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Pedro Antunes

Como o k-pop explica as transformações de Andressa Urach?

Andressa Urach - Reprodução/Instagram @andressaurachoficial
Andressa Urach Imagem: Reprodução/Instagram @andressaurachoficial
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

27/10/2020 10h37

Sem tempo?

  • Andressa Urach está de volta?
  • A internet não sabe como lidar com o retorno do furacão Urach
  • "No topo da lista das pessoas mais interessantes do Brasil - quiça do continte", escreveu Chico Barney
  • No Twitter, estão dizendo que essa é a Nova Era da Andressa Urach
  • "Nova Era"? Bom, isso é uma linguagem do pop e do k-pop
  • Seria Andressa Urach k-pop e a gente que nunca tinha percebido?

Andressa Urach, como escreveu o colega de coluna do UOL Chico Barney, "continua no topo da lista das pessoas mais interessantes do Brasil - quiça do continente". E, de fato, ele tem razão. Andressa é um fenômeno. Até quando não quer.

É só ver a reação da web às recentes mudanças sutis de comportamento dela para sacar que Urach ainda é um furacão midiático.

Tem uma enquete aqui no UOL perguntando o que a gente acha da Andressa como convidada para o BBB 21, veja só. Alô, Boninho!

(Eu votei "sim", caso você queira saber. E, até fechamento desta edição, éramos a maioria esmagadora com mais de 68% dos votos)

Uma jornada de altos e baixos

Andressa Urach já foi ex-vice Miss Bumbum Brasil, participante histórica de A Fazenda 6, e teve cada movimento comentado em todos os sites de celebridades. Era estrela do finado site Ego, por exemplo.

O Brasil não tinha uma semana sem uma notícia relacionada com Urach, pelo menos até a conversão dela à religião evangélica.

É uma pena que a conta de Twitter de Andressa esteja desativada, ali vivemos grandes momentos, mas, enfim, tudo acaba. E a Primeira Era (sim, com letras maiúsculas) de Andressa Urach chegou ao fim na temporada 2014/2015, quando ela se converteu à religião evangélica e pediu para que os fãs parassem de compartilhar fotos nuas "da antiga Andressa Urach".

"Aquela Andressa morreu",
escreveu Andressa Urach no Twitter em um melancólico dia de maio de 2015.

De volta ao jogo?

Como o UOL bem contou, aos pouquinhos, Andressa Urach volta à cena e se mostra tão afiada quanto a versão anterior dela.

"Dentro da igreja está os piores demônios, aqueles que se dizem crentes, mas são os primeiros a levar as pessoas para o fundo do poço", disse ela, nos stories do Instagram.

É só ver: o nomezinho de Andressa Urach não sai dos assuntos mais comentados do Twitter e mais pesquisados do Google desde esse tido retorno.

No Twitter, o pessoal adora um meme e está feliz da vida, óbvio.

O que é uma "era"?

O k-pop dita as tendências e não é incomum a gente ver por aí a história de "a nova era" do grupo tal. A ideia de uma "era" é um ciclo. Dentro desse período, tudo muda dentro da estética, sonoridade e letras de cada artista. Toda a identidade se transforma.

Até mesmo quem não é kapopeiro conhece os nomes de artistas como BTS e BLACKPINK, dois dos maiores fenômenos dessa música pop deliciosa. Pois, ambos têm eras bem definidas e esmiuçadas pelos fandoms.

Uma "era" pode incluir um álbum, mas também funciona para singles e clipes. A ideia é demarcar a fase do artista ou grupo.

Claro, as "eras" estão na música pop toda. Madonna teve eras "before it was cool", por exemplo.

Quando um artista como Taylor Swift apaga todas as fotos das redes sociais para se preparar para um novo álbum, isso também pode ser considerada uma nova era?

Há debates, mas dá para dizer que sim.

Nem vou entrar na discussão de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha da criação do termo, o ponto é que o glossário do k-pop levou toda a história das Eras para a comunicação global.

E adivinhem quem mais se encaixa perfeitamente nessa ideia? Sim, a nossa Andressa Urach.

Andressa Urach é k-pop na essência?

Bom, não é literalmente k-pop por razões óbvias, mas Andressa manja das coreografias (como nesse gif acima) e o público dividir a carreira dela em eras.

Então, vamos entrar nessa brincadeira, certo?

A Primeira Era: a ascensão da vice-miss bumbum

Estilo de vida festeiro, postagens que viralizavam nas redes sociais, um segundo lugar no concurso Miss Bumbum Brasil de 2012, uma participação histórica no reality show A Fazenda no ano seguinte.

A primeira era de Andressa Urach marca o início da ascensão dela à fama. No Twitter, ela publicava frases de efeito como essa:

"Quanto mais falam mal de mim mais minha bunda cresce"
Publicada em 24 de março de 2014

Ou essa aqui:

"Já que o Brasil gosta de Putaria! Então viva a Putaria!"
Publicada em 28 de setembro de 2013

Nesta era, o furacão Andressa Urach atingiu um auge de popularidade como a subcelebridade mais famosa do Brasil. Posto para poucos (e isso não é um demérito nem um deboche).

Foram as decisões dessa fase, contudo, que levara a nossa kpopper brasileira não-oficial favorita para a Segunda Era.

A Segunda Era: experiência de quase morte e religião

Andressa viveu uma experiência de "quase morte", como ela descreveu em entrevistas, depois que o hidrogel injetado coxas e glúteos anos antes infeccionou. Ela foi internada na UTI, passou por cirurgias. Foi bem séria a coisa toda.

E Urach voltou transformada da experiência. Lançou uma biografia de título "Morri Para VIver", que chegou a ficar no 1º lugar entre os livros mais vendidos na época do lançamento, em 2015. Ela, de fato, atrai a atenção por onde passa e pelo que faz.

Converteu-se e passou a ser pastora de uma Igreja Universal do Reino de Deus em Porto Alegre.

Essa é a fase cujo fim é comemorada pelo pessoal do Twitter, a partir das notícias de que a ex-vice Miss Bumbum e ex-A Fazenda também é se tornou ex-pastora.

A Terceira Era?

Há quem diga que Andressa estaria voltando à primeira era dela, como neste tuíte acima, mas me parece pouco provável.

Ainda que sejam desconhecidos os outros aspectos dessa nova era de Andressa Urach, é possível ela parta para uma linguagem moderada, nem tanto a primeira versão, nem a segunda.

A minha sugestão é que ela tente algo saudável, nos moldes da era do BTS da trilogia "Love Yourself" (que inclui um álbum, um EP e uma coletânea), sabe?

Ali, eles cantaram sobre se entender, se conhecer e amar quem se é - e os levou para a atual fase da aceitação, com o docinho álbum "Map of the Soul: Persona". Pode ser uma boa para ela.

O que importa é que Andressa Urach está de volta. Esse 2020 está louco, mesmo:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.