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Assistente social diz que menina de 10 anos não ouviu protesto em hospital

Grupo católico faz ato em hospital de PE contra aborto de menina estuprada - Reprodução / Twitter
Grupo católico faz ato em hospital de PE contra aborto de menina estuprada Imagem: Reprodução / Twitter

De Universa, em São Paulo

18/08/2020 13h27

A assistente social responsável por atender a menina de 10 anos do Espírito Santo que teve a gravidez interrompida afirmou que nem a garota nem a avó ouviram os protestos realizados do lado de fora do hospital em que o procedimento foi realizado. Bruna Martins falou à TV Globo que fez parte do seu trabalho cuidar para que ela não fosse afetada pelo ambiente externo, usando brincadeiras com massinha e outros materiais para tratar do caso.

Bruna afirmou que fez um trabalho lúdico para tratar do caso. "Garanto que ela não ouviu, nem ela nem a avó. Foi a estratégia que eu lancei mão. Focamos no cuidado e na proteção da criança, que é o nosso objetivo maior", disse ela.

"Todo o cuidado de que ela precisou ela obteve e as estratégias que a gente utilizava no quarto, porque estamos falando de uma criança de 10 anos, foi o lúdico. Então, a gente contava história, a gente colocou filme infantil, brincou de massinha, com os ursinhos dela, que é o que ela adora, para ela não ouvir", disse Bruna.

Grupos religiosos fizeram atos do lado de fora do hospital, contra o aborto, que é previsto em lei - também houve manifestação em apoio à criança. A menina vinha sendo estuprada por um tio, há cerca de três anos em São Matheus (ES), e teve o procedimento autorizado pela Justiça e feito no Recife (PE).

Bruna afirmou que ela e a família estão "bem, calmas". Ela as conheceu no aeroporto, já prontas para a viagem no domingo.

"Foi muito impactante. Ela estava assustada, abraçada nos bichinhos de pelúcia dela, muito apegada à avó paterna biológica, que é a referência materna dela", contou a assistente social, que adicionou: "A gente está falando de uma menina que teve a sua saúde violada, tanto fisicamente, mas emocionalmente, socialmente. Garantir o procedimento de forma legal, segura, gratuita, é garantir o direito à vida dessa criança, é garantir o direito à infância, é garantir que ela seja o que quiser ser, até porque criança é para brincar, não é para parir".

Hoje, foi anunciada a prisão do homem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O aborto foi feito na noite de domingo (16) e ontem a menina passou por uma curetagem para retirada de restos placentários do útero. A vítima passa bem e está acompanhada da avó e de uma assistente social.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi escrito na primeira versão do texto, a menina estava acompanhada da avó, e não da mãe. O erro foi corrigido.