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Ex-atriz testemunha contra Weinstein: "me pressionou a fazer sexo a 3"

Harvey Weinstein no tribunal de Nova York, dia 24 de janeiro - Jeenah Moon/Getty Images/AFP
Harvey Weinstein no tribunal de Nova York, dia 24 de janeiro Imagem: Jeenah Moon/Getty Images/AFP

Do UOL, em São Paulo

29/01/2020 13h22

Resumo da notícia

  • Dawn Dunning testemunhou contra Harvey Weinstein hoje
  • A ex-atriz disse que o produtor a penetrou com os dedos sem permissão
  • Dunning também relatou que Weinstein tentou pressioná-la a fazer sexo a três
  • "Ele disse que era assim que essa indústria funcionava", continuou

O julgamento de Harvey Weinstein continua acontecendo em Nova York, e a testemunha chave de hoje foi a ex-aspirante a atriz Dawn Dunning, que contou ter desistido do ramo após uma experiência traumática com o produtor. A informação é do The Hollywood Reporter.

Dunning testemunhou que Weinstein a penetrou sem consentimento durante um incidente em 2004, e ainda disse que o produtor a pressionou a fazer sexo a três com a assistente dele. Dunning contou que, quando ela recusou o "convite", Weinstein gritou: "é assim que essa indústria funciona!".

Dunning é uma das quatro testemunhas adicionais, além das duas acusadoras principais do caso, que o juiz James Burke permitiu que os promotores chamassem para o tribunal. Os depoimentos têm o objetivo de "estabelecer um padrão de comportamento abusivo" de Weinstein.

A mulher de 40 anos contou que era garçonete em uma boate quando encontrou o produtor pela primeira vez. "Eu disse a ele que estava tentando emplacar como atriz, e ele disse que podia me ajudar. Eu dei a ele o meu número, mas não esperava que ele me ligasse", contou.

A assistente do produtor a ligou poucos dias depois, marcando uma reunião em uma suíte de hotel que havia sido adaptada para Weinstein em um escritório. No início, contou Dunning, a conversa entre os dois foi profissional.

"Não houve nenhum tipo de aviso, nada que me indicasse o que estava prestes a acontecer", lamentou, alegando que Weinstein colocou a mão por baixo de sua saia e a penetrou com os dedos. Dunning disse que havia pessoas na sala ao lado daquela em que os dois estavam conversando.

"Ele ficou com a mão lá por alguns segundos, e eu congelei. Quando ele tirou a mão, eu me levantei. Ele disse que eu não devia 'fazer tempestade em copo d'água'. Ele se desculpou, disse que não aconteceria novamente", explicou.

Por conta do pedido de desculpas do produtor, Dunning disse que "racionalizou o acontecido como um erro que não ia se repetir". Por isso, aceitou o convite para uma segunda reunião com Weinstein em Manhattan, algumas semanas depois.

"Ele abriu a porta do quarto vestindo só um roupão meio aberto. Mas ele foi direto, me mostrou uns contratos, disse que eles valiam para três filmes, mas que ele só iria assiná-los se eu aceitasse fazer sexo a três com ele e sua assistente, Bonnie", testemunhou ela.

"Eu ri na hora que ele disse isso. Achei que ele estava brincando. Ele ficou muito irritado e começou a gritar comigo, dizendo que eu nunca faria parte de Hollywood desse jeito. Ele disse que era assim que aquela indústria funcionava", continuou.

"Eu fiquei assustada. Eu não sabia o que ele ia fazer. Eu corri até a porta e continuei correndo até o elevador. Ele continuou gritando. Ele é um cara grande, muito maior que eu. Eu estava apavorada", finalizou.

Dunning explicou ainda porque não contou para ninguém o acontecido. "Eu fiquei envergonhada, não queria que ninguém soubesse. Não queria ser uma vítima. E não fui até a polícia porque não sabia se o comportamento dele podia ser qualificado como criminoso", contou.