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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dandan pistola foi o Brasil inteiro querendo abraçar a judoca Maria Portela

Daniel Pereira, narrador do SporTV - Reprodução
Daniel Pereira, narrador do SporTV Imagem: Reprodução

Alexandre Cossenza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/07/2021 02h19

Maria Portela lutou por 14min58 contra a russa Madina Taimazova. Ralou, suou, chorou. Aplicou o que os medalhistas Tiago Camilo e Flávio Canto consideraram como um wazari, mas que não foi considerado pela arbitragem. No fim, perdeu a luta ao receber uma punição por falta de combatividade. Decisão que incomodou não só Camilo, que participava na transmissão do SporTV, e Canto, que estava na Globo, mas ex-judocas como os campeões mundiais João Derly e Luciano Correa. E o Brasil, que assistiu pela TV, se revoltou com eles.

Ninguém incorporou essa revolta melhor do que Daniel Pereira, que narrava a luta pelo SporTV no momento. Desde a primeira reação, um "Tá de brincadeira isso aí, Tiago Camilo! Não pode fazer isso!", até muito depois do fim da luta, Dandan foi o brasileiro comum, querendo saber dos especialistas se aquilo que acontecia em Tóquio fazia sentido, deixando claro o tamanho do descontentamento com a punição e, ao mesmo tempo, querendo abraçar Maria Portela.

"Tem que fazer uma medalha para a Maria Portela. Tá de brincadeira o que essa menina lutou. Ainda teve o lance do vídeo. Cara, isso é wazari! Eu não sou ninguém para falar isso, mas tenho aqui ao meu lado um bimedalhista olímpico. É wazari ou não é, Tiago Camilo? Desanima, cara!"

Enquanto Camilo analisava o replay do lance, era possível sentir que a raiva que preenchia o torcedor brasileiro - e este escriba aqui - também estava no narrador, que voltou à carga, até perguntando se havia chance de um protesto que mudasse o resultado final. "E aí, fica por isso mesmo? Não tem alguém para... O mundo inteiro está vendo isso aí. Revoltante! Revoltante!"

E Dandan, o mesmo que já mostrado sua frustração com a derrota de Rafael Macedo um pouco antes, resumiu bem quando disse, em modo full pistola, "Dá vontade de não transmitir mais nada aqui e ir embora para casa!" E antes de a judoca, às lágrimas, dirigir-se à zona mista para dar entrevista ao canal, Dandan compartilhou o que parecia um sentimento unânime nas redes sociais no momento: "Queria dar um abraço na Maria Portela agora!"

Enquanto isso, judocas se manifestavam nas redes sociais, criticando duramente a decisão da arbitragem, especialmente no golpe que não foi considerado um wazari a favor da brasileira.

Depois dos protestos, Dandan também foi - intencionalmente ou não - uma voz de conforto ao torcedor brasileiro quando lembrou que Maria Portela ainda tem a chance de sair de Tóquio com uma medalha porque ainda participa da competição por equipes.

Mas que ninguém ache que a mágoa ficou no passado. Muito depois do fim da luta de Portela, Dandan foi o Brasil de novo quando disparou: "Vou deixar o Tiago Camilo falar porque sou entranhado com essa cultura futebolística de reclamar, culpar os outros e tal." ... "Estou revoltado, estou revoltado!"

Todos estamos, Dandan. Todos estamos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL