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Fabiana critica CBV: 'Vivemos (ainda) em um país democrático"

Atletas em Movimento: Fabiana, do vôlei - J.R. Duran
Atletas em Movimento: Fabiana, do vôlei Imagem: J.R. Duran
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/09/2020 18h44

A central Fabiana Claudino, duas vezes campeã olímpica, usou suas redes sociais para criticar a postura da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que ontem emitiu nota repudiando o "fora, Bolsonaro" gritado por Carol Solberg. No comunicado, a entidade disse que a jogadora "denegriu" o vôlei.

"Denegrir é uma palavra de cunho racista", começou Fabiana. "Jamais deveria ser usada em qualquer situação. Estamos na luta diária contra o racismo, com campanhas educativas, protestos, então seria ótimo repensar o uso de certos termos. Com isso, já deixo a dica de além de denegrir não usem 'lista negra', 'mulata', 'mercado negro', 'a coisa tá preta', 'serviço de preto', entre outras mais", continuou.

Fabiana também comentou sobre a liberdade de expressão. "Vivemos (ainda) em um país democrático, onde atletas ou qualquer ser humano pode expressar suas convicções. Desde que elas não sejam ofensivas, criminosas ou que faltem com respeito. Temos que ter muito cuidado com a censura ou flerte com a volta dela, precisamos estar atentos aos nossos direitos enquanto cidadãos", pede.

A central diz que a nota da CBV "não foi muito feliz". "Como atleta preta, que muito conquistei e representei esse país, não posso me calar. Sempre vou apoiar a democracia e liberdades individuais e especial a causa contra o racismo estrutural e diário que ainda insistimos em conviver achando 'normal'", escreveu.

Em nota ontem, a CBV se colocou de forma "veemente" contra "a utilização dos eventos organizados pela entidade para realização de quaisquer manifestações de cunho político", ressaltando que a fala de Carol "em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar".

No comunicado publicado no site da entidade, a CBV disse que a etapa, que marcou a volta do vôlei de praia brasileiro em meio à pandemia, foi "manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta". A confederação continuou, destacando que "tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados".

Ao Olhar Olímpico, Carol explicou a decisão de se posicionar: "O 'fora, Bolsonaro' está engasgado aqui na garganta. Ver esse desgoverno dessa forma, ver o pantanal queimando, 140 mil mortes e a gente encarando a pandemia desse jeito. É isso. Tá engasgado esse grito. E me sinto, como atleta, na obrigação de me posicionar", disse.

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