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Olimpíada: adiamento acontece após críticas ao COI e ameaças de boicote

Thomas Bach, presidente do COI - Jean-Christophe Bott/Keystone via AP
Thomas Bach, presidente do COI Imagem: Jean-Christophe Bott/Keystone via AP

Jamil Chade

Do UOL, em Genebra (Suíça)

24/03/2020 10h10

A decisão de adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 para 2021 ocorreu depois que o COI e os organizadores japoneses foram alvos de duras críticas por parte de federações de diferentes modalidades e de comitês olímpicos nacionais. No domingo, uma reunião entre os principais atores envolvidos no processo foi concluída com uma decisão que irritou dirigentes pelo mundo: o COI e o Japão decidiram não decidir e dar mais quatro semanas para que um posicionamento oficial fosse anunciado.

Horas depois, delegações como a do Canadá e da Austrália indicaram que não mandariam seus atletas. Os times de natação de França e EUA já tinham sinalizado na mesma direção. Sebastian Coe, presidente da Federação Internacional de Atletismo, também apelou para que o evento fosse repensado.

O que era para ter durado quatro semanas acabou sendo abreviado para apenas dois dias. Nesta terça-feira, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, e o Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, realizaram uma teleconferência e ficou estabelecido que o adiamento seria anunciado como sendo uma proposta do Japão, e não uma imposição do COI.

Num comunicado cuidadosamente redigido, o COI indicou que "o presidente Bach e o primeiro-ministro Abe expressaram a preocupação comum sobre a pandemia mundial da COVID-19, e o que ela está fazendo com a vida das pessoas e o impacto significativo que está tendo na preparação dos atletas globais para os Jogos".

"Em uma reunião muito amigável e construtiva, os dois líderes elogiaram o trabalho do Comitê Organizador de Tóquio 2020 e notaram o grande progresso que está sendo feito no Japão para lutar contra a COVID-19", afirma a nota, sempre preocupada em não manchar a imagem dos japoneses.

"A propagação sem precedentes e imprevisíveis do surto viu a situação no resto do mundo se deteriorar. Ontem, o Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a pandemia da COVID-19 está 'acelerando'. Há mais de 375 mil casos registrados agora no mundo e em quase todos os países, e seu número está crescendo a cada hora", apontou o documento.

"Nas circunstâncias atuais e com base nas informações fornecidas hoje pela OMS, o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos da XXXII Olimpíada em Tóquio devem ser remarcados para uma data posterior a 2020, mas não posterior ao verão de 2021, para salvaguardar a saúde dos atletas, de todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos e da comunidade internacional", indicaram.

Também foi acordado que a chama olímpica permanecerá no Japão até 2021. "Também foi acordado que os Jogos manterão o nome de Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Tóquio 2020", completa a nota.

Errata: o texto foi atualizado
O sexto parágrafo trazia uma citação sobre a gripe aviária. O trecho foi retirado.

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