PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Rafael Reis


Messi nunca foi campeão com a seleção argentina: verdade ou lenda?

Aos 33 anos, Messi ainda busca seu primeiro título com a seleção argentina principal - Reprodução
Aos 33 anos, Messi ainda busca seu primeiro título com a seleção argentina principal Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

02/07/2020 04h20

Classificação e Jogos

Aos 33 anos, Lionel Messi tem uma carreira das mais vitoriosas. Já marcou 700 gols, foi eleito seis vezes o melhor jogador do mundo, ganhou quatro edições da Liga dos Campeões da Europa e acumulou dez títulos do Campeonato Espanhol.

Mas tudo o que conquistou foi com a camisa do Barcelona. Pela seleção argentina, só acumulou decepções e jamais conseguiu levantar sequer um troféu, nem mesmo de torneios de pouca expressão.

Bem, pelo menos é essa a história que circula com força nas redes sociais e à base do boca a boca, não só entre torcedores brasileiros, mas também entre os fanáticos por futebol do mundo inteiro.

Mas será que Messi realmente nunca foi campeão de nada com a Argentina? Ou tudo não passa de apenas mais uma das várias lendas urbanas que tanto fazem sucesso no universo do futebol, como seu quadro de autismo e a transexualidade de Marco Verratti?

De fato, o camisa 10 mais famoso da atualidade jamais venceu um campeonato oficial (reconhecido pela Fifa) com a seleção... pelo menos, não com a principal.

A última vez que a Argentina se sagrou campeã de alguma coisa no futebol dos adultos foi em 1993, quando venceu uma edição da Copa América disputada no Equador. Na ocasião, o atual astro do Barça era um garotinho de apenas seis anos, que vivia em Rosario e treinava nas categorias de base do Newell's Old Boys, seu time de coração.

O tabu, que já dura quase três décadas, esteve perto de ser destruído inúmeras vezes na "era Messi". Mas a seleção liderada por Leo sempre ficou no quase. Foram quatro derrotas em finais de competições, uma em Copa do Mundo (2014) e três na Copa América (2007, 2015 e 2016).

A incapacidade de recolocar a Argentina no caminho dos títulos é, certamente, a maior crítica que o camisa 10 costuma receber. Não à toa, ele não é tão idolatrado em seu país-natal como, por exemplo, Cristiano Ronaldo em Portugal.

Mesmo assim, Messi tem números expressivos pela seleção. Com 138 partidas disputadas desde 2005, ele é o terceiro jogador que mais vestiu a camisa albiceleste em toda a história. Além disso, é o maior artilheiro da Argentina em todos os tempos, com 70 gols - o segundo, Gabriel Batistuta, fez "apenas" 54.

E, pelas equipes argentinas de base, o camisa 10 tem pelo menos dois títulos dos mais expressivos.

Em 2005, ele foi o "dono" do Mundial sub-20. Na ocasião, Messi levou a Argentina ao título, terminou a competição como artilheiro (seis gols) e, de quebra, levou para a casa a Bola de Ouro destinada ao melhor jogador do torneio.

Três anos depois, com a mesma geração campeã mundial júnior, o craque do Barcelona ganhou a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim. Novamente, foi um dos protagonistas da conquista, ainda que o gol do título tenha saído dos pés de Ángel di María (hoje no PSG).

Sem nenhum torneio oficial para disputar pela Argentina até a Copa América do próximo ano, Messi tenta nesta reta final de temporada aumentar a já sua vasta coleção de troféus pelo Barcelona.

A equipe catalã ainda está na briga por dois troféus em 2019/2020. No Campeonato Espanhol, está a um ponto (e com um jogo a mais) do Real Madrid, líder da competição. Já na Champions, aguarda a partida de volta das oitavas de final contra o Napoli - empatou por 1 a 1, fora de casa, na primeira parte do mata-mata.

Rafael Reis