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Tudo o que você precisa saber para cuidar do seu pet

Check-up também é coisa de gato! Repórter relata aventura com seu bichano

A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

19/08/2021 04h00

Incluir check-ups periódicos na rotina de cuidados com os animais está entre as mais novas recomendações de veterinários e especialistas, que têm adotado um protocolo "humano" para garantir o bem-estar dos bichinhos. Foi o que eu fiz com um dos meus pets antes de escrever este texto, que é sobre amor, saúde, felicidade e longevidade.

Caetano e Elis são irmãos, filhos da mesma mãe. Ele, o gatinho laranja mais meigo que qualquer pessoa já conheceu. Ela, a felininha tricolor mais arisca e cheia de personalidade que você pode imaginar. Eu, a humana que mora na casa deles.

Na verdade, nunca vi gatinhos que mais combinassem com os nomes. Você pode pensar em Caetano, o Veloso, e em Elis, a Regina, e pronto: vai saber exatamente quem seriam os meus gatos caso eles de repente acordassem humanos lá na segunda metade da década de 70.

Começa a aventura

Meigo, o gatinho Caetano "topou" acompanhar Juliana na aventura até a clínica veterinária - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Meigo, o gatinho Caetano "topou" acompanhar Juliana na aventura até a clínica veterinária
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Corta para 2021, manhã de inverno e lá vamos nós para um dia supostamente comum de check-up dos gatos. Quem convive com os bichanos, sabe o quanto é sofrido sair com eles de casa e, pior ainda, fazê-los entrar na tal caixinha de transporte.

Agora imagine a cena: um fotógrafo (o Fernando Moraes, responsável pelas imagens desta reportagem), as luzes, todo o equipamento, eu, as caixinhas e os dois já elaborando o plano de fuga.

Os gatos odeiam ficar presos na caixinha de transporte e também detestam sair de casa. Por quê?"

A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Questiono, no meu mais sincero sofrimento de todas as vezes em que tive de tirar a duplinha do conforto do lar. Bobagem. A veterinária especializada em felinos, Thais Santana Sousa, explica que a minha pergunta não passa de um mero devaneio de "mãe de gatos". Julguem-me!

Não é isso. Eles não odeiam sair de casa nem a caixa de transporte. Os gatos são muito inteligentes e fazem associações como 'entrei na caixinha e ela me levou para o veterinário' ou 'fomos viajar e fiquei quatro horas na caixinha miando estressado'.

Por isso que recomendamos aos tutores que não deixem as caixas guardadas, mas que as disponibilizem para que os gatos utilizem, entrem e saiam delas, no dia a dia em casa. E eles também não odeiam sair de casa. O que eles querem é ir sozinhos", diz.

Fato. Eles não querem sair comigo e são muito inteligentes. Vide a atitude de Elis, outra pimentinha como a homônima cantora, no dia da saída para o check-up: sem respeito algum pelas leis da física, entrou atrás de um fogão embutido, onde permaneceu escondida das lentes do Fernando até o final da sessão de fotos.

A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano. Elis, que deveria ir na segunda caixinha, se escondeu pela casa - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano. Elis, que deveria ir na segunda caixinha, se escondeu pela casa
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Mas não sem antes driblar a tentativa de incluí-la nas imagens escapando pelo meu ombro e deixando um belo arranhão de lembrança no meu rosto.

Resultado: estressada como uma celebridade fugindo dos paparazzi, Elis escapou do "passeio".

Ponto para a simpatia de Caetano, que além de posar para as imagens, fez amizade com o dono da câmera. Guardados os equipamentos, estancado o sangue que escorria pelo meu rosto, lá fomos nós: eu, o fotógrafo, duas caixinhas e só um gato.

Entre "cantoria" e rosnados

A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano a caminho do check-up - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano a caminho do check-up
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Nem preciso dizer que Caetano cantou quase toda a discografia do xará no curto caminho de meia hora até o local dos exames, a Seres Petz/Ricardo Jafet, em São Paulo. Só parou mesmo quando finalmente foi liberado da caixinha na sala especial só para gatos, onde os felinos podem explorar o ambiente enquanto aguardam atendimento.

No caso dele, que tem quase 3 anos e ainda é considerado um gatinho jovem, a fase inicial do check-up inclui uma análise clínica do veterinário com questionamentos ao tutor relacionados a alimentação, vacinas, hábitos e possíveis queixas. Exames de sangue e eletrocardiograma fazem parte da segunda etapa.

"A partir dos 6 ou 7 anos, os gatos são considerados idosos. Então, nesta idade, incluímos mais exames", explica Michelle Caroline Claviço, clínica geral, cardiologista e coordenadora da Seres Petz.

A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano chegam para o check-up na clínica Seres da Petz - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi e seu gato Caetano chegam para o check-up na clínica Seres da Petz
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Os check-ups não são indicados apenas para cães e gatos, mas também para animais como iguanas, porquinhos-da-Índia, calopsitas e chinchilas. "Afinal, grande parte dessa nova categoria de bichos de estimação costuma ser mais frágil ou requer cuidados diferenciados quando trazida para o ambiente doméstico", explica a veterinária Valéria Pires Corrêa, diretora técnica do Centro Veterinário Seres Petz.

No caso do Caetano, que odiou a picada para o exame de sangue e perdeu a linha ao rosnar quando viu a parafernalha do eletrocardiograma, o check-up poderia viabilizar diagnósticos precoces e prevenir doenças de diferentes tipos.

Gato Caetano passa por eletrocardiograma - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Gato Caetano passa por eletrocardiograma
Imagem: Fernando Moraes/UOL

"Assim como nós, pets de diferentes espécies desenvolvem problemas de saúde em função de múltiplos fatores. Além disso, muitos sequer choram de dor nos estágios iniciais das doenças que costumam apresentar. Alguns deles só são levados ao veterinário quando já estão bastante debilitados", afirma Valéria.

Prevenção vale ouro

Para a minha surpresa e tristeza, não apresentar sintoma algum foi o caso do meu gato. Através do exame de sangue, foi detectado um índice de creatinina fora dos padrões normais. O que isso quer dizer? Que o Caetano pode desenvolver uma doença renal, já que a creatinina é um indicador de que algo não vai bem com a função dos rins.

A jornalista Juliana Finardi acompanha seu gato Caetano em um check-up - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
A jornalista Juliana Finardi acompanha seu gato Caetano em um check-up
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Em virtude do resultado, voltamos para uma ultrassonografia abdominal que (aleluia!) concluiu que a morfologia dos rins do bichano está totalmente preservada. "O formato está ótimo, o tamanho também, não há nenhum cisto e outros pontos que avaliamos para constatar se existe alguma falência renal não foram observados", explica Thais.

A recomendação, já seguida à risca, foi de aumentar a ingestão de água e mudar a alimentação do Caetano com a inserção de mais sachês (alimentos úmidos) e de uma ração seca específica para gatinhos com problemas renais. Outro exame de sangue será realizado novamente em um mês e o check-up, repetido anualmente.

Gato Caetano passa por exames - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Gato Caetano passa por exames
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Aqui em casa, todos passam bem. Mantendo o jeito Elis de ser, ela adorou a ração do Caetano e corre para o pote sempre que pode. A cicatriz do arranhão no meu rosto quase não se vê mais e Caetano segue na paz de um "acordo com o tempo", como na "Oração do Tempo", de Veloso.

Se ele pudesse dar um conselho a você, seria: use protetor solar, beba bastante água e leve seu pet para um check-up.

Planos de check-up

A maioria dos hospitais veterinários e clínicas já recomendam check-ups para os tutores de pets.

Pronto, Caetano! Acabou o check-up e agora a Elis já pode sair da toca - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Pronto, Caetano! Acabou o check-up e agora a Elis já pode sair do esconderijo
Imagem: Fernando Moraes/UOL

"Pensando no bem-estar, longevidade e convivência diária, o comportamento dos donos em relação ao animal tende a ser preventivo e não curativo. Por isso, a importância de manter as vacinas em dia, realizar check-ups e visitas regulares de rotina ao médico veterinário, minimizando atendimentos de emergência que poderiam ser evitados", afirma Carla Berl, fundadora da rede Pet Care.

Para garantir os check-ups, a rede lançou o plano EzVet (válido para a rede credenciada e hospitais próprios), uma espécie de pacote com serviços e cuidados para os cães e gatos com tratamentos de rotina, vacinação e check-ups para todas as etapas da vida.

Os valores dos planos variam de acordo com a idade dos animais e custam entre R$ 1.198,80 e R$ 4.558,80 e o plano pode ser parcelado em até 12 vezes.

Na rede Petz, o check-up para um gato jovem custa a partir de R$ 330 incluindo exames de sangue e eletrocardiograma.