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Olimpíada é adiada pela primeira vez após acordo entre Japão e COI

O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em reunião com outros membros do governo em Tóquio - JIJI PRESS/AFP
O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em reunião com outros membros do governo em Tóquio Imagem: JIJI PRESS/AFP

Demétrio Vecchioli, Jamil Chade e Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo e Genebra (Suíça)

24/03/2020 09h32Atualizada em 25/03/2020 12h22

Depois de muitos pedidos e revolta de atletas pela demora de um posicionamento do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio em meio à pandemia de coronavírus, o governo japonês e a entidade entraram em acordo para adiar a Olimpíada e a Paralimpíada. A cerimônia de abertura olímpica estava marcada para o dia 24 de julho, enquanto o evento paraolímpico começaria em 25 de agosto. Uma nova data de abertura ainda não foi definida, mas o anúncio, feito hoje (24) após videoconferência entre as autoridades japonesas e membros do COI, fala em 2021.

Essa é a primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de verão que o evento é adiado. Em outras ocasiões, por causa das duas Guerras Mundiais, a competição foi cancelada: 1916, 1940 e 1944. Em 1940, inclusive, os Jogos estavam marcados para Tóquio. Os Jogos Olímpicos de inverno, porém, já passaram por isso: nos anos 1990, o COI adiou o evento de 1992 para 1994, para evitar dois grandes eventos no mesmo ano — as duas Olimpíadas eram realizadas no mesmo ano desde 1924.

Nem mesmo em meio a acontecimentos graves o evento parou. Em 1972, por exemplo, os Jogos de Munique seguiram apesar do atentado que matou 11 membros da delegação israelense dentro da Vila Olímpica alemã. Em 1996, um atentado à bomba em Atlanta matou duas pessoas e feriu 100, mas as Olimpíadas foram concluídas nos EUA.

"O prejuízo será imenso, não só aos atletas como aos organizadores, os patrocinadores, mas foi uma decisão sábia, calculada. A gente sabe que se os Jogos fossem agora em julho seria uma catástrofe", afirmou o ex-jogador de vôlei e membro do COI Bernard Rajzman. "Diversas desigualdades aconteceriam, injustiças inclusive. Cada continente está num ciclo em relação ao vírus. Na Ásia já está passando. No Brasil, por exemplo, o ciclo está chegando com maior força."

O medalhista olímpico (prata em Los Angeles-1984) também afirma que a Olimpíada será realizada na metrópole japonesa "no máximo até o verão de 2021" —novamente em referência à estação no Hemisfério Norte.

Bicampeão olímpico, velejador Robert Scheidt apoia adiamento

UOL Esporte

Ameaças de boicote pesaram

O primeiro a falar sobre o adiamento foi o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que explicou que chegou a um acordo com o presidente do COI, Thomas Bach, para o adiamento em um ano. A decisão foi tomada depois que Tóquio registrou o maior número de casos de Covid-19 em um dia: ontem, 16 pessoas receberam exames positivos para a doença. Fora do Japão, outro ponto de influência foi a ameaça de boicote. Alguns países anunciarem que não enviariam suas delegações ao país oriental num momento em que a quarentena é incentivada em diversos territórios.

O Comitê Olímpico Internacional soltou uma nota explicando que ainda não há uma data definida para a volta dos Jogos, mas que o evento deve acontecer até o verão de 2021 no Hemisfério Norte (que começa no final de junho) e manterão o nome Tóquio-2020. "O Presidente do COI e o primeiro ministro do Japão concluíram que os Jogos de Tóquio devem ser remarcados para uma data posterior a 2020, mas o mais tardar no verão de 2021, para proteger a saúde dos atletas, todos envolvidos nos Jogos Olímpicos e a comunidade internacional", diz o comunicado do Comitê Olímpico Internacional.

O anúncio se dá dois dias depois de o Comitê Olímpico mudar a postura em relação à realização dos Jogos em 2020 e afirmar que o evento poderia ser adiado e uma resposta oficial seria dada em até quatro semanas. O limite de tempo foi posto pelo COI, porque não é nada simples adiar um evento do porte de Olimpíada, com todas suas complexidades. São patrocinadores, grupos de mídia, atletas e muitos outros envolvidos. A Vila Olímpica, por exemplo, foi comercializada para que pessoas comuns morassem no local logo após os Jogos.

A mudança de postura se deu depois de comitês olímpicos nacionais, como dos EUA, da Austrália e do Brasil, cobrarem o adiamento. O Canadá chegou a avisar que não mandaria seus atletas caso a Olimpíada fosse mantida em 2020.

Tóquio segue como "2020"

O comunicado do COI ainda ressalta que o nome permanecerá Tóquio-2020 e a chama olímpica, que chegou na última semana a Tóquio em cerimônia discreta, permanecerá na cidade como símbolo de esperança.

Pôsteres de Tóquio-2020

"Os líderes concordaram que os Jogos Olímpicos de Tóquio poderiam ser um farol de esperança para o mundo durante esses tempos difíceis e que a chama olímpica poderia se tornar a luz no fim do túnel em que o mundo se encontra atualmente. Portanto, foi acordado que a chama olímpica permanecerá no Japão. Também foi acordado que os Jogos manterão o nome de Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020", explica a nota.

De acordo com a rede de televisão japonesa NHK, Abe expressou seu apreço pelo fato de a decisão do COI estar de acordo com a política do Japão de realizar os Jogos na íntegra. Segundo a emissora, ele então proporá ao COI um adiamento de cerca de um ano e solicitará que as decisões sejam tomadas o mais rápido possível, incluindo o cronograma de adiamento. No anúncio, Abe disse que Bach "concordou em 100%" com a proposta.

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