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Universa lança manual de conduta para cobertura de violência contra mulher

Deborah Faleiros/UOL
Imagem: Deborah Faleiros/UOL

De Universa

25/11/2020 04h00Atualizada em 25/11/2020 15h49

Como abordar familiares de uma vítima de feminicídio durante a apuração de uma reportagem? Que foto usar em matérias sobre denúncias de assédio sexual? Como evitar que uma mulher reviva um trauma durante uma entrevista?

Questionamentos como esses fazem parte do cotidiano da redação de Universa desde o lançamento da plataforma feminina do UOL, em 2018. Segundo levantamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking dos países com mais mortes violentas de mulheres - e esse problema tão urgente é tratado com frequência em nossas reportagens.

Mas não somos só nós quem falamos sobre isso - e ainda bem. Desde a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, cada vez mais veículos de imprensa se debruçam sobre o tema. Imaginando que também devam passar pela cabeça de todo jornalista os mesmos dilemas de nossas repórteres, que se preocupam diariamente em tratar da maneira mais digna e sensível as vítimas e familiares deste cenário trágico, elaboramos o "Manual Universa para Jornalistas: Boas Práticas na Cobertura da Violência Contra a Mulher".

Neste guia que lançamos hoje, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, Universa apresenta uma série de normas de conduta para a cobertura de crimes de gênero - da conversa inicial com as vítimas às melhores palavras e nomenclaturas adequadas a serem usadas no texto. Também trazemos informações sobre legislação, onde e como denunciar e sobre uma lista com diversas fontes especializadas no tema.

Por que Universa lança este manual?

"Nosso principal objetivo é que as histórias de mulheres como Tatiane Spitzner, Sandra Gomide, Yasmin Costa dos Santos e as de outras vítimas de feminicídio que infelizmente virão, sejam contadas com empatia e de forma justa nas reportagens. Para que durante as apurações sobre esses e outros crimes contra a mulher, os jornalistas estejam atentos aos estereótipos sexistas que permeiam até a fala de juristas renomados, transformando vítimas de violência em rés", explica Dolores Orosco, editora-chefe de Universa. "Como equipe 100% feminina que somos, nos preocupamos em produzir um jornalismo cada dia mais ético, sensível e responsável, para que nossa atuação contribua efetivamente para o combate à violência contra a mulher."

As informações sobre boas práticas foram coletadas a partir de leituras específicas e entrevistas com especialistas e repórteres da área. O objetivo é que sejam utilizadas não só pelo UOL, mas também por estudantes de jornalismo e por organizações civis interessadas em transformar a sociedade.

Por que eu preciso dele?

Porque a apuração dos casos é complexa e mexe com traumas dolorosos das vítimas. É importante, portanto, se informar sobre o assunto para tomar alguns cuidados na hora de abordá-las e de escrever um texto.

Muitas vezes, os jornalistas precisam estar atentos às próprias crenças machistas, enraizadas socialmente - daí a importância de entender algumas sutilezas. Faz parte da responsabilidade do jornalista não reforçar estereótipos nocivos, em benefício não só das entrevistadas, mas das mulheres em geral.

Culpabilizar a vítima, mesmo que indiretamente - por exemplo, ao descrever a roupa que ela estava usando ao sofrer uma violência sexual -, reforça a ideia de que a responsabilidade pelo crime que sofreu é dela, quando não é.

Outra forma recorrente de culpabilizar uma vítima de violência doméstica é questionar por que ela passou tanto tempo apanhando sem denunciar. Há ainda casos em que o texto tentar justificar as ações do agressor, afirmando que ele cometeu uma violência motivado por ciúme ou porque estava com "a cabeça quente".

Que tipo de informações encontrarei?

Além de orientações sobre como fazer o primeiro contato com uma mulher vítima de violência e que informações sobre ela evitar no texto, o manual explica a importância de humanizar as histórias e não tornar a entrevistada mais um número.

Traz ainda dicas para ouvir o outro lado, o agressor ou o Estado, que também é responsável quando uma mulher sofre uma agressão, seja ela qual for. Compilamos também diversas informações sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, números relacionados e dados sobre legislações específicas.

Além disso, as dicas contam com breves análises para que seja possível refletir sobre o próprio trabalho. Mais do que relatar um crime, é preciso ter em mente que a notícia deve sensibilizar a sociedade para o problema. A cartilha explica, por exemplo, como evitar uma cobertura acrítica e como a falta dos questionamentos certos pode ser cúmplice da violência.

Onde posso encontrá-lo?

"Manual Universa para Jornalistas: Boas Práticas na Cobertura da Violência Contra a Mulher" pode ser baixado gratuitamente. Acesse e compartilhe.