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Annabella Sciorra testemunha contra Weinstein e relata estupro

Annabella Sciorra chega ao tribunal para testemunhar contra Harvey Weinstein - Lucas Jackson/Reuters
Annabella Sciorra chega ao tribunal para testemunhar contra Harvey Weinstein Imagem: Lucas Jackson/Reuters

De Universa*

23/01/2020 13h58

A atriz Annabella Sciorra confrontou Harvey Weinstein no tribunal hoje e manteve seu relato de estupro contra o produtor de Hollywood em testemunho realizado no segundo dia de julgamento em Nova York.

A atriz de 59 anos, mais conhecida por seu trabalho em "Os Sopranos", é considerada uma testemunha essencial para a condenação do produtor, que é acusado de diversos crimes sexuais. Porém, a alegada violação ocorreu há tanto tempo que o crime foi prescrito e, portanto, não faz parte do processo.

Por mais de um quarto de século, Sciorra disse a poucos amigos que o produtor, que antes era reverenciado, a prendeu na cama e a violou, até que ela se apresentou publicamente em 2017.

O site Hollywood Reporter reproduziu parte de seu testemunho hoje. "Ele me levou para o quarto e me empurrou na cama. Não sei dizer exatamente quando ele tirou as calças ou exatamente o que aconteceu. Enquanto eu tentava tirá-lo de cima de mim - com socos e chutes - ele pegou minhas mãos e as colocou sobre minha cabeça. Ele subiu em cima de mim e me estuprou. Ele teve relações sexuais enquanto eu estava tentando lutar, mas não pude mais lutar porque tinha minhas mãos presas", disse.

"A certa altura, ele parou. Ele saiu de cima e ejaculou em cima de mim, na minha camisola. E então ele passou a boca na minha vagina e antes de fazer isso, disse: 'Isto é para você'. A este ponto eu disse: 'Não, não'. Mas não havia muito que eu pudesse fazer naquele momento. Meu corpo desligou. Era tão nojento que meu corpo começou a tremer de uma maneira que era muito incomum. Eu nem sabia o que estava acontecendo. Foi como uma convulsão ou algo assim", completou.

Annabella afirmou ainda ter recebido na sua casa uma entrega do produtor: um pacote com filmes, uma garrafa de Valium e chocolates em formato de pênis.

Weinstein, 67 anos, é acusado de praticar sexo oral com a ex-assistente de produção Mimi Haleyi contra sua vontade em 2006 e de estuprar a atriz Jessica Mann em 2013, em um caso emblemático pelo movimento #MeToo contra assédio e agressão sexual.

A promotoria espera que o testemunho de Sciorra ajude a convencer o júri de que o acusado é um predador sexual.

Para fazer isso, é necessário demonstrar que Weinstein atacou sexualmente pelo menos duas pessoas. Se ele for considerado culpado pelos crimes dos quais é acusado, o ex-todo-poderoso produtor de filmes enfrentará uma sentença máxima de prisão perpétua.

A promotora-adjunta Meghan Hast afirmou ontem em suas alegações iniciais que Weinstein transformou Sciorra em viciada em Valium e "a estuprou violentamente" depois de invadir seu apartamento em Nova York, numa noite do inverno de 1993-1994.

Então ele fez sexo oral contra sua vontade, acrescentou a procuradora.

Hast disse que Sciorra estava em choque e com muito medo de chamar a polícia. Recentemente, contou sua história publicamente em outubro de 2017 ao jornalista Ronan Farrow da revista The New Yorker.

"Ele a deixou física e emocionalmente arrasada, desmaiada no chão", contou a procuradora.

Numa oportunidade posterior, Weinstein chegou ao quarto de hotel da atriz em Cannes em roupas íntimas, com uma garrafa de óleo de bebê em uma mão e uma fita de vídeo cassete na outra.

Sciorra deverá passar por um duro interrogatório por parte da defesa.

Em suas alegações iniciais, o advogado de Weinstein, Damon Cheronis, disse que Sciorra contou uma vez que "fez uma loucura" com o produtor de cinema.

"Não a descreveu como estupro porque não era", disse Cheronis.

Mais de 80 mulheres denunciaram Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro desde o escândalo sobre seus supostos abusos em outubro de 2017.

No entanto, a maioria dos crimes prescreveu e Weinstein só será julgado por supostos ataques contra Haleyi e Mann.

*Com informações das agências AFP e AP

Violência contra a mulher