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'BBB 21': Lumena está certa na discussão sobre homens 'vestidos de mulher'

BBB 21: Lumena e Caio conversam - Reprodução Globoplay
BBB 21: Lumena e Caio conversam Imagem: Reprodução Globoplay
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

27/01/2021 17h33

A tarde desta quarta-feira (27) reservou o primeiro desentendimento entre os participantes do "BBB 21". Depois de ver alguns dos homens da casa maquiado e, teoricamente, brincando, Lumena resolveu mostrar seu incômodo. "Em mim tocou em um lugar muito violento, sei que você não tem amiga travesti, amigo trans. Então você não viu o que eu vi", afirmou a psicóloga em conversa com Caio, que já estava na defensiva após ouvir as opiniões de Juliette e Sarah.

Afinal, qual o problema de homens usarem maquiagem? A resposta é nenhum, se a questão for resumida pura e simplesmente a isso. Acessórios cosméticos existem para ser usados por todos e todas. A questão neste caso é mais profunda: colocar um batom na boca e rímel nos cílios autoriza alguém a transformar os outros em chacota? Vamos pensar juntos.

Durante parte de suas conversas com os companheiros de confinamento, Lumena usou por diversas vezes a palavra perfomance. O ator de "perfumar" em momentos como estes é muito claro: os homens não passam a atuar, criar trejeitos. Curiosamente, a maior parte dos trejeitos usados por Caio, por exemplo, lembram caricaturas de travestis ou gays afeminadas.

Não é incomum. Preste atenção. Puxe pela memória, pense nos seus amigos "vestidos de mulher". Eles imitavam a mãe, a irmã ou tinham um comportamento exagerado, como se o fato de colocar uma roupa feminina o colocasse no que eles pensam que é travestilidade? Sendo mais claro: por que, na cabeça de determinados homens heterossexuais, usar um vestido e batom não aflora sua feminilidade, mas, sim, a transforma em algo jocoso, em tom de piada, em caricatura?

No país que mais mata LGBTs no mundo, especialmente a população trans, não parece minimamente irônico que travestis sejam lembradas apenas como chacota? Para grande parte da população, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Há quem confunda uma drag queen - alguém que cria uma personagem e usa como trabalho - com uma travesti - alguém que vive sua verdade e sua identidade plenamente, sem disfarces.

Na casa do "BBB", Camilla de Lucas mostrou compreender o incômodo da amiga. "A partir do momento em que você acha que ser homem e estar maquiado permite que você imite um jeito de outra pessoa, aí que está o erro", disse. Karol Conka, alertada, entendeu a questão. Com diálogo, é fácil avançar em assuntos espinhosos.

Sem querer, Caio e os homens da casa foram ofensivos, sim. Precisam de maior esclarecimento. Lumena pareceu disposta a dar, mas esbarrou na falta de empatia de Sarah e Juliette. Quando se tira sarro de quem é atacado ou xingado constantemente apenas por viver sua vida, em atos cotidianos, não é engraçado para o alvo da "piada". A opressão e o desrespeito não são anedotas. O Brasil precisa estar pronto para ter esta conversa.