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Rafael Reis

Por que o "Quadrado Mágico" da seleção brilhou em 2005 e fracassou na Copa?

"Quadrado mágico" da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006 - Reprodução
"Quadrado mágico" da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006 Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

18/04/2020 04h00

Na semifinal, vitória sobre a Alemanha, dona da casa. Na decisão, goleada por 4 a 1 sobre a Argentina, com show particular de Adriano e uma atuação tão épica que acabou sendo escolhida pela Globo para ser reprisada amanhã (19).

O Brasil saiu da Copa das Confederações de 2005 como a seleção a ser batida e o favorito destacado para ganhar o Mundial que seria disputado no ano seguinte. Também tinha algo que fazia inveja a todo planeta: o "Quadrado Mágico" composto por Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano.

Doze meses depois, a promessa do hexa ficou só na promessa. O time de Carlos Alberto Parreira fez uma Copa repleta de atuações mornas e acabou eliminado pela França nas quartas de final - jogo que ficou eternizado pelo descuido de Roberto Carlos no lance do gol de Thierry Henry.

Mas por que o "Quadrado Mágico" que encantou o mundo em um ano (ainda que a seleção brasileira tenha sofrido na fase de grupos da Copa das Confederações e até perdido para o México) não conseguiu repetir a dose no ano seguinte?

Como para quase todas as perguntas ligadas a desempenho no universo do futebol, não há apenas uma resposta certa para essa questão. O Brasil (e, particularmente, seu setor ofensivo) não repetiu na Copa de 2006 o brilho da fim do torneio de 2005 por inúmeros motivos.

Um deles é de ordem tática. O "Quarteto Mágico" original contava com um meia armador (Ronaldinho), um ponta de lança (Kaká), um atacante de velocidade pelos lados do campo (Robinho) e um centroavante (Adriano).

Já no Mundial, Robinho cedeu seu lugar entre os titulares para Ronaldo, o que deixou a seleção com dois homens de área, pesados e lentos, e nenhum jogador de beirada para acelerar o jogo. Resultado: a transição da defesa para o ataque perdeu velocidade e ficou mais previsível.

A falta de encaixe do novo quarteto era tão evidente que, na partida da eliminação para a França, Parreira optou por abrir mão de Adriano para reforçar o meio-campo com a entrada de Juninho Pernambucano. O treinador só resgatou a formação mais utilizada aos 18 minutos do segundo tempo, quando já perdia o jogo.

Além disso, a forma física dos seus integrantes na Copa também não ajudou. Kaká, do alto dos seus 24 anos, era o único que podia dizer que estava inteiro.

O Fenômeno e o Imperador estavam com tanto excesso de peso que foram maldosamente apelidados de "ataque dos 200 quilos". Ronaldinho, o Gaúcho, também estava exausto, na reta final de uma temporada em que disputou 49 partidas pelo Barcelona e que só terminou 20 dias antes da abertura do Mundial, com a conquista da Liga dos Campeões.

Por fim, há a tão famosa (e criticada) preparação da seleção em Weggis, na Suíça.

Os dias em que o Brasil passou na cidadezinha com menos de quatro mil habitantes, que deveriam ter sido de foco total nos treinos e montagem da equipe para o Mundial, transformaram-se em uma imensa festa de torcedores (e também de jogadores).

A concentração da seleção não tinha nada de concentração. Todos os treinos foram abertos para a presença de torcedores, que tocavam música alta nas arquibancadas, faziam churrascos do lado de fora do estádio e não davam a mínima privacidade aos atletas.

Invasões de campo para que o público abraçasse e fotografasse de pertinho seus ídolos não foram apenas uma ou duas. Na verdade, elas fizeram parte da rotina dos treinos. "Weggis era aquela várzea", definiu, em 2014, o lateral esquerdo Roberto Carlos.

Modificado taticamente, mal preparado fisicamente e sem o nível de concentração necessário para disputar uma Copa do Mundo, o "Quarteto Mágico" perdeu seu encanto e acabou entrando para a história como uma lembrança de algo que poderia ter sido muito maior do que realmente foi.