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Rafael Reis


Política em campo: mais 5 times de futebol que são de esquerda

Torcedores do Celtic fazem manifestação em prol da Palestina em 2016 - Steve Welsh/Getty Images
Torcedores do Celtic fazem manifestação em prol da Palestina em 2016 Imagem: Steve Welsh/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

04/06/2020 04h00

Já houve quem dissesse que futebol e política não se misturam. Basta dar uma olhada na história do esporte mais popular do planeta para perceber que quem pensa assim está profundamente enganado.

Ao longo dos últimos 150 anos, ditadores usaram clubes populares para promover seus regimes, presidentes financiaram a construção de estádios, e torcedores encontraram no futebol a forma de se expressar contra governantes.

Há clubes que são conhecidos internacionalmente por terem abraçado alguma bandeira político-ideológica. Um exemplo famoso vem de Barcelona. É impossível dissociar o movimento pela independência da Catalunha do clube que tem Lionel Messi como astro.

Desde a semana passada, o "Blog do Rafael Reis" vem apresentando times que não têm problema nenhum em se posicionar. Primeiro, mostrou cinco equipes de futebol que são de esquerda. Depois, fez o mesmo com clubes de direita.

Hoje, é a vez de expor mais agremiações que tem o DNA ligado ao lado esquerdo do espectro político. Na próxima semana, a seção será concluída com outras camisas ligadas às ideologias de direita.

RAYO VALLECANO (ESP)

Rayo Vallecano - Reprodução: Twitter - Reprodução: Twitter
Imagem: Reprodução: Twitter

A terceira força de Madri é o clube mais à esquerda do futebol espanhol. Enquanto os dois maiores times da capital, Real e Atlético, sempre tiveram relações próximas com os governantes e os endinheirados, o Rayo cresceu junto ao movimento operário e às forças que lutavam contra a ditadura do General Franco. Os Bukaneros, seu principal grupo de torcedores organizados, têm dois lemas principais: "ame o Rayo, odeie o racismo" e "pequeno no esporte, grande nos valores". Os ultras do Rayo se tornaram ainda mais conhecidos em 2017, quando rejeitaram a chegada do atacante ucraniano Roman Zozulya, acusaram-no de ser racista e pressionaram a diretoria até conseguirem que o centroavante tivesse seu contrato rescindido.

CELTIC (ESC)

Não é raro ver nos jogos do Celtic torcedores empunhando bandeiras da Palestina ou entoando cânticos contra a família real britânica. O gigante ligado à comunidade católica da Escócia (e que protagoniza um clássico explosivo do ponto de vista ideológico e religioso contra os Rangers) tem raízes na esquerda. Seus torcedores, em geral, são ligados a movimentos sociais, votam no Partido Trabalhista e são contrários à ideia do Reino Unido. Até por isso, os ultras do Celtic já manifestaram algumas vezes apoio ao IRA, grupo paramilitar (e terrorista) católico que lutava para que a Irlanda do Norte deixasse de fazer parte do território governado pela Rainha Elizabeth para se anexar à Irlanda.

OMONIA (CHP)

O pouco relevante futebol do Chipre tem um clube que se destaca pelo radicalismo ideológico de sua torcida. O Omonia, 20 vezes campeão nacional, nasceu na década de 1940, a partir de torcedores de esquerda que se rebelaram contra o comportamento à direita do APOEL Nicósia na Guerra Civil da Grécia. Mais de 70 anos depois, boa parte da torcida do Omonia ainda é composta por socialistas e comunistas convictos, que levam ao estádio bandeiras da antiga União Soviética e cartazes com o rosto do ex-militante argentino Che Guevara. Os ultras do clube, conhecidos como Gate-9, também são bastante próximos do movimento Antifa, e essa palavra frequentemente aparece em faixas exibidas por eles.

LIVERPOOL (ING)

Jogadores do Liverpool se manifestam em campanha por igualdade racial - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Ainda que não tenha um posicionamento ideológico tão marcante quanto os clubes citados acima, o atual campeão europeu também está à esquerda no espectro político. Natural de uma das cidades mais socialistas da Inglaterra, com histórico ligado ao movimento operário e ao fluxo de pessoas no porto, os Reds têm, de acordo com sua própria diretoria, uma filosofia de gestão ligada às ideias de que o coletivo sempre está acima das individualidades. Não à toa, dois dos principais treinadores que já comandaram o Liverpool eram (ou são) assumidamente socialistas: o britânico Bill Shankly, que dirigiu o time entre 1959 e 1974, e o alemão Jürgen Klopp, no cargo desde 2015.

BESIKTAS (TUR)

Terceiro maior campeão da história do futebol turco com 15 títulos, o clube é peça importante na engrenagem política do país. Em 2013, o Çarsi, principal grupo de ultras do Besiktas e que se diz anarquista, foi uma das forças mais atuantes na onda de protestos contra o então primeiro-ministro (e hoje presidente) Recep Tayyip Erdogan. A agremiação também disponibiliza um manifesto para que todos saibam quais são seus valores. Entres, destacam-se ideias como modéstia, tolerância racial, religiosa, sexual e de gênero, além da luta por justiça social.

Rafael Reis