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OPINIÃO

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'Xerecou' na TV: transmissões esportivas mais leves viram legado olímpico

Karen Jonz, comentarista de skate no SporTV - Twitter
Karen Jonz, comentarista de skate no SporTV Imagem: Twitter

Carolina Alberti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/08/2021 04h00

Melhor campanha da história. Maior número de ouros conquistados. Protagonismo feminino. É inegável que as Olimpíadas de Tóquio marcaram o esporte brasileiro, e serão fruto de análises e debates sobre o que se pode esperar do próximo ciclo olímpico, que terminará em Paris 2024.

As 21 medalhas conquistadas pelos brasileiros, porém, contaram com uma novidade que ultrapassa os limites dos ginásios, já que, por conta da pandemia de covid-19, foram realizadas majoritariamente do Brasil: as transmissões do Grupo Globo.

Quem acompanhou as Olimpíadas, seja madrugada adentro ou pelas repercussões de redes sociais, notou uma mudança no tom das transmissões. As rotineiras análises táticas, vistas durante toda a temporada futebolística, deram espaço ao "xerecou" de Karen Jonz, à emoção de Hortência ao comentar a prova do filho João Victor, à reação de César Cielo ao ter seu recorde olímpico quebrado e à revolta de Dandan com a eliminação da judoca Maria Portela.

Mais do que especialistas, o Grupo Globo apostou em uma nova conexão com seus espectadores durante as Olimpíadas: a identificação. Afinal, quem não quis brigar com os árbitros após a terceira punição à Maria Portela? Ou então dar um chacoalhão na seleção masculina de vôlei por perder a semifinal para a Rússia após estar vencendo o terceiro set por 20 a 12?

Em um país com pouquíssima cultura olímpica, as transmissões mais leves servem como atrativo aos espectadores. Sinceramente, quem não esperou ansiosamente pelos comentários sinceros da Karen Jonz após o "xerecou"? A estreia do skate, com manobras tão complicadas quanto seus nomes, conquistou os brasileiros não só pelos atletas, mas também pela leveza e espontaneidade da transmissão.

E, se pensarmos nos Jogos Olímpicos como um evento cada vez mais próximo de um espetáculo - com impressionantes cerimônias de aberturas, imponentes arenas e câmeras 360º - as transmissões tendem a ser mais agregadoras do que analíticas. Em outras palavras, mais interessante do que os complicados nomes das manobras de skate e surfe é ouvir o Everaldo Marques soltar o "ridículo" para os medalhistas Italo Ferreira e Rayssa Leal.

Esses detalhes que atraem os espectadores e, consequentemente, auxiliam na divulgação das modalidades olímpicas, que pouco ouvimos falar nos anos que antecedem os Jogos.

Falando de conexão, outro acerto foi a divulgação dos bastidores das transmissões. Luis Roberto pulou como um torcedor comum ao narrar o bronze de Fernando Scheffer, assim como a dupla Jade Barbosa e Dani Hypólito chorou junto conosco ao acompanhar o ouro de Rebeca Andrade.

A transmissão "à la torcedor" externa verdade e transparência. E, consequentemente, tira a frieza e distanciamento tão associados à televisão. As Olimpíadas de Tóquio mostraram que falas ensaiadas e as reações contidas talvez tenham cada vez menos espaço.

Claro que alguns limites devem ser respeitados, e que análises táticas têm sua importância, mas é inegável que a transmissão mais flexível e espontânea é um dos legados das Olimpíadas de Tóquio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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