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Olhar Olímpico

Jogadores da seleção de handebol se unem em protesto contra presidente

Seleção masculina de handebol estreia no Pan-2019 com vitória sobre o México - Jonne Roriz/COB
Seleção masculina de handebol estreia no Pan-2019 com vitória sobre o México Imagem: Jonne Roriz/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/11/2020 13h28

Os principais jogadores do handebol masculino se uniram para criticar a gestão da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb). Eles publicaram uma carta hoje (4) nas redes sociais reclamando que não existe "nenhum projeto esportivo" na entidade, apenas "um projeto de poder" e que isso está prejudicando a preparação deles para o Campeonato Mundial de janeiro, no Egito.

A seleção deveria estar treinando em Portugal neste momento, durante uma janela internacional para jogos e amistosos de seleções nacionais, mas a fase de treinamento foi cancelada de última hora. O Olhar Olímpico mostrou, com declaração do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que o órgão decidiu não pagar pela atividade, uma vez que não reconhece a gestão de Ricardo Souza, o Ricardinho, presidente da CBHb que está suspenso do movimento olímpico por assédio sexual e moral.

A CBHb reagiu, na ocasião, divulgando um ofício assinado por Ricardinho e endereçado ao COB, no qual dizia que, por causa da segunda onda da Covid-19 na Europa, não realizaria o treinamento, uma vez que alguns clubes não aceitavam liberar seus convocados. Agora esses jogadores se posicionam confirmando que o cancelamento foi uma iniciativa do COB.

"Ao contrário do que foi comunicado, a concentração não foi cancelada por razões sanitárias. O real motivo foi que o COB, que atualmente é o único parceiro da CBHb, teve que indisponibilizar o orçamento correspondente a esta atividade. Isto porque o COB não reconhece como presidente da confederação uma pessoa julgada e punida pelo Conselho de Ética, e, consequentemente, tampouco o corpo técnico incorporado por ela", diz a carta dos jogadores da seleção.

Até agora o único posicionamento público do COB sobre a situação foi a resposta enviada ao Olhar Olímpico, o que tem feito Ricardinho colocar em dúvida a versão do comitê. Mas os jogadores ouviram do COB a mesma informação, que agora eles colocaram na carta. Depois que reassumiu, porque o presidente eleito, Manoel Oliveira, foi afastado pela Justiça, Ricardinho demitiu o técnico Washington Nunes e anunciou Marcus "Tatá", de Taubaté.

E aí entra mais um tempero nessa salada. Tatá teve grande influência para que, na eleição da Comissão de Atletas, os atletas de seleção (incluindo Thiagus Petrus, capitão da seleção masculina, e Duda, da feminina), fossem derrotados por jogadores amadores ou semi-amadores que jogam no Brasil. Assim, a Comissão de Atletas é próxima ao treinador da seleção, enquanto os atletas da seleção são mais distantes. E eles estão bastante incomodados com a situação da confederação.

"A situação atual da CBHb é lamentável. A política está completamente judicializada, enquanto a parte técnica, que deveria atender apenas a critérios puramente esportivos, está totalmente subordinada à instabilidade política da instituição. É impossível que um projeto esportivo possa ter êxito nestas circunstâncias", dizem os jogadores.

Eles continuam: "É evidente que não existe hoje um projeto esportivo na CBHb, mas sim um projeto de poder. A ambição pessoal dos atores políticos da nossa confederação chegou ao nível da completa abdicação do fundamento da existência da instituição, que é o desenvolvimento da nossa modalidade em nosso país, sem esboçar sequer incômodo com isso", complementam.

Praticamente todos os jogadores da seleção que têm perfil aberto no Instagram haviam publicado a mensagem até 13h20. Procurada, a confederação não respondeu o pedido de comentário. Ricardinho comanda a confederação com uma liminar, uma vez que o Conselho de Administração (COAD) não lhe deu posse, baseando-se na suspensão aplicada pelo Conselho de Ética do COB. Em resposta, Ricardinho determinou a instauração de um processo administrativo contra os membros do COAD, nomeando os membros da comissão que vai julgá-los.