerais e Bahia, na sexta-feira (7), ao suspeitar que a menina estivesse grávida.

"Foi feita uma incursão na Bahia, encaminhamos os policiais para lá, mas ele não estava. Começamos então um trabalho de levantamento de onde ele poderia estar, conversamos com familiares dele e descobrimos que ele tem parentes em Minas Gerais. Conseguimos um contato com ele, que diante da perspectiva de ser agredido e temendo pela própria vida, aceitou se entregar", explicou o delegado José Darcy Arruda.