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É possível aumentar empatia? Saiba o que é e como melhorar suas relações

Empatia tem o significado de se colocar no lugar do outro - iStock/Getty Images
Empatia tem o significado de se colocar no lugar do outro Imagem: iStock/Getty Images

Carol Firmino

Colaboração para VivaBem

07/12/2020 04h00Atualizada em 16/04/2021 14h45

Resumo da notícia

  • Ter empatia é se colocar no lugar do outro. No entanto, ser empático envolve saberes diversos e mais profundos
  • Por mais que leituras, conversas e reflexões ajudem a compreender o outro, a melhor maneira de ser uma pessoa empática é na vida real
  • Ela pode ser exercida tanto com amigos e pessoas próximas quanto em ambiente profissional ou no consultório médico

Você pode já ter ouvido alguma vez aquele pedido para ser "mais empático". Ou, então, escutou algum comentário crítico sobre uma pessoa (ou até você mesmo) não possuir empatia. Mas, afinal, o que é empatia?

O sentimento é para lá de abstrato e seu desenvolvimento varia de pessoa para pessoa. Às vezes somos empáticos com algumas situações, mas não com outras. Por trás de tudo isso, está a prática de se colocar no lugar do outro —e, claro, isso pode ser desenvolvido com algumas técnicas.

O que é empatia?

No dicionário, uma das definições diz que ela é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente e de querer o que ela quer. Em resumo, poderíamos dizer que ter empatia é se colocar no lugar do outro. No entanto, ser empático envolve saberes diversos e mais profundos.

Com a empatia, a sensação é de ser aquela pessoa e, por isso, compreender escolhas, alegrias, medos, arrogância, agressividade e ignorância, ou seja, o que há de bom e de ruim em alguém. É acreditar que faria exatamente a mesma coisa.

Mas como abandonar as próprias emoções, crenças ou expectativas para viver a empatia em sua totalidade? Para caminhar por essa estrada de aprendizado é necessário entender que ninguém é perfeito. Segundo a especialista em autoconhecimento e inteligência comportamental Heloísa Capelas, não é possível chegar ao amor sem empatia, por isso, essa é uma capacidade tão importante.

"Eu preciso primeiro me abrir, olhar para o outro do ponto de vista dele, renunciar aos meus julgamentos, minhas verdades e minhas crenças. Poder me abrir para poder compreender o que o outro está vivendo é empatia, e ela vem muito antes do amor", afirma.

Como melhorar a empatia?

empatia - iStock/Getty Images - iStock/Getty Images
Existem exercícios diários para você melhorar sua empatia
Imagem: iStock/Getty Images

A empatia é uma competência que só se desenvolve na prática. Por mais que as leituras, as conversas e as reflexões ajudem a compreender a vida e as dificuldades do outro, a melhor maneira de ser uma pessoa empática é na vida real. O lado bom é que, enquanto se tenta ter empatia com alguém, esse mesmo alguém pode estar neste processo com você, o que deixa as tentativas mais verdadeiras. Saiba como começar:

  • Não julgue: esse talvez seja o primeiro mandamento para ter empatia. Quando escolhe não fazer julgamentos, é capaz de ouvir, acreditar e se aprofundar sem procurar pelas falhas. Em vez de julgar, indique caminhos possíveis para dias melhores.
  • Abra-se para as histórias: prestar atenção nos detalhes, questionar menos, superar os próprios preconceitos, tudo isso envolve compreensão e aceitação. "Ser empático não é concordar com tudo, mas compreender do seu ponto de vista", indica Elizângela Barbosa, consultora especialista em assessoria para Recursos Humanos.
  • Pratique a escuta atenta: "Caso não possa ouvir a pessoa naquele momento, seja gentil em dizer que não pode e o procure assim que possível", completa Elizângela. Essa é uma decisão inteligente, pois ter empatia significa se envolver com o que se está escutando. Preste atenção no tom de voz e à linguagem corporal.
  • Esteja disposto: não só a ouvir, mas a ajudar, colocar a mão na massa. Procurar viver situações desconhecidas para entender o que as pessoas que estão inseridas naquele contexto enfrentam faz parte dessa disposição.
  • Reconheça as diferenças: somos iguais em nossa humanidade, mas, ao mesmo tempo, completamente diferentes uns dos outros. Esse reconhecimento nos coloca no lugar de vulnerabilidade necessário para nos deixar enxergar cada pessoa de uma maneira.
  • Trate bem as pessoas: cuide de sua postura nos momentos de estresse e, durante os conflitos, seja gentil. Lembre-se de que o momento passa, os problemas serão resolvidos e sua postura diante deles, caso seja ruim, nunca será esquecida.
  • Demonstre confiança: fofocas, críticas e exposição desnecessária estão no lado oposto da empatia. Isso afasta as pessoas, provoca insegurança e ansiedade, por isso, mostrar-se alguém sincero e de confiança torna as relações empáticas.

Empatia no âmbito profissional

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Empatia é vital para ser respeitado no ambiente de trabalho
Imagem: iStock/Getty Images

Para além das relações pessoais, existe a crença de que a empatia é um tipo de faculdade a ser desenvolvida em âmbito profissional. É o caso de Fabiana Gutierrez, cofundadora da Carlotas, uma empresa com propósito social, que tem como objetivo espalhar empatia e respeito à diversidade, contribuindo para desenvolver relações humanas mais harmoniosas.

"Não apenas lutamos e defendemos isso, por meio de oficinas e programas em empresas e escolas, mas investimos 10% do nosso faturamento bruto na causa. Esse investimento é o Programa Explore Carlotas, que objetiva levar gratuitamente o diálogo e o desenvolvimento das competências socioemocionais para instituições de educação e assistência públicas", explica Gutierrez.

A atuação da empresa se dá em diferentes frentes. Entre elas, estão os programas de desenvolvimento humano e responsabilidade social para empresas e organizações, e parcerias com escolas públicas e particulares para a formação de educadores e alunos por meio de suas competências socioemocionais.

Outro exemplo de como a empatia pode extrapolar —de um jeito bom — as relações pessoais é o trabalho desenvolvido por Fernanda Guerra, advogada pioneira na abordagem de Contratos Conscientes. "A proposta é termos um documento vivo que sirva de guia para a relação que as partes trouxeram para o contrato. O contrato passa a ser baseado em valores e cria ações, e não regras, para gerar sustentabilidade aos negócios e aos relacionamentos", diz.

Segundo a advogada, por meio da vulnerabilidade e da empatia, é possível que as partes desistam de ter razão e passem a se reconhecer como seres humanos, capazes de errar e acertar.

Empatia nas relações médicas

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Empatia é importante na relação do médico ou terapeuta com paciente
Imagem: iStock/Getty Images

Ser médico requer uma atuação empática, independentemente da especialidade. A profissão não exige apenas ouvir, mas escutar com atenção, individualizar e fazer com que o tempo no consultório ou no hospital seja de qualidade, pois é esse momento que ajuda a fortalecer a relação com o paciente —algo essencial para viabilizar diagnósticos, tratamentos e resultados em geral.

De acordo com a psiquiatra infanto-juvenil Jaqueline Bifano, a psiquiatria é um espaço em que ser empático se faz ainda mais necessário, já que o médico precisa não só diagnosticar o problema, mas realizar o acolhimento.

"Ninguém procura um psiquiatra porque está tudo bem. Lidamos com medos, ansiedades, transtornos, depressão, dentre outros sentimentos. Ser empático através do olhar, do tom de voz e do nosso comportamento ajuda o paciente a se abrir ainda mais, a querer e conseguir a melhora que tanto precisa. Nós, como médicos, temos de ser mais sensíveis à dor e ao sofrimento do outro, mas sem experimentar a angústia", afirma. Ela aponta, ainda, que o caminho para o lado oposto ao da angústia é o de compaixão e empatia.

Dicas para ter mais empatia

Às vezes, as coisas não são ditas e aquilo que se queria dizer fica guardado por muito tempo. Por isso, a capacidade de identificar nas atitudes e no comportamento o que alguém deseja falar, mas ainda não consegue, é um exercício positivo para quem está em busca de melhorar essa competência.

Outro ponto é tentar reconhecer em si mesmo essa dificuldade. Por exemplo: no dia a dia de um casal, uma pia de louças sujas pode ser motivo para uma grande briga. É possível que dizer "Eu sou o único a cuidar da casa" tenha um impacto diferente de "Eu me sinto triste quando você não vê que estou cansado". Ou seja, exercer a comunicação de forma não violenta viabiliza um diálogo de mais compaixão, sem acusações.

O problema, no entanto, é que a paciência com pessoas que não conhecemos tende a ser maior. Colocamos as máscaras da simpatia, da resiliência, da compreensão e até mesmo da empatia a fim de tentar nos adequar às situações e, principalmente, às expectativas do outro. Buscamos recursos para moldar socialmente os comportamentos aceitáveis, mas essas máscaras não duram o tempo o todo e caem no fim do dia. Por isso, a dica especial para ser uma pessoa ainda mais empática é treinar essa habilidade com os seus: desatar os nós para melhorar os laços.

De acordo com Capelas, também é importante ter em mente que a empatia nunca prejudica os relacionamentos. "Eu só posso ser empático com alguém se eu for empática comigo mesmo. Isso significa que eu posso compreender as minhas misérias emocionais, posso perdoar as minhas mazelas, fortalecer os meus talentos, me apropriar dos meus recursos internos, aprender a ser proprietária de mim e, assim, ser empática com o outro", diz.

Fontes: Ana Gabriela Andriani, psicóloga graduada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), mestre e doutora pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com pós-graduação em terapia de casal e família pelo The Family Institute, da Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos, e especialização em psicoterapia dinâmica breve pelo IPq-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas); Elizângela Barbosa, consultora especialista em assessoria para Recursos Humanos com ênfase em plano de cargos e salários, gestão por competências e performance e treinamentos; Fabiana Gutierrez, cofundadora de Carlotas, graduada em Ciências da Comunicação e Mídia pela ESPM (Escola de Propaganda e Marketing) e MBA pelo Insper, em São Paulo; Fernanda Guerra, advogada brasileira pioneira na abordagem de Contratos Conscientes e pós-graduada em neurociência e comportamento pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul); Heloísa Capelas, especialista em autoconhecimento e inteligência comportamental, assistente social, pós-graduada em administração com ênfase em Recursos Humanos, fundadora e diretora do Centro Hoffman, coach, master practitioner em PNL (Programação Neurolinguística) e terapeuta familiar; Jaqueline Bifano, psiquiatra infanto-juvenil, graduada em Medicina pela UFF (Universidade Federal Fluminense) especialista em psicoterapia pelo IP-UFRJ (Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro); Leonardo Morelli, psicólogo, mestre em psicologia pelo Centro Ericksoniano do México, na Cidade do México, e especialista em psicoterapia ericksoniana pela The Milton Erickison Foudation em Phoenix, Estados Unidos.

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