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Rafael Reis

Sem chance entre adultos, jogador mais rico do mundo vai para liga sub-23

Escalação do time sub-23 do Marítimo, com presença de Bolkiah (primeiro agachado à esquerda) - Divulgação
Escalação do time sub-23 do Marítimo, com presença de Bolkiah (primeiro agachado à esquerda) Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

05/01/2021 04h00

O jogador profissional mais rico do mundo já tem 22 anos e passou por alguns dos clubes mais poderosos do planeta. Mas, até hoje, jamais disputou sequer uma partida oficial do "futebol dos adultos".

Contratado em setembro pelo Marítimo, que disputa a primeira divisão portuguesa, o atacante bruneano Faiq Bolkiah não foi nem relacionado para o banco de reservas em nenhum dos 14 jogos já disputados pelo clube nesta temporada.

Sem oportunidades na equipe de cima, acabou rebaixado para o elenco que disputa a Liga Revelação, um campeonato exclusivo para jogadores de no máximo 23 anos, que é jogado em Portugal desde 2018.

Sua estreia na competição de "aspirantes" aconteceu na semana do Natal. No dia 22 de dezembro, Bolkiah participou dos primeiros 45 minutos do empate por 3 a 3 contra a equipe sub-23 do Sporting.

E o futebol mostrado do torneio para garotos ficou longe de impressionar alguém. Enquanto o bilionário esteve em campo, o Marítimo perdia por 2 a 0. Sem ele, conseguiu a recuperação e buscou o empate.

Com o rebaixamento para o time B, Bolkiah revive em Portugal o cenário semelhante ao que o fez abandonar o Leicester, clube que defendeu entre 2016 e o encerramento da temporada passada.

Na Inglaterra, onde também passou pelas categorias de base de Chelsea e Arsenal, o bruneano só jogou torneios com limite de idade (não era aproveitado nem na Premier League 2). Em quatro anos nos "Foxes", jamais dividiu campo com Jamie Vardy, Kasper Schmeichel e James Maddison, astros do time principal.

Apesar dessa carreira de pouco brilho, o atacante tem uma fortuna estimada em 20 bilhões de euros (R$ 126,4 bilhões). De acordo com o site "BlogFinanceFR", esse valor é 43 vezes maior que o patrimônio acumulado por Cristiano Ronaldo.

A razão pela qual o jogador do Marítimo tem tanto dinheiro está na sua árvore genealógica. Ele é sobrinho de Hassanal Bolkiah, que ocupa desde 1968 o posto de sultão de Brunei, país localizado no sudeste asiático que tem cerca de 460 mil habitantes e grandes reservas de petróleo e gás natural.

O monarca é famoso pela ostentação em que vive. Além da famosa coleção particular de carrões que possui, ele chegou a contratar Michael Jackson para cantar no seu aniversário de 50 anos, um evento público que reuniu 60 mil pessoas.

O pai do atacante também é poderoso. Ele é filho do príncipe Jefri, que foi ministro da Economia do seu irmão mais velho durante mais de uma década.

Depois de lutar contra o rebaixamento na temporada passada, o Marítimo vem fazendo uma campanha um pouco mais tranquila nesta edição do Português. Nas primeiras 12 rodadas da competição, somou 14 pontos, o suficiente para ocupar a metade de cima da tabela.

A equipe, que tem no atacante brasileiro Rodrigo Pinho e no camaronês Joel (ex-Cruzeiro e Santos) seus jogadores mais conhecidos, vai a campo novamente na quinta-feira, contra o Braga, fora de casa.

Já na Liga Revelação, realidade do momento para o bilionário Bolkiah, o próximo compromisso do Marítimo é no sábado, ante o Leixões, já pela fase final da competição.