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Rafael Reis


Como coronavírus pode ser pá de cal para os previsíveis nacionais da Europa

Neymar é um dos astros do PSG, clube que é hegemônico na França - Reprodução/Instagram
Neymar é um dos astros do PSG, clube que é hegemônico na França Imagem: Reprodução/Instagram
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

15/04/2020 04h20

Classificação e Jogos

Não importa se as últimas rodadas da Premier League serão disputadas. Todo mundo já sabe que o melhor time da Inglaterra na temporada é o Liverpool. O mesmo vale para o Paris Saint-Germain na França. A confirmação do seu título não passa de uma mera burocracia.

Na Itália, na Alemanha e na Espanha ainda há briga. Mas os protagonistas dos últimos anos (Juventus, Bayern de Munique e Barcelona, respectivamente) estão outra vez no topo da tabela e são os favoritos para ficar com a taça.

A previsibilidade que tomou conta dos principais campeonatos nacionais da Europa pode fazer com que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) acabe se transformando em uma espécie de pá de cal para essas ligas.

Afinal, a maioria dos torcedores e fãs do futebol do Velho Continente espalhados pelo mundo todo está muito mais interessada em acompanhar o desfecho imprevisível da Liga dos Campeões do que em ver as rodadas derradeiras de campeonatos que devem consagrar os mesmos de sempre.

Sim, eu sei que o Liverpool não se sagra campeão inglês há 30 anos. No entanto, o fim do jejum está tão desenhado (são 25 pontos de vantagem para o Manchester City, segundo colocado) que o interesse pelo desfecho dessa história já perdeu boa parte do encanto.

Antes mesmo do início da proliferação do vírus que praticamente congelou o futebol mundial, a Europa já vinha assistindo ao crescimento do movimento em prol das competições supranacionais em detrimentos das ligas exclusivas de um único país.

A Holanda e a Bélgica, por exemplo, vêm há tempos estudando a possibilidade de fundirem seus campeonatos. Mas a ideia ganhou um novo fôlego no ano passado, quando a BeNeLiga (como vem sendo chamado o embrião desse novo torneio) contratou um estudo para avaliar o crescimento de receitas que a união traria.

Ao mesmo tempo, é quase certo que a Champions passará por uma profunda transformação a partir de 2024 e que roubará relevância, atenção e até mesmo datas que hoje são destinadas às ligas nacionais.

São várias as propostas apresentadas pela ECA (Associação dos Clubes Europeus) à Uefa: ampliação no número de clubes participantes, times com vaga fixa na competição, fim do limite no número de equipes do mesmo país e partidas disputadas aos fins de semana.

O efeito colateral mais provável dessa medida seria o fim de alguns campeonatos nacionais menos viáveis economicamente e a desidratação daqueles que ainda possuem uma relevância maior no mercado.

A intenção dos gigantes europeus é, evidentemente, lucrar mais com a venda de confrontos mais equilibrados e que reúnam dos dois lados do campo as maiores estrelas do futebol mundial.

E se aumentar o dinheiro na conta já era algo muito bem-vindo antes da crise econômica provocada pela pandemia, depois da queda de faturamento em decorrência do caráter global ganho pela doença esse incremento nas receitas será tratado como um assunto muito mais urgente e digno de ser comemorado pelos dirigentes.

Até ontem, a OMS (Organização Mundial da Saúde) confirmava pouco mais de 1,7 milhão de casos positivos para coronavírus em praticamente todos os cantos do planeta. O número de mortos há havia ultrapassado a barreira dos 110 mil.

Rafael Reis