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Nova quadra em "amarelo Banco do Brasil" gera polêmica na Superliga

Drussyla, do Flamengo, tenta defesa na estreia da Superliga - Paula Reis/Flamengo
Drussyla, do Flamengo, tenta defesa na estreia da Superliga Imagem: Paula Reis/Flamengo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/11/2020 04h00

A principal novidade da edição 2020/2021 da Superliga não é jogador ou time. A quadra padronizada na cor "amarelo Banco do Brasil" é obrigatória em todos os jogos da competição, tanto no masculino quanto no feminino, e vem causando polêmica. Em duas partidas no Rio foi necessário jogar pó de magnésio sobre o piso para que ele ficasse menos escorregadio. Em outros locais reclama-se do contrário, que ele não permite que se deslize o suficiente.

A nova quadra é parte da negociação entre a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Banco do Brasil para que o patrocinador da entidade assumisse também o patrocínio master da competição. Em janeiro, foi assinado um contrato de R$ 2,4 milhões para o final daquela temporada, que deveria terminar em maio, e toda a temporada 2020/2021.

Pelo acordo, a CBV ofereceria como contrapartida a identidade visual das quadras, o que ela fez adquirindo 24 novos equipamentos, uma para cada time da Superliga. A estreia foi no Super Vôlei, competição que substituiu os playoffs cancelados da temporada passada, jogados em Belo Horizonte (masculino) e Saquarema (feminino). No torneio das mulheres, foram muitas as reclamações de que piso escorregava. A mesma queixa se repetiu na primeira rodada da Superliga. Nos ginásios do Fluminense, nas Laranjeiras, e do Flamengo, na Gávea, foi necessário jogar pó de magnésio no piso para retirar a umidade.

"Eu acompanhei diversos eventos já realizados com sucesso e nenhum ruído. As finais em BH tiveram zero problema. Só elogio. As finais (da Supercopa) em Campo Grande, que eu acompanhei pessoalmente, só elogio dos atletas. Aí no Rio o que houve? Um excesso de chuvas", explica Sergio Schildt, presidente da Recoma, a fornecedora do piso. "Com essa umidade relativa do ar muito alta, não foi possível secar o piso e ele ganhou um padrão de escorregamento maior do que o normal", continua.

Schildt, que domina o mercado de pisos esportivos no país, explica que o novo piso vinílico do vôlei brasileiro foi importado da chinesa Enlio, que recebeu certificação da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), até dezembro deste ano. A fornecedora oficial da entidade, porém, é outra: a Gerflor, da França.

O empresário garante que o piso comprado pela CBV é de qualidade e foi utilizado inclusive nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em que a empresa dele foi a fornecedora oficial de piso. "A certificação avalia aspectos como absorção de impacto, gripe, alinhamento das peças, brilho das peças, resistência, abrasão", ele continua.

Segundo Schildt, questões pontuais do Centro de Desenvolvimento do Vôlei (CDV) em Saquarema, localizada quase na beira do mar, e dos ginásios do Fla e do Flu teriam deixado a quadra escorregadia. "No Fluminense em dia de chuva você passa a mão no piso de madeira que está de baixo desse de PVC e ele está molhado. O ginásio é encaixado no meio de uma floresta. Ele não tem ventilação e não tem ar condicionado. Durante a noite, com esse ginásio acumulando umidade, ela pousa em cima do piso", justifica Schildt.

"O piso está absolutamente perfeito. O que tem é problema de limpeza do piso. Por ser novo, não tomaram o cuidado de fazer a limpeza. Além disso, quanto mais uso do piso, melhor ele vai ficar. Um piso novo tem menos aderência porque ele está menos emborrachado, não tem pequenas fissurinhas do uso, Quanto mais usar, melhor ele fica."

Assim, hoje, não existe chance de a CBV abrir mão do novo piso vinílico. O que se discute, porém, é a mudança nas linhas de marcação. Elas são brancas e se confundem, de acordo com os árbitros, com o amarelo da quadra, dificultando a percepção de quando uma bola vai dentro ou fora, e também de quando um atleta pisa na linha dos três para atacar do fundo

Por isso, existe a possibilidade de a linha mudar de cor. E isso, segundo Schildt, não demandaria grande esforço, porque as linhas são fitas colocadas após cada remontagem e a fornecedora, a 3M, tem esse produto de dezenas de cores. A CBV, que não respondeu às tentativas de contato da reportagem, porém, resiste, uma vez que o branco fica neutro na combinação amarelo/azul do Banco do Brasil. Outra cor poderia descaracterizar a ação de marketing.

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