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Nego Bala: 'Sobrevivi para protagonizar minha própria história'

Nego Bala lança o curta-metragem de "Sonho" com equipe que criou Bluesman, de Baco Exu do Blues - Foto: Larissa Zaidan / Montagem: Pedro Antunes
Nego Bala lança o curta-metragem de 'Sonho' com equipe que criou Bluesman, de Baco Exu do Blues Imagem: Foto: Larissa Zaidan / Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

24/11/2021 13h29

Os versos de "Sonho" nasceram enquanto Nego Bala vivia seu maior pesadelo.

Ele tinha só 12 anos de idade e estava encercerado na Fundação Casa. Rimava os trechos da música que, 11 anos depois, abririam o seu álbum de estreia, "Da Boca do Lixo", lançado hoje, ao meio-dia. Sem ter onde anotar o que criava ali, passava as madrugadas repetindo-os para guardá-los na memória.

Aquelas palavras funcionavam também um mantra otimista em meio ao inferno e caos.

Hoje conhecido como Nego Bala, Marcelo Abdinego Justino Generoso sobreviveu às maiores asperezas da vida. Hoje, canta o sonho de "Sonho" ao lado de Elza Soares, uma faixa com funk na essência, mas também extrapola esses limites e alcança outros lugares.

Tão importante para toda a narrativa artística de Nego Bala, "Sonho" também se tornou um curta-metragem realizado em uma parceria entre a AKQA\Coala.LAB e produzido pela Stink Films, que pode ser assistido logo abaixo.

É uma narrativa que emociona.

Essa mesma parceria foi responsável pelo vídeo de "Bluesman", do rapper Baco Exu do Blues, vencedor de um Grand Prix na categoria "Entertainment for Music" do Cannes Lions.

UOL publicou em 2019 um perfil do Nego Bala sobre a sua jornada, da vida como morador da cracolândia ao funk consciente. Vale a leitura.

Perguntei a Nego Bala, então, sobre o que "Sonho" representa para ele, depois de passar quase metade da vida como mantra.

Essa letra eu criei e memorizei na Febem, dentro de uma panela de opressão. Não tinha nada para canetar, eu tive que memorizar. Quase perdi ela, resgatei com o tempo, na memória. Canetei ela no mundão, na rua, depois de um tempo. Transformar essa poesia em música, em funk, com o mesmo modelo de moog que o Pink Floyd usou, ou o mesmo modelo Roads que o Ray Charles usou, foi a parte mais icônica da história. Isso é funk, é a nossa história. É a história da nossa música de alguma forma também."

Com o álbum de estreia enfim lançado (ouça na plataforma de streaming favorita), Nego Bala corre atrás de um futuro que, por tantas vezes, foi-lhe negado.

Por fim, perguntei a Nego Bala o que sentiu ao ver sua vida na tela.

Vejo que consegui sobreviver para protagonizar a minha própria história com a minha arte e a maneira de ouvir e ver o mundo. Parte desse filme estava na minha mente e poder construir essa história somando forças, com um time de primeira, foi a receita pra chegar onde chegamos: pisar num set de filmagem em que tudo pode ser construído com o máximo de atenção, compromisso, qualidade? É o sonho de um menino que tá virando realidade."

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes), no Twitter (também @poantunes) ou no TikTok (@poantunes, evidentemente).