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Cartola suspenso por assédio se afasta, mas handebol pode não ir ao Mundial

Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol - Agência Câmara
Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol Imagem: Agência Câmara
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

08/12/2020 19h59

O presidente em exercício da Confederação Brasileira de Handebol, Ricardo Souza, pediu afastamento do cargo nesta terça-feira (8), por 30 dias, apresentando um atestado médico que alega que ele tem "tosse crônica". A postura visa permitir que a entidade receba recursos do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e dispute o Campeonato Mundial masculino, que vai acontecer em janeiro, no Egito. O dirigente, porém, foi previamente avisado pelo COB que o repasse só será retomado se ele se afastar de forma definitiva e que o atestado médico não é suficiente.

A CBHb não está recebendo recursos da Lei Angelo/Piva porque Ricardinho, como é conhecido, está suspenso do movimento olímpico, punido pelo Conselho de Ética do COB por assédio sexual e moral contra uma funcionária da entidade do handebol durante os Jogos Pan-Americanos. Com ele suspenso, o COB não o reconhece como representante da confederação e, assim, não atende seus pedidos de liberação de recursos.

Por causa desse veto, tanto a seleção masculina quanto a feminina abriram mão de utilizar datas internacionais para treinar e disputar amistosos na Europa. A confederação alega que não organizou os treinamentos por causa da pandemia, mas não teria recursos financeiros para bancar a viagem, uma vez que não tem patrocínios e sobrevive do dinheiro disponibilizado pelo COB. Da mesma forma, sob a desculpa da pandemia, os campeonatos nacionais, que seriam bancados com repasses do COB, também foram suspensos.

O mesmo iria acontecer com a viagem para o Mundial, com a diferença que, além de não disputar a competição mais importante do mundo, o Brasil seria provavelmente multado e suspenso. Foi nesse contexto que Ricardinho pediu afastamento hoje, contando que, com ele fora da confederação, o repasse será retomado. O treinamento para o Mundial precisa começar, no máximo, em 26 de dezembro e os clubes já precisavam ter recebido a programação para liberar seus atletas.

A medida, porém, deve ser insuficiente para assegurar a ida da seleção ao Mundial. É consenso no COB que o pedido de afastamento é uma manobra de Ricardinho e o Conselho de Ética, que decidiu pela suspensão do dirigente, na punição mais significativa imposta pelo órgão recém-criado, prometeu bater de frente para que, na prática, sua decisão seja cumprida.

Ricardinho é o primeiro vice-presidente da entidade e só ocupa a presidência porque o presidente Manoel Oliveira está afastado por decisão judicial. Antes de se afastar, Ricardinho convocou eleições para o dia 1º de fevereiro. Na ausência dele, a entidade será comandada por Jefferson Oliveira, segundo vice, do Amazonas, também presidente do Rio Negro, clube de futebol.

Em nota ao Olhar Olímpico, o diretor de comunicação da CBHb disse que o Ricardinho vinha mantendo diversas negociações, citando um possível contrato de patrocínio, conversas para que a Federação Internacional de Handebol (IHF) pagasse as passagens e desse um "apoio financeiro", negociação com a confederação centro-sul-americana para transmissão dos jogos em troca de um "desembolso financeiro para a CBHb".

Ainda de acordo com o diretor de comunicação, a CBHb, que precisa devolver mais de R$ 10 milhões à Secretaria Especial do Esporte por glosas no convênio para realização do Mundial de 2011 no Brasil, também pediu que essa mesma secretaria bancasse os treinamentos no Egito. Segundo a confederação, isso não aconteceu porque o comitê organizador só permitiu treinamentos no Egito a partir de 6 de janeiro.