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Pedro Antunes

Show mixuruca de Anitta na final da Libertadores deu trabalho para Téo José

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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

27/11/2021 17h40

A culpa talvez seja nossa, minha e sua.

Em uma final da Copa Libertadores com dois times brasileiros e a escalação de Anitta para um show de abertura antes da partida, queríamos um Super Bowl para chamar de nosso.

Explico: na tradicional final do campeonato estadunidense de futebol americano, artistas disputam a tapa uma chance de se apresentar ali. É um espetáculo de luzes, coreografias de cair o queixo exibidas enquanto as músicas tocadas se tornam hinos do pop.

Por aqui, na tarde desse sábado, recebemos no máximo um "Mixuruca Bowl". De super, houve pouco, quase nada.

Sem nenhuma estrutura a não ser um palco pequeno montado no centro do gramado do estádio Centenário, em Montevidéu, Anitta fez o que pôde.

Emendou três músicas acompanhada por quatro bailarinas atrás de si: "Bola Rebola", "Me Gusta", "Me Gusta" e "Combatchy".

O mais parecido com um Super Bowl foi, em "Me Gusta", quando 20 dançarinas entraram no gramado para uma coreografia mais grandiosa e rolava alguma pirotecnia.

Só que nas versões originais, estas três músicas têm participações especiais. O playback com estas vozes vindas do além foi tão emocionante quanto assistir um ovo cozinhar no micro-ondas.

Em nenhum momento fez arrepiar. Foi protocolar.

Emocionado, mesmo, estava o Téo José, narrador do SBT que tentou dar emoção e calor à performance anunciando cada uma das faixas como se fosse um gol ou um drible desconcertante.

Não era, infelizmente. O veterano apresentador deve ter suado para criar alguma emoção narrativa ali.

Em 2019, na final da Libertadores disputadas entre River Plate e Flamengo, em Lima, Anitta tinha a companhia de Fito Páez, Tini e Sebastián Yatra. Junto, o quarteto apresentou "Y dale alegría a mi corazón".

A brasileira cantou sozinha por 36 segundos na época, em uma versão traduzida para português da estrofe repetida pelos hermanos, antes de se juntar a eles no refrão. A justificativa é que Anitta estava fora do seu lugar artístico na ocasião.

Desta vez, não. Foram quase 6 minutos de performance. Sem estrutura e com um áudio que, na transmissão do SBT falhava o tempo todo, Anitta não deu um espetáculo ou algo parecido.

O pré-jogo arrepiou, mesmo, quando baterias de Flamengo e Palmeiras tocaram juntas "Baile de Favela". Neste momento, Anitta não estava mais no palco.

10 fotos que definem o show de Anitta na final da Libertadores 2021

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes), no Twitter (também @poantunes) ou no TikTok (@poantunes, evidentemente).