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Palmeiras vê investimento de R$ 90 mi na base render frutos no profissional

Crias da base, Gabriel Menino e Patrick de Paula se abraçam após gol do Palmeiras sobre o Delfín - Staff images/CONMEBOL
Crias da base, Gabriel Menino e Patrick de Paula se abraçam após gol do Palmeiras sobre o Delfín Imagem: Staff images/CONMEBOL

Thiago Ferri

Do UOL, em São Paulo

27/11/2020 04h00

Dos 22 jogadores do Palmeiras que viajaram ao Equador para enfrentar e vencer o Delfín, pelas oitavas de final da Copa Libertadores, 13 passaram pelas categorias de base do clube. Esta é uma temporada histórica para o Alviverde na formação de atletas e, enfim, com resultados no profissional que respaldam o investimento dos últimos três anos, considerado o maior da história palmeirense no departamento amador.

Entre 2017 e 2019, período da gestão de Maurício Galiotte, foram investidos R$ 90 milhões no centro de formação de atletas. No triênio anterior (2014 a 2016, sob a presidência de Paulo Nobre), quando foi iniciada a reformulação na base, o valor foi de cerca de R$ 60 milhões — um aumento de 50% com a atual diretoria.

Estes R$ 30 milhões gastos por ano em média vão para a contratação de profissionais, melhoria da estrutura no CT em Guarulhos (SP), dos métodos de trabalho (inclusive tecnologicamente), captação de jogadores e participação em torneios internacionais. João Paulo Sampaio é o coordenador do departamento que Galiotte considera chave para a identidade do futuro do Verdão.

No período, as taças só aumentaram na base (do sub-11 ao sub-20): foram 16 em 2017, 23 em 2018, 34 em 2019. Em 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus, a maior parte das competições foi paralisada, e os cinco títulos conquistados vieram em janeiro. Entre 2017 e 2020, foram 78 convocações para seleções nacionais.

O resultado disso, porém, só começou a aparecer no time profissional em 2020. Depois de uma temporada sem títulos no ano passado, Galiotte decidiu que precisava contratar menos e usar mais os garotos. Além de uma clara readequação financeira, o Palmeiras entendeu que tinha de dar chance à base pela capacidade dos jovens e pela identificação que eles criam com o clube e a torcida.

Já estrearam 11 atletas neste ano, recorde no século. No título paulista, Patrick de Paula ficou marcado por converter o pênalti decisivo contra o Corinthians, e Gabriel Menino também é peça importante, sendo convocado pela seleção brasileira principal.

Os dois foram titulares contra o Delfín — Menino, inclusive, abriu o placar em uma partida que o Verdão tinha 16 desfalques. Danilo e Gabriel Veron são outros jogadores da base com muitos minutos, enquanto Renan e Gabriel Silva vêm ganhando espaço.

Como consequência deste momento, os garotos podem, também, render altas cifras no futuro. Patrick, por exemplo, tem multa rescisória de 100 milhões de euros (R$ 635 milhões); Gabriel Menino e Veron, 60 milhões de euros (R$ 381 milhões) cada um. O Palmeiras, porém, preferiu não transformar em negociações as sondagens por eles nesta temporada.

"A geração de recursos na base é estratégica para um clube de futebol, pois, além de ser uma fonte relevante de receita e de redução de gastos com aquisição de atletas, é um caminho eficiente para se estabelecer e manter um estilo de jogo ao longo do tempo. Foi com essa visão que desde o início dessa gestão aumentamos os investimentos nas categorias de base e os frutos estão sendo colhidos. O trabalho desenvolvido não se restringe à formação de uma grande safra de atletas, o que já é um fato, mas na consolidação de um conceito e de uma metodologia que resista às mudanças de gestão", disse o presidente Maurício Galiotte ao UOL Esporte.

Mais velhos são vistos como suporte

Contratado também pelo bom trabalho na formação de atletas, o técnico Abel Ferreira diz que os garotos no Verdão dependem muito do suporte de jogadores mais rodados. O português elogiou a postura de líderes como Weverton, Gustavo Gómez, Felipe Melo, Willian e Luiz Adriano. O goleiro titular sabe da importância que tem neste processo de adaptação.

"Estamos muito contentes com o que as crias do Palmeiras estão apresentando. Temos um grupo experiente para dar suporte, seguro do que tem de fazer. Sabemos como é difícil a Libertadores e como é prazeroso vê-los surgindo. Temos garotos bem enturmados, como o Patrick e Menino, que são importantes para a gente. A tendência é que eles venham a se ambientar cada vez mais. A gente está aqui para dar o suporte que eles precisam para ter tranquilidade. Como o Abel sempre fala: só quero que vocês exerçam o melhor de vocês. Eles, com a juventude, e o talento que têm, estão sendo importantes e estamos satisfeitos. Quem ganha é o Palmeiras", afirmou Weverton.

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