PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

Escadinha lança chapa de oposição na Confederação de Vôlei

Sérgio Escadinha, líbero da seleção brasileira de vôlei, beija a medalha de ouro conquista nas Olimpíadas de Atenas, em 2004 - Adam Pretty/Getty Images
Sérgio Escadinha, líbero da seleção brasileira de vôlei, beija a medalha de ouro conquista nas Olimpíadas de Atenas, em 2004 Imagem: Adam Pretty/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/11/2020 18h17

Duas chapas vão participar da eleição da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), daqui a dois meses, em 10 de janeiro. Walter Laranjeiras, o Toroca, concorre à reeleição, apesar dos 87 anos e do risco de a entidade ficar sem receber recursos públicos. A oposição é liderada por Marco Túlio Teixeira, ligado a Ary Graça, e que terá como candidato a vice o bicampeão olímpico Serginho Escadinha, recém-aposentado das quadras.

Serginho já havia dito, em maio, que estudava se candidatar à presidência da CBV. Em entrevista ao BandSports na ocasião, afirmou que achava importante que atletas participassem da gestão da confederação. Mas ele acabou aceitando o convite para ser vice de Marco Túlio, de Minas Gerais, que é também vice-presidente da Federação Sul-Americana. A chapa teve apoio de duas federações e um medalhista olímpico, Rodrigão. Dezoito federações e 25 comissões estaduais de atletas subscrevem a chapa de Toroca.

O prazo para inscrições de chapas se encerrou hoje (10) e, até de tarde, havia uma terceira chapa disposta a participar, capitaneada por outro mineiro, José Francisco Filho, popularmente conhecido como Pelé, ex-jogador da seleção. Ligado ao Minas Tênis Clube, Pelé é atualmente o responsável pela área de esporte no governo Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais, e seria o candidato dos clubes. No fim das contas, abriu mão em apoio a Marco Túlio.

Ele vai concorrer contra o veterano Toroca, que tem cargos na CBV desde a década de 1980. Ele primeiro foi vice de Carlos Arthur Nuzman, ocupou a presidência quando este assumiu o COB, em 1995, e dois anos depois entregou o cargo a Ary Graça. Quando Ary Graça alçou voos mais longos, chegando ao comando da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em 2012, Toroca voltou a ser presidente, primeiro interinamente e, depois, de forma definitiva, já que Ary Graça foi forçado a renunciar em meio a escândalo — na época, Marco Túlio era diretor técnico da confederação.

Aos 85 anos e com condição física bastante debilitada, Toroca tem estado distante do dia a dia da confederação. Além disso, há o risco de a CBV ficar sem certidão de cumprimento da Lei Pelé, porque seria o terceiro mandato consecutivo de Toroca, e a entidade perder acesso a recursos públicos — o Olhar Olímpico já explicou essa discussão. Mesmo assim, o grupo da situação na CBV optou por mantê-lo como cabeça de chapa.

Alagoano, Toroca tem apoio das federações do nordeste e da maior parte das nortistas. Caso ele vença, quem deve comandar a CBV é o vice, o ex-técnico da seleção brasileira Radamés Lattari, que hoje se despediu do cargo de CEO da entidade, para poder concorrer na eleição.

"Essa possibilidade não existe. O Toroca entra, assume, e continua no comando. O que sempre aconteceu no último período foi o Toroca cuidar da parte política, atuação juntos aos órgãos, entidades, e eu tenho feito a parte administrativa, tocando a CBV. O Toroca sabe de cor e salteado todos os números da CBV", justifica Radamés.